{"id":1628,"date":"2022-04-21T08:00:00","date_gmt":"2022-04-21T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=1628"},"modified":"2022-04-18T13:26:55","modified_gmt":"2022-04-18T17:26:55","slug":"artigo-conhecendo-e-manejando-as-pragas-de-raizes-de-milho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/artigo-conhecendo-e-manejando-as-pragas-de-raizes-de-milho\/","title":{"rendered":"Artigo: Conhecendo e manejando as pragas de ra\u00edzes de milho"},"content":{"rendered":"\n<p>As plantas de milho podem ser atacadas por pragas iniciais que ocorrem desde a germina\u00e7\u00e3o das sementes e emerg\u00eancia das plantas at\u00e9 a fase de pl\u00e2ntulas. Os problemas se iniciam com lagartas presentes na cobertura a ser dessecada para a semeadura do milho, seguidas pelos insetos de solo que atacam as sementes e as ra\u00edzes e, posteriormente, pelas pragas de superf\u00edcie que atacam especialmente as pl\u00e2ntulas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pragas de sementes e ra\u00edzes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As pragas que atacam as sementes e ra\u00edzes do milho s\u00e3o geralmente insetos subterr\u00e2neos pertencentes a diferentes grupos taxon\u00f4micos, sendo Coleoptera e Hemiptera as duas principais ordens que abrangem este complexo de organismos. Esse grupo de pragas apresenta, normalmente, uma forte associa\u00e7\u00e3o com o solo onde ocorre e pode destruir as sementes ou as ra\u00edzes, afetando negativamente o estabelecimento do estande, o vigor, o desenvolvimento das plantas e, consequentemente, a produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na regi\u00e3o Centro-Oeste, dentre as pragas que atacam as ra\u00edzes, destacam-se as larvas subterr\u00e2neas riz\u00f3fagas de besouros melolont\u00eddeos, tamb\u00e9m denominados de cor\u00f3s, bicho-bolo ou p\u00e3o-de-galinha, a larva-alfinete e os percevejos castanho-da-raiz, os quais, embora possam ocorrer durante todo o ciclo da cultura, causam danos mais severos nos est\u00e1dios iniciais de desenvolvimento das plantas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Cor\u00f3s riz\u00f3fagos<\/em>: S\u00e3o larvas de cole\u00f3pteros da fam\u00edlia Melolonthidae que se alimentam das ra\u00edzes do milho e que apresentam corpo de colora\u00e7\u00e3o branca, tr\u00eas pares de pernas tor\u00e1cicas e posicionam-se no formato de U, quando em repouso. Os danos de cor\u00f3s s\u00e3o causados pelo consumo do sistema radicular, acarretando-se redu\u00e7\u00e3o na capacidade das plantas de absorver \u00e1gua e nutrientes, ingredientes essenciais para o seu desenvolvimento. A intensidade dos danos \u00e9 maior em plantas jovens, cultivadas em solos de baixa fertilidade, com camadas adensadas e sob condi\u00e7\u00f5es de d\u00e9ficit h\u00eddrico. As plantas atacadas por cor\u00f3s apresentam desenvolvimento inicial reduzido, seguido por amarelecimento, murcha e morte, podendo esses sintomas ocorrer em grandes reboleiras distribu\u00eddas irregularmente nas lavouras. Em condi\u00e7\u00f5es de alta infesta\u00e7\u00e3o de cor\u00f3s no solo, pode ocorrer at\u00e9 100% de perda da lavoura, especialmente quando a presen\u00e7a de larvas mais desenvolvidas coincide com a fase inicial de desenvolvimento das plantas de milho.<\/p>\n\n\n\n<p>As esp\u00e9cies de cor\u00f3s&nbsp;<em>Liogenys suturalis<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Phyllophaga cuyabana<\/em>&nbsp;apresentam uma gera\u00e7\u00e3o\/ano (univoltino) e que, tradicionalmente, ocorre nas lavouras de milho do Rio Grande do Sul, Paran\u00e1, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goi\u00e1s.&nbsp;<em>P<\/em><em>.<\/em><em>&nbsp;cuyabana<\/em>&nbsp;\u00e9 uma esp\u00e9cie que pode causar danos tanto no milho como na soja, enquanto que&nbsp;<em>L. suturalis<\/em>&nbsp;est\u00e1 associado somente a gram\u00edneas como milho, trigo e aveia. As revoadas de adultos dessas esp\u00e9cies ocorrem durante os meses de setembro a novembro. Ap\u00f3s o acasalamento, os ovos s\u00e3o colocados no solo, onde ocorre o completo desenvolvimento das fases imaturas do inseto. As larvas apresentam tr\u00eas est\u00e1gios de desenvolvimento (instares) e, no final do terceiro est\u00e1gio, entram no est\u00e1gio de pr\u00e9-pupa, quando n\u00e3o mais se alimentam e apresentam baixa mobilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos estados de Goi\u00e1s e Mato Grosso, tem-se tamb\u00e9m constatada a esp\u00e9cie de cor\u00f3&nbsp;<em>Liogenys fusca<\/em>&nbsp;que apresenta grande potencial de danos tanto em milho como na soja. Nas semeaduras tardias ou no caso do cultivo do milho \u201csafrinha\u201d os danos s\u00e3o maiores, uma vez que neste per\u00edodo h\u00e1 predom\u00ednio de larvas de 2<sup>o<\/sup>&nbsp;e 3<sup>o<\/sup>&nbsp;instares que s\u00e3o mais vorazes. Outras esp\u00e9cies de cor\u00f3s de menor import\u00e2ncia econ\u00f4mica como&nbsp;<em>Diloboderus abderus&nbsp;<\/em>ou&nbsp;<em>Cyclocephala&nbsp;<\/em>sp. podem, eventualmente, serem observadas em associa\u00e7\u00e3o com o milho, em especial na regi\u00e3o sul do Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Percevejos castanho-da-raiz<\/em>: No Brasil, h\u00e1 registros da ocorr\u00eancia de percevejo castanho em v\u00e1rios estados brasileiros, embora tenha uma incid\u00eancia mais acentuada na regi\u00e3o dos Cerrados. O ataque desses insetos ocorre, normalmente, em grandes reboleiras nos cultivos de milho, sendo observados focos de infesta\u00e7\u00e3o de at\u00e9 70 hectares. Os danos s\u00e3o decorrentes da suc\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da seiva nas ra\u00edzes, o que pode levar ao enfraquecimento ou at\u00e9 mesmo a morte das plantas. As diferentes esp\u00e9cies de plantas hospedeiras que o percevejo castanho-da-raiz se alimenta apresentam graus diferenciados de suscetibilidade ao seu ataque. \u00c1vila et al. (2009) constataram que o algodoeiro foi a esp\u00e9cie mais suscet\u00edvel \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>S. castanea<\/em>, seguido pela soja, milho, sorgo e arroz. Esses percevejos predominam em solos arenosos, especialmente naqueles com pastagem degradada. Os sintomas de ataque nas plantas dependem da intensidade e da \u00e9poca de ocorr\u00eancia da praga na cultura, variando do murchamento e amarelecimento das folhas a um subdesenvolvimento e secamento da planta, podendo causar acentuadas perdas da lavoura.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a dos percevejos castanho-da-raiz nas lavouras \u00e9 facilmente reconhecida pelo forte cheiro que estes insetos exalam quando o solo \u00e9 movimentado nas \u00e1reas infestadas. No Brasil, as principais esp\u00e9cies de percevejo castanho associado \u00e0 cultura do milho s\u00e3o&nbsp;<em>Scaptocoris castanea<\/em>,&nbsp;<em>S. carvalhoi&nbsp;<\/em>e&nbsp;<em>S. buckupi<\/em>. \u00c1vila et al. (2009) constataram que no estado de Mato Grosso do Sul ocorre, pelo menos, duas esp\u00e9cies de percevejos castanho, sendo elas&nbsp;<em>Scaptocoris castanea<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>S. carvalhoi.<\/em>&nbsp;No estado de Goi\u00e1s, as revoadas dessa praga iniciam-se no per\u00edodo chuvoso durante o m\u00eas de novembro e persistem at\u00e9 mar\u00e7o, per\u00edodo em que h\u00e1 predomin\u00e2ncia de adultos no solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante per\u00edodos do ano de maior umidade, este inseto permanece nas camadas mais superficiais do solo, mas, em condi\u00e7\u00f5es mais secas, ele se desloca para camadas inferiores chegando a profundidades al\u00e9m de 1,5 m.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Larva-alfinete<\/em>: \u00c0 semelhan\u00e7a do cor\u00f3, a larva-alfinete, da esp\u00e9cie&nbsp;<em>Diabrotica speciosa<\/em>, alimenta-se das ra\u00edzes do milho. As larvas dessa praga s\u00e3o de colora\u00e7\u00e3o esbranqui\u00e7ada, por\u00e9m apresentam, na cabe\u00e7a e na placa anal, uma mancha esclerotizada de colora\u00e7\u00e3o pardo-escura ou preta. Essas larvas alimentam-se especialmente das ra\u00edzes advent\u00edcias. A perda dessas ra\u00edzes reduz a capacidade da planta de absorver \u00e1gua e nutrientes, tornando-as menos produtivas, com defici\u00eancia h\u00eddrica bem como mais suscet\u00edveis a doen\u00e7as e ao tombamento. As plantas ca\u00eddas ficam com um aspecto recurvado, caracterizando o sintoma conhecido como \u201cpesco\u00e7o de ganso\u201d. Embora essas plantas, por ocasi\u00e3o da colheita, possam conter espigas de milho desenvolvidas, estas geralmente n\u00e3o s\u00e3o colhidas pela plataforma da colhedeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Manejo das pragas que atacam as ra\u00edzes do milho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para que o controle de pragas que atacam a parte subterr\u00e2nea das plantas de milho seja efetivo, \u00e9 necess\u00e1rio fazer o monitoramento preciso desse grupo de pragas antes mesmo da instala\u00e7\u00e3o da lavoura, uma vez que todas as t\u00e1ticas de controle a serem implementadas s\u00e3o preventivas. Tanto para o manejo de cor\u00f3s como do percevejo-castanho, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia a realiza\u00e7\u00e3o de amostragens no solo, visando avaliar as esp\u00e9cies presentes, o seu n\u00edvel populacional e os est\u00e1dios de desenvolvimento predominante desses insetos. J\u00e1 no caso da larva-alfinete, a presen\u00e7a de adultos na \u00e1rea ou de cultivos adjacentes onde o inseto utiliza como hospedeiros s\u00e3o fortes ind\u00edcios de que essa praga estar\u00e1 presente no solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as t\u00e9cnicas que podem ser utilizadas para o controle de cor\u00f3s e percevejos castanho destacam-se: manipula\u00e7\u00e3o da \u00e9poca de semeadura, preparo do solo com implementos adequados e aplica\u00e7\u00e3o de inseticidas nas sementes ou em pulveriza\u00e7\u00e3o no sulco de semeadura. Como os adultos dos cor\u00f3s apresentam normalmente forte atra\u00e7\u00e3o pela luz, o uso de armadilhas luminosas durante o per\u00edodo de emerg\u00eancia dos insetos do solo pode capturar um n\u00famero expressivo de adultos durante a noite e, assim, contribuir para reduzir a sua infesta\u00e7\u00e3o nos cultivos subsequentes. A aplica\u00e7\u00e3o de inseticidas nas sementes e no sulco de semeadura do milho constitui alternativa promissora para o manejo de cor\u00f3s na cultura do milho, especialmente em sistemas conservacionistas, como o sistema de plantio direto. J\u00e1 no caso do percevejo-castanho, inseticidas aplicados nas sementes n\u00e3o se t\u00eam mostrado uma t\u00e1tica eficiente. Todavia, a pulveriza\u00e7\u00e3o no sulco de plantio com inseticidas qu\u00edmicos, especialmente quando o percevejo est\u00e1 localizado pr\u00f3ximo da superf\u00edcie do solo, pode proporcionar um bom controle da praga, dependendo do produto e da dose empregada. Em trabalhos realizados com coberturas vegetais, no estado de Mato Grosso, no per\u00edodo de entressafra, observou-se redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o do percevejo castanho na cobertura contendo crotal\u00e1ria,&nbsp;<em>Crotalaria spectabilis<\/em>, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1reas com plantio de milheto, sorgo, braqui\u00e1ria. O controle biol\u00f3gico do percevejo-castanho empregando-se fungos entomopatog\u00eanicos pode ser, tamb\u00e9m, uma alternativa promissora. Xavier e \u00c1vila (2006) identificaram quatro isolados de&nbsp;<em>Metarhizium anisopliae,<\/em>&nbsp;que proporcionaram n\u00edveis de controle de&nbsp;<em>S. carvalhoi&nbsp;<\/em>superior a 80%, em condi\u00e7\u00f5es de laborat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O controle qu\u00edmico de larvas de vaquinha deve tamb\u00e9m ser preventivo. No entanto, o tratamento das sementes com inseticidas normalmente n\u00e3o protege o sistema radicular do milho do ataque da larva de vaquinha. Isso acontece porque no per\u00edodo em que as larvas causam danos no milho (mais que 30 dias da emerg\u00eancia), as plantas j\u00e1 n\u00e3o apresentam efeito residual dos produtos aplicados nas sementes. Alguns inseticidas, quando aplicados em pulveriza\u00e7\u00e3o no sulco de semeadura, t\u00eam-se mostrado eficazes no controle de larvas de vaquinha na cultura do milho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cr\u00e9bio Jos\u00e9 \u00c1vila\u00a0(Pesquisador da Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste)<\/strong><br>Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Embrapa<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/article-6.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"1630\" data-full-url=\"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/article-6.jpeg\" data-link=\"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/?attachment_id=1630\" class=\"wp-image-1630\" srcset=\"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/article-6.jpeg 640w, https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/article-6-300x225.jpeg 300w, https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/article-6-600x450.jpeg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/article-7.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"1631\" data-full-url=\"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/article-7.jpeg\" data-link=\"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/?attachment_id=1631\" class=\"wp-image-1631\" srcset=\"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/article-7.jpeg 640w, https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/article-7-300x225.jpeg 300w, https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/article-7-600x450.jpeg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As plantas de milho podem ser atacadas por pragas iniciais que ocorrem desde a germina\u00e7\u00e3o das sementes e emerg\u00eancia das plantas at\u00e9 a fase de pl\u00e2ntulas. 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