{"id":1902,"date":"2023-08-21T11:22:05","date_gmt":"2023-08-21T15:22:05","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=1902"},"modified":"2023-08-21T11:22:07","modified_gmt":"2023-08-21T15:22:07","slug":"mato-grosso-do-sul-tem-potencial-para-irrigacao-agricola-em-24-milhoes-de-hectares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/mato-grosso-do-sul-tem-potencial-para-irrigacao-agricola-em-24-milhoes-de-hectares\/","title":{"rendered":"Mato Grosso do Sul tem potencial para irriga\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em 2,4 milh\u00f5es de hectares"},"content":{"rendered":"\n<p>O Painel &#8220;Caracter\u00edsticas do clima, potencial e desafios do uso de irriga\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de expans\u00e3o e de intensifica\u00e7\u00e3o&#8221;, no II Simp\u00f3sio de Sistemas Intensivos de Produ\u00e7\u00e3o, no \u00faltimo dia de evento, em 17 de agosto, em Campo Grande, MS. O objetivo foi mostrar que, apesar de o clima ser um fator penalizador da agropecu\u00e1ria em alguns momentos, devido a intemp\u00e9ries, o produtor rural possui algumas metodologias a seu favor, como a irriga\u00e7\u00e3o, o Sistema Plantio Direto e a Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>O moderador do Painel foi o pesquisador Danilton Luiz Flumignan, da Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste, disse que a agropecu\u00e1ria \u00e9 uma empresa a c\u00e9u aberto. &#8220;Precisamos ter conhecimento de como tudo acontece para tomar a melhor decis\u00e3o e convivermos bem com as adversidades clim\u00e1ticas&#8221;, disse Flugminan. Segundo ele, Mato Grosso do Sul tem a seu favor o alto potecial para irriga\u00e7\u00e3o. &#8220;S\u00e3o 2,4 milh\u00f5es de hectares. O potencial de irriga\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 sub-utilizado, mas est\u00e1 come\u00e7ando uma nova din\u00e2mica. Ainda existe o conceito de que a agricultura &#8216;estraga&#8217; a \u00e1gua e \u00e9 um conceito extremamente equivocado&#8221;, afirmou o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro palestrante deste dia foi o pesquisador Jos\u00e9 Renato Bou\u00e7as Farias, da Embrapa Soja, com o tema &#8220;Desafios clim\u00e1ticos para a intensifica\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria&#8221;. De acordo com ele, o foco sempre \u00e9 produtividade, n\u00e3o somente em termos em kg\/ha, mas tamb\u00e9m em rentabilidade. &#8220;Para isso, todo o sistema de produ\u00e7\u00e3o se alicer\u00e7a em tr\u00eas pilares, que s\u00e3o interligados e altamente din\u00e2micos: planta, ambiente (fisico, quimicos, biol\u00f3gicos &#8211; bi\u00f3ticos e abi\u00f3ticos) e homem (o grande catalisador do sistema para torn\u00e1-lo cada vez mais sustent\u00e1vel e rent\u00e1vel)&#8221;, afirmou Bou\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador comentou que, quando favor\u00e1vel, ningu\u00e9m nota o clima, mas quando h\u00e1 adversidade clim\u00e1tica, ele \u00e9 o grande penalizador do rendimento. &#8220;Sua grande variabilidade e imprevisibilidade a longo prazo \u00e9 impactante&#8221;. As mudan\u00e7as promovem grande altera\u00e7\u00e3o na fenologia, no ciclo da cultura agr\u00edcola, no aumento ou diminui\u00e7\u00e3o de pragas e doen\u00e7as, afeta as necessidades h\u00eddricas das plantas, muda at\u00e9 mesmo a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da cultura (Zarc), podendo inviabilizar uma cultura em determinada regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia de como as adversidades clim\u00e1ticas afetam a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, o Brasil deixou de vender 22 milh\u00f5es de toneladas de soja, porque o gr\u00e3o n\u00e3o se desenvolveu devido \u00e0 falta de \u00e1gua, na safra de 2021\/22 &#8211; somando os estados do Paran\u00e1 e Rio Grande do Sul, a perda foi de US$ 25 bilh\u00f5es. &#8220;Se n\u00e3o tem soja, n\u00e3o tem su\u00edno, frango, ovo. N\u00e3o vende m\u00e1quina, apartamento, caminhonete\u2026 tudo em fun\u00e7\u00e3o da falta de \u00e1gua. O maior efeito, no final, \u00e9 sobre quantidade e qualidade da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas safras, houve quebras acentuadas na produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os em v\u00e1rias regi\u00f5es do Brasil, o que traz impacto para toda a sociedade, para todo o Pa\u00eds&#8221;, pontuou Bou\u00e7as.<br> Para amenizar o problema da redu\u00e7\u00e3o da disponibilidade de \u00e1gua e m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o das chuvas durante o ano, \u00e9 poss\u00edvel realizar algumas a\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o para ajustar o sistema produtivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele citou v\u00e1rias formas, como preserva\u00e7\u00e3o de nascentes, rios e margens dos rios; pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o de solo e \u00e1gua, como terra\u00e7os e curva de n\u00edvel; rota\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o de culturas, Sistema Plantio Direto; sistemas integrados de produ\u00e7\u00e3o (como ILP e ILPF); ajuste fitot\u00e9cnico; respeito ao Zoneamento Agr\u00edcola de Avalia\u00e7\u00e3o de Risco Clim\u00e1tico (Zarc), que orienta o produtor e os t\u00e9cnicos a planejar melhor o sistema de produ\u00e7\u00e3o; entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gest\u00e3o de riscos<\/strong><br> &#8220;Eventos meteorol\u00f3gicos adversos s\u00e3o a grande fonte de preocupa\u00e7\u00e3o do produtor&#8221;, afirmou o pesquisador Jos\u00e9 Eduardo Monteiro, da Embrapa Agricultura Digital, no mesmo Painel, com a palestra intitulada &#8220;O clima em sistemas intensivos de produ\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados de 2015 mostram que, no Brasil, a perda com gr\u00e3os, na m\u00e9dia, foi de R$ 11 bilh\u00f5es, causados principalmente pelas condi\u00e7\u00f5es adversas. Na safra 2020\/2021, houve atraso na implanta\u00e7\u00e3o na primeira safra, com chuvas bem abaixo da  m\u00e9dia. Consequentemente, atrasaram-se a colheita da soja e a implanta\u00e7\u00e3o da segunda safra, al\u00e9m das geadas recordes em 2021. Com isso, o Brasil perdeu R$ 60 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, a primeira safra foi plantada normalmente, pois teve um in\u00edcio com chuva, por\u00e9m a quantidade de chuva reduziu no momento de desenvolvimento da soja, nos meses de novembro e dezembro, levando a quebras em todo o Centro-Sul do Pa\u00eds; segundo informa\u00e7\u00f5es da CNA, foram R$ 70 bilh\u00f5es em perdas.<\/p>\n\n\n\n<p>A sinistralidade m\u00e9dia do setor rural de 2014 a 2022 totalizou 87% &#8211; hist\u00f3rico elevado, j\u00e1 que o valor de equil\u00edbrio \u00e9 at\u00e9 65%. De acordo com Monteiro, o seguro rural n\u00e3o chega a 20% do mercado nacional da agropecu\u00e1ria Brasil. &#8220;\u00c9 um problema de Estado [governo federal] para o Pa\u00eds, sendo o setor rural t\u00e3o importante para a economia brasileira. Mais do que nunca, temos que falar de gest\u00e3o de riscos clim\u00e1ticos na agricultura, e o Brasil n\u00e3o possui essa gest\u00e3o em sua maioria. Agora, estamos sendo for\u00e7ados a prestar mais aten\u00e7\u00e3o nisso&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Para realizar a gest\u00e3o de riscos, o pesquisador falou que \u00e9 necess\u00e1rio realizar a avalia\u00e7\u00e3o de riscos (identifica\u00e7\u00e3o, probabilidade, severidade &#8211; saber onde, quando, qual cultura, frequ\u00eancia, qual o grau de severidade); fazer o monitoramento de resultados para, em seguida, concluir a gest\u00e3o com o tratamento dos riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>O produtor e o t\u00e9cnico podem usar a seu favor o Zarc, que existe para mais de 40 culturas, diferentes ciclos, para 3 a 6 tipos de solos, em todo o territ\u00f3rio brasileiro, durante o ano todo. Est\u00e1 dispon\u00edvel no site do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa), no Painel de Indicadores de Riscos ou pelo app Painel de Indica\u00e7\u00e3o de Riscos (Android e iOS).<\/p>\n\n\n\n<p>Para o tratamento de risco, algumas estrat\u00e9gias podem ser adotadas, como transferir o risco (seguro rural &#8211; seguradora ou ProAgro); mudar \u00e9poca de plantio pode ser estrat\u00e9gia b\u00e1sica de escape; manejo aprimorado do solo; uso de cultivares adaptadas; pr\u00e1ticas culturais; cultivo protegido; reduzir impacto com irriga\u00e7\u00e3o; entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Irriga\u00e7\u00e3o<\/strong><br> Marcelo Dutra, supervisor comercial da Cooperativa Agr\u00edcola Sul-Mato-Grossense (Copasul), falou sobre a implanta\u00e7\u00e3o da irriga\u00e7\u00e3o. &#8220;Estamos no processo de fomento \u00e0 irriga\u00e7\u00e3o h\u00e1 oito anos [na cooperativa]. Estamos num momento de mudan\u00e7a de paradigma. A irriga\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 realidade e tem prioridade neste momento&#8221;, garante.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele citou diferentes modelos de irriga\u00e7\u00e3o: piv\u00f4 central na agricultura, jardins, climatiza\u00e7\u00e3o, campos de futebol, aspersores na pecu\u00e1ria para maior conforto animal e na minera\u00e7\u00e3o para diminui\u00e7\u00e3o de poeira.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da agricultura, Dutra enfatizou a import\u00e2ncia de se construir um projeto. &#8220;\u00c9 elaborar a melhor solu\u00e7\u00e3o de engenharia que atenda \u00e0 necessidade e \u00e0 expectativa do investidor, oferecendo a melhor rela\u00e7\u00e3o de custo-beneficio em fun\u00e7\u00e3o dos recursos e condi\u00e7\u00f5es existentes. Tem que ser feita a gest\u00e3o do projeto&#8221;, explicou o supervisor comercial da Copasul. \u00c9 complexo e leva v\u00e1rios aspectos em considera\u00e7\u00e3o: conhecimento da \u00e1rea, viabilidade h\u00eddrica, layout com o propriet\u00e1rio, energia, regulariza\u00e7\u00f5es, licen\u00e7a e implanta\u00e7\u00e3o que \u00e9 a parte final do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Contando a \u00e1rea de todos os cooperados da Copasul, h\u00e1 uma \u00e1rea de 30 mil hectares de irriga\u00e7\u00e3o instalada em Mato Grosso do Sul. &#8220;A irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 uma realidade. Estamos maduros o suficiente para realizar a implanta\u00e7\u00e3o&#8221;, acredita ele.<\/p>\n\n\n\n<p>O produtor rural de Nova Andradina, Paulo Eduardo Lima, \u00e9 irrigante desde 2011, e preside a Associa\u00e7\u00e3o dos Irrigantes do Estado de Mato Grosso do Sul (AIEMS), fundada em 2017. A associa\u00e7\u00e3o conta com 26 produtores irrigantes com piv\u00f4 central e aspers\u00e3o. Alguns utilizam a irriga\u00e7\u00e3o subterr\u00e2nea, mas ainda \u00e9 incipiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Lima pontuou algumas vantagens da irriga\u00e7\u00e3o para o produtor: maior estabilidade de produ\u00e7\u00e3o, maior produtividade e lucratividade, assertividade da janela de plantio, planejamento e execu\u00e7\u00e3o do processo produtivo, \u00e9 ter certeza dos seus investimentos e retorno. Entre os desafios est\u00e3o custo de implanta\u00e7\u00e3o (elevado), adequa\u00e7\u00e3o da fertilidade e da uniformidade do solo, despesa mensal (energia ou combust\u00edvel), trabalho operacional mais elevado e t\u00e9cnico porque vai trabalhar com tecnologia de ponta, falta de profissionais qualificados que trabalham na lavoura com irriga\u00e7\u00e3o em MS, eros\u00e3o no rastro em \u00e1reas de declividade; juros e linhas de cr\u00e9dito, e incentivos fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior gargalo para a expans\u00e3o da irriga\u00e7\u00e3o em MS \u00e9 a energia el\u00e9trica. Lima conta que falta e demora a chegada de energia el\u00e9trica para a irriga\u00e7\u00e3o. &#8220;S\u00e3o poucas redes de distribui\u00e7\u00e3o el\u00e9trica e, as que existem, s\u00e3o de baixa carga. A falta de energia el\u00e9trica eleva os custos. T\u00eam fazendas com tr\u00eas anos usando motor a diesel por falta de energia el\u00e9trica&#8221;, contou o produtor irrigante.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema de produ\u00e7\u00e3o vai depender da din\u00e2mica da propriedade; de tecnologias adaptadas para irriga\u00e7\u00e3o, como cultivares responsivas para \u00e1reas irrigadas; possibilidade de aduba\u00e7\u00e3o l\u00edquida; treinamento de equipes; mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 press\u00e3o de doen\u00e7as que \u00e9 maior. &#8220;Fazendo tudo certo, a irriga\u00e7\u00e3o vai ser a cereja do bolo no sistema de produ\u00e7\u00e3o.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele deu alguns exemplos de resultados de irriga\u00e7\u00e3o em soja. Na Fazenda Santa F\u00e9, no munic\u00edpio de Laguna Carap\u00e3, os piv\u00f4s est\u00e3o na \u00e1rea mais argilosa. A m\u00e9dia de produtividade da soja nos \u00faltimos cinco anos, na \u00e1rea de irrigado foi de 84,2 sc\/ha; no sequeiro, a m\u00e9dia caiu para 55 sc\/ha. Na \u00e1rea da fazenda do presidente da AIEMS, em Nova Andradina, 80% da \u00e1rea \u00e9 irrigada e possui 20% de argila &#8211; a soja irrigada rendeu 78,8 sc\/ha, enquanto no sequeiro a produtividade foi menor: 54,2 sc\/ha no sequeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Unidades da Embrapa &#8211;<\/strong> Presentes neste primeiro dia, fazem parte da equipe Embrapa: Agropecu\u00e1ria Oeste, Agricultura Digital, Algod\u00e3o, Arroz e Feij\u00e3o, Gado de Corte, Soja, Solos, Territorial e Trigo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SIP 2023 &#8211;<\/strong> O Simp\u00f3sio tem apoio da Ampasul, Aprosoja, Sistema Famasul, Senar-MS, Uems, Governo de Mato Grosso do Sul (Semadesc), Sistema OCB\/MS e Agoro Carbon Alliance, com patroc\u00ednio da Bayer, CHD&#8217;s Brasil, Sicredi, Rede ILPF e Syngenta.<br> Informa\u00e7\u00f5es &#8211; sip2023@industriadeeventos.com.br e +55 65 98114-0400<br> Contatos para a imprensa: 67 9926-5620 e 9942-3787 (WhatsApp)<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Embrapa<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00edlvia Zoche Borges<\/strong> (DRT-MG 08223)<br> Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contatos para a imprensa<\/strong><br>agropecuaria-oeste.imprensa@embrapa.br<br><strong>Telefone:<\/strong> 6734169742<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Painel &#8220;Caracter\u00edsticas do clima, potencial e desafios do uso de irriga\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de expans\u00e3o e de intensifica\u00e7\u00e3o&#8221;, no II Simp\u00f3sio de Sistemas Intensivos de Produ\u00e7\u00e3o, no \u00faltimo dia de evento, em 17 de agosto, em Campo Grande, MS. 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