Artigo – Os 50 Anos da Embrapa Gado de Corte: história

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Artigo – Os 50 Anos da Embrapa Gado de Corte: história

De acordo com relatos do primeiro presidente da Embrapa, Dr. José Irineu Cabral, em seu livro Sol da Manhã – memória da Embrapa*, o Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte – CNPGC, nome síntese Embrapa Gado de Corte, foi inserido no organograma da empresa em 1974, juntamente com os centros destinados a pesquisa de trigo, arroz e feijão, gado de leite, recursos genéticos e seringueira – os primeiros a serem criados.

A cidade de Campo Grande, então Mato Grosso, foi escolhida para sediar o Centro apenas depois de acertada uma negociação com o Ministério do Exército que cedeu, ao Ministério da Agricultura, a antiga Coudelaria, conhecida por Fazenda Remonta, com 3.081 ha, localizada nesta cidade, em troca de uma área urbana no centro de Recife.

Assim sendo, por determinação do Ministro da Agricultura Alysson Paolinelli (Portaria no. 548 de 18/08/1975), inclusive com nomeação da primeira chefia geral da Unidade, a Embrapa foi autorizada a instalar a sede do CNPGC nesta fazenda, incorporando-se, à esta infraestrutura, a Fazenda Modelo, de 1.612 ha, no município de Terenos, que pertencia ao antigo Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Oeste – IPEAO.

Encerradas as reformas necessárias, a Unidade foi inaugurada oficialmente em 28 de abril de 1977. 

Estavam presentes nesta cerimônia, registro que muito honra a nossa história: o Presidente da República Ernesto Geisel; o Ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli; o diretor-presidente da Embrapa, Irineu Cabral; os diretores Eliseu Alves, Almiro Blumenshein e Edmundo Gastal; o Governador do Estado do Mato Grosso, Garcia Neto; os senadores Rachid Derzi e Italívio Coelho; o ex-governador Pedro Pedrossian; e o prefeito de Campo Grande Marcelo Miranda, dentre outras autoridades, técnicos, empresários e produtores rurais.

Neste mesmo ano, no dia 11 de outubro, foi sancionada, pelo presidente Geisel, a Lei Complementar nº. 31 para desmembramento do Estado de Mato Grosso do Sul tendo sido o novo Estado instalado em 1º. de janeiro de 1979, passando-se a cidade de Campo Grande à condição de capital.

A Embrapa Gado de Corte passou, então, a consolidar a sua liderança no país, pela coordenação do Programa Nacional de Pesquisa de Gado de Corte da Embrapa, como parte integrante do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária, em cooperação com outras unidades da Embrapa, universidades, institutos de pesquisa, empresas estaduais, empresas e instituições privadas.  

Ao longo destes 50 anos, foram desenvolvidas mais de uma centena de tecnologias as quais, junto das políticas públicas criadas com participação da Unidade, muito contribuíram para a evolução dos sistemas de produção de gado de corte.

Em genética vegetal foram lançados seis cultivares de braquiária (Marandu, Xaraés, Piatã, Tupi, Paiaguás e Ibyporã), seis de panicum (Tanzânia, Mombaça, Massai, Zuri, Tamania e Quênia) e dois de estilosantes (Multilinha Campo Grande e Estilosantes Bela). Para se ter uma ideia do alcance destes trabalhos, o primeiro cultivar, Marandu, também conhecido por Braquiarão, lançado em 1984, ocupa, atualmente, mais de 40 milhões de ha de pastagens! Em sistemas exclusivos de pecuária, esses cultivares compõem 80% das pastagens cultivadas, tendo a capacidade média de suporte sido, praticamente, triplicada. Os trabalhos nesta linha continuam com uso dos mais modernos recursos da genômica e de técnicas de hibridação.

Em genética animal, a Embrapa Gado de Corte, em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), foi pioneira, em todo o hemisfério sul, no lançamento dos Sumários de Touros. O primeiro deles foi publicado em 1984, seguindo-se outras tecnologias e serviços de grande impacto, tais como o Programa de Avaliação de Touros Jovens (ATJ) e o Programa de Melhoramento Genético Embrapa-Geneplus. Este programa atende, atualmente, 580 rebanhos de todo o país, exceto Amapá e Roraima, envolvendo 13 raças zebuínas, taurinas, compostas e búfalo. Da mesma forma, como na área de pastagens, os programas de melhoramento continuam a evoluir, com avanços marcantes proporcionados pelas avaliações genômicas e monitoramento de novas características de importância econômica.

Com o objetivo de manter ganhos satisfatórios dos animais ao longo do ano e eliminando o efeito danoso da época da seca sobre o desempenho dos animais a pasto, as pesquisas em nutrição animal proporcionaram uma verdadeira revolução nas práticas de suplementação mineral, proteica e energética, prontamente assimiladas pela cadeia produtiva, e que estimularam a criação de inúmeras empresas produtoras destes insumos. Os trabalhos nesta área continuam para o desenvolvimento de estratégias combinadas de suplementação, para melhoria da regularidade de consumo e maior eficiência de uso dos suplementos, através do controle da palatabilidade, bem como do processo de conversão e eficiência alimentar.

Na área de saúde animal, foram desenvolvidos e lançados o controle estratégico de verminose, o controle biológico da mosca dos chifres, bem como práticas integradas de controle da mosca dos estábulos e do carrapato do boi. No momento, os trabalhos nesta área evoluem para o desenvolvimento de testes de diagnóstico de doenças e de vacinas, bem como para o conceito de Saúde Única.

A Unidade foi também pioneira no desenvolvimento do Programa Boas Práticas Agropecuárias – Bovinos de Corte – BPA, lançado em 2005, e dos sistemas de produção de pecuária de baixo carbono, com o lançamento da primeira equação matemática de predição da emissão de metano e do desenvolvimento dos protocolos e marcas-conceito Carne Carbono Neutro (CCN) e Carne Baixo Carbono (CBC). Na Pecuária Digital, como forma de democratização do uso de tecnologias de ponta e de elevado alcance, destaca-se a criação de aplicativos móveis para as áreas de socioeconomia, envolvendo aspectos de custos e planejamento; genética animal, com os sumários eletrônicos de touros para diversas raças bovinas; e pastagens, a exemplo do Aplicativo Pasto-Certo, campeão de downloads em nossa Unidade.

Postas em prática pelo setor produtivo, estas tecnologias, com apoio de políticas públicas adequadas, proporcionaram ao Brasil sair da condição de importador, na época de criação da Embrapa, para a de maior exportador mundial de carne bovina, posição que vem sendo mantida desde 2004, depois de garantir o abastecimento do mercado interno que consome cerca de 70% da produção.

Naturalmente, esta não foi uma conquista exclusiva da Embrapa, mas, sim, da cadeia produtiva como um todo, a partir do trabalho do homem do campo, mas com um insumo extra essencial: ciência e tecnologia!

O impacto do uso destas tecnologias pelo setor produtivo pode ser ilustrado pelo Balanço Social que a Embrapa realiza, anualmente.

Em 2024, considerando-se a aplicação de apenas sete das tecnologias geradas (capins Marandu, Mombaça, Massai, Piatã; Integração Lavoura-Pecuária-Floresta no estado de Mato Grossos do Sul; Estratégias para recuperação de pastagens degradas no cerrado; e touros Nelore geneticamente superiores do Programa Embrapa-Geneplus), apurou-se um impacto da ordem de 14,1 bilhões de reais, representando 13% do Balanço Social da Embrapa. Neste balanço, para cada real investido na Embrapa Gado de Corte foi estimado um retorno de cento e dezesseis reais e quarenta e sete centavos para a sociedade!

Atualmente, a infraestrutura da Embrapa Gado de Corte dispõe de 4.693 ha, na Sede e na Fazenda Modelo. Para suporte dos trabalhos de pesquisa dispõe-se de 2.565 bovinos, 34 laboratórios e 8 casas de vegetação, com destaque para o Laboratório Multiusuário de Biossegurança para a Pecuária de Corte – BIOPEC, um dos maiores e mais bem equipados, deste nível, na América Latina, para pesquisa de doenças provocadas por patógenos de elevado risco.

Com uma equipe de 190 colaboradores, sendo 49 pesquisadores, distribuídos nos Grupos de Pesquisa Animal, Vegetal e de Sistemas de Produção; 39 Analistas, 33 Técnicos e 69 Assistentes, a Embrapa Gado de Corte mantém os seus trabalhos de pesquisa com foco em temas prioritários, tais como: agregação de valor, produtividade, sanidade e segurança alimentar, pecuária digital e mudanças climáticas.

Por outro lado, as atividades de transferência de tecnologia são realizadas, de modo especial, tendo em vista o desenvolvimento territorial e a inclusão socioprodutiva, em sintonia com os cenários socioeconômicos e ambientais, em benefício da sociedade brasileira.

Fonte: Embrapa Gado de Corte