Bolsistas da Embrapa se destacam em mostra acadêmica

  • Home
  • Blog
  • Bolsistas da Embrapa se destacam em mostra acadêmica
Bolsistas da Embrapa se destacam em mostra acadêmica

Bolsistas da Embrapa se destacam em mostra acadêmica

Gabrielle participa da Jornada desde 2022.

O encerramento da 21a Jornada Científica, dentro do II Simpósio Internacional sobre Sustentabilidade da Bovinocultura de Leite e Corte no Cerrado (SIMBOVCERRADO) na UFMS, teve bolsistas da Embrapa (Campo Grande-MS) entre os destaques da mostra. Os trabalhos nas áreas de sanidade animal, reprodução, melhoramento genético animal e vegetal e sistemas de produção receberam menções honrosas.

Lara Pael Coelho é a primeira autora do artigo “Diagnóstico visual da cisticercose bovina: evidências, incertezas e comparação com técnicas laboratoriais” e ao lado de Amauri Areco, Murilo Freitas, Acauane Lima, Ana Clara Araújo, Paula Suniga, Lenita dos Santos e Flábio Araújo levou o terceiro lugar, categoria Graduado ou Mestrando, como Destaque Científico. 

Para a médica-veterinária, ter profissionais de outras áreas, como um nutricionista, por exemplo, foi enriquecedor para sua vida acadêmica. “Foi possível, na medida do possível, ter uma troca de conhecimentos com a saúde única envolvendo saúde humana, animal e meio ambiente”, afirma Coelho, estreante na Jornada. 

Orientada por Flábio Araújo, ela levou ao evento alguns resultados de avaliação comparativa entre técnicas de diagnóstico laboratorial para cisticercose. Os dados revelam a importância de se aprimorar as técnicas tradicionais de inspeção animal e como o papel da Embrapa é fundamental nesse aprimoramento. 

O grupo de dez especialistas, entre pesquisadores e acadêmicos, liderado por Araújo e Lenita dos Santos, encara a premiação também como um reconhecimento, pela comunidade científica, dos atuais estudos sobre a vacina contra a cisticercose. 

Participante também pela primeira vez, Paulo Henrique de Campos de Castro, saiu com o primeiro lugar, categoria Graduado ou Mestrando. Leandro Flores, Paola Rezende, Liana Jank, Mateus dos Santos e Celina Ragalzi são os demais autores do resumo que aborda as “Análises exploratórias em dados de ensaios de distinguibilidade, homogeneidade e estabilidade (DHE) de Megathyrsus maximus por meio de boxplot”.

Para a obtenção do certificado de proteção de cultivares (Mapa), é necessário comprovar por meio de testes de DHE que a nova cultivar se distingue de qualquer outra existente e mantém suas características em sucessivas gerações.

O melhorista Mateus dos Santos é veterano na Jornada com seus orientandos e premiados. Para ele, se há uma fórmula, dedicação seria a resposta, “tanto por parte do aluno, quanto nossa (minha e de Liana). Nós cobramos comprometimento e queremos que se sintam parte da solução. Eles sabem o que estão fazendo e por que fazem”, revela. 

Com participação em cada fase da experimentação – montagem de experimento, condução, análise de dados e interpretação de dados -, o sentimento de pertencimento é construído aos poucos nos acadêmicos, assim como respeito mútuo, e isso é perceptível na fala de Castro. O estudante chegou à Unidade em fevereiro, e se orgulha em saber que o trabalho da equipe “será levado ao Mapa” e exige esmero. 

Outra estreante é a doutoranda Aryadne Rhoana Dias Chaves e seu trabalho representa a conexão entre as diversas áreas de pesquisa e instituições. Chaves é orientada pelo professor da UFMS, Gelson Difante; coorientada pelo pesquisador da Embrapa  Rodrigo Gomes; e desenvolveu seu experimento na área do projeto liderado por Roberto Giolo. “Isso é também um mérito do trabalho”, frisa Giolo. 

O quarto lugar na categoria Mestrado ou Doutorando foi para o artigo “Qualidade da carne de bovinos Nelore terminados em diferentes sistemas de produção no bioma Cerrado brasileiro”, e além de Chaves, Difante, Gomes e Giolo contou com Marina Bonin, Caroline Oliveira, Lucas Moraes e Jéssica Rodrigues como autores. 

Desde julho de 2024, Chaves acompanha a terminação de animais provenientes da recria 2023/2024, realizando, inclusive, avaliações voltadas à emissão de metano. “Foram 135 dias de período experimental, de domingo a domingo, aproveitando cada detalhe e oportunidade de aprendizado”, orgulha-se a zootecnista. Como Paulo Castro e Lara Coelho, Chaves percebeu que somente com dedicação e comprometimento se constrói um cientista e os resultados chegam. 

Paulo Castro e Aryadne Chaves 

Experiência e aprendizado contínuo
Doutoranda em Agronomia, Ruth Teles Barbosa é uma velha conhecida da mostra. Sua primeira participação foi em 2021 e sempre sob a orientação de Giolo. Sua pesquisa avalia o estoque de carbono de gramíneas tropicais sob a influência de sistemas integrados. Apesar do volume de dados para análise, Barbosa acredita que os resultados podem agregar não somente aos sistemas de integração como à recuperação de áreas degradadas. 

Seu trabalho é mais uma prova do quanto a pesquisa exige interligações e abocanhou o quinto lugar, categoria Mestrado ou Doutorando. Acadêmica da UEMS, ela tem a contribuição do pesquisador Manuel Macedo quando o assunto é estoque de carbono no solo, e do pesquisador Rodrigo Arroyo da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados-MS) para análises radiculares. 

“É uma experiência que enriquece minhas trajetórias acadêmica e profissional, e ainda tive a oportunidade de trocar experiência com produtores rurais e alunos do Ensino Médio e mostrar a relevância de se adotar sistemas integrados para uma produção mais sustentável”, reconhece. O paper “Massa seca de raízes de gramíneas tropicais em sistemas de integração” tem ainda Fábio Steiner (UEMS), Caroline Oliveira e Kassia Guedes como autores. 

Os Destaques Científicos encerram-se com o segundo lugar, categoria Graduado ou Mestrando, de Gabrielle Lemes Andrade. O “Consumo e eficiência hídrica a pasto e em confinamento de bovinos Nelore” foi ao evento com as contribuições de Andrade, Luana Ferreira, Anny Caroline Souza, Laura Berwerth, Marina Bonin, Eriklis Nogueira, Rodrigo Gomes e Gilberto Menezes. 

Orientada por Menezes desde 2022, a jovem não deixa de participar de uma Jornada desde então, e é incentivada pelo(s) orientador(es). Agora como mestranda em Ciência Animal, ela divide a premiação com suas parceiras de pesquisas. Pois, a correlação entre o consumo hídrico a pasto e em confinamento integrou também os trabalhos das estudantes, Anny Souza e Luana Berwerth, todas da mesma equipe de melhoramento e nutrição animal. 

Esse foi o segundo ano consecutivo que a Jornada Científica da Embrapa Gado de Corte (JCEGC) foi realizada em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, por meio da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (Famez). A iniciativa busca elevar o nível da Jornada e trazer mais impacto a mesma.

Ruth Barbosa, Laura Berwerth e Karem Meireles

Incentivadora da proposta, a chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Unidade, Karem Meireles, enxerga o feito como uma oportunidade para o corpo técnico da Embrapa de se atualizar, exercitar o networking e prospectar novas pesquisas e parcerias. Já para os bolsistas e estagiários, a pesquisadora acredita que a integração possibilita dar mais visibilidade aos trabalhos, acesso a outros estudos e contato com novos colegas e potenciais orientadores. 

“Ao fim, todos ganham e o resultado é o fortalecimento dos laços institucionais e a continuação promissora de uma agenda comum de pesquisa”, ressalta Meireles. Ao todo, 48 trabalhos com a participação da Embrapa foram apresentados, assim dispostos por categorias: 19 graduando, 16 graduado ou mestrando, 9 mestrado ou doutorando, e 4 doutorado ou pós-doutorado.   

JCEGC – A Jornada Científica deste ano foi realizada dentro do II Simpósio Internacional sobre Sustentabilidade da Bovinocultura de Leite e Corte no Cerrado (SIMBOVCERRADO) na UFMS. Promovido pelo Grupo de Pesquisa em Nutrição e Produção de Ruminantes em Pastagens e em Confinamento da FAMEZ, com apoio da UFGD, UEMS e Embrapa, a Jornada e o SIMBOVCerrado contaram com os especialistas da Empresa como avaliadores.

A 1ª Jornada Científica da Embrapa Gado de Corte aconteceu nos dias 24 e 25 de novembro de 2005. Os participantes concorriam ao Prêmio “Destaque Científico” entregue às categorias: Iniciação Científica, Aperfeiçoamento Técnico, Mestrado, Doutorados e Pós-doutorados (DCR). 

A prática permanece e, no ano passado, 42 papers foram inscritos. Pensado como um encontro científico, no qual o participante deve atender a uma série de normas e procedimentos, o evento se consolidou ao longo das décadas e despertou talentos para a pesquisa científica brasileira.

Anais disponíveis aqui.

Fonte: Embrapa Gado de Corte