{"id":2238,"date":"2023-11-10T14:36:25","date_gmt":"2023-11-10T18:36:25","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=2238"},"modified":"2023-11-10T14:36:26","modified_gmt":"2023-11-10T18:36:26","slug":"dia-do-trigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/dia-do-trigo\/","title":{"rendered":"Dia do Trigo"},"content":{"rendered":"\n<p>10 de novembro \u00e9 comemorado o Dia do Trigo no Brasil, considerado alimento fundamental para a humanidade. O cereal conta com um cap\u00edtulo especial no livro \u201cBrasil em 50 alimentos\u201d, rec\u00e9m lan\u00e7ado pela Embrapa.<\/p>\n\n\n\n<p>O trigo surgiu, h\u00e1 cerca de 10 mil anos, por meio de cruzamento natural entre gram\u00edneas selvagens, na regi\u00e3o chamada de Crescente F\u00e9rtil, oeste da \u00c1sia, que abarca os territ\u00f3rios de pa\u00edses como S\u00edria, L\u00edbano, Turquia, Iraque e Ir\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>O consumo desse alimento, originalmente, era diferente do atual: do gr\u00e3o torrado no fogo e semelhante a pipoca ou triturado grosseiramente e cozido, passou, tamb\u00e9m, a ser consumido na forma de uma massa fina e achatada assada sobre pedras quentes (precursor do p\u00e3o e do biscoito modernos). Posteriormente, com a descoberta da fermenta\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica (atribu\u00edda ao acaso), associada ao desenvolvimento de t\u00e9cnicas de moagem mais aprimoradas, os p\u00e3es primitivos passaram a ter melhor palatabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e estrutura do gr\u00e3o de trigo, com predomin\u00e2ncia de carboidratos (74%) e prote\u00ednas (14%) e a possibilidade de separa\u00e7\u00e3o em tr\u00eas componentes principais &#8211; endosperma (83%), farelo (14%) e g\u00e9rmen (3%), configuram esse cereal como mat\u00e9ria-prima de alta versatilidade. Pode ser usado em formula\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas e industriais, tanto para alimenta\u00e7\u00e3o humana quanto animal, na \u00e1rea farmac\u00eautica, como colas no setor de mobili\u00e1rio, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o trigo foi introduzido pelos portugueses, no s\u00e9culo XVI, no centro do Pa\u00eds, destacando-se, na sequ\u00eancia, no Sul, a experi\u00eancia dos a\u00e7orianos (por volta de 1750) e, posteriormente, com as imigra\u00e7\u00f5es alem\u00e3 (1824) e italiana (1875).<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 1980, a produ\u00e7\u00e3o de trigo no Brasil, estava, exclusivamente, concentrada na Regi\u00e3o Sul. Desde ent\u00e3o, apesar de ainda majorit\u00e1rio no Sul, o cultivo avan\u00e7ou para os estados do Brasil Central, bioma Cerrado, Regi\u00e3o Centro-Oeste, consolidando uma triticultura genuinamente tropical. Um novo olhar, atualmente, tem sido voltado aos estados das regi\u00f5es Norte e Nordeste.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Expans\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 50 anos a \u00e1rea cultivada com trigo no Brasil quase duplicou: de 1,6 milh\u00e3o de hectares, em 1973, para 3,1 milh\u00f5es, em 2022. Ressalte-se que, a produ\u00e7\u00e3o neste mesmo per\u00edodo, foi quintuplicada, passando de 1,9 para 9,6 milh\u00f5es de toneladas anuais (suprindo 70% da demanda nacional). Da mesma forma, a produtividade das lavouras atingiu o patamar de 3,1 toneladas por hectare, que correspondente a 2,7 vezes \u00e0 obtida em 1973. O Brasil, atualmente, faz parte do grupo dos pa\u00edses importadores e exportadores de trigo.<\/p>\n\n\n\n<p>A expans\u00e3o territorial da \u00e1rea de cultivo tamb\u00e9m foi expressiva. Em 1973 cinco estados brasileiros apresentaram registro de plantio de trigo (Mato Grosso, Paran\u00e1, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e S\u00e3o Paulo). Atualmente, este n\u00famero subiu para nove estados (Bahia, Goi\u00e1s, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paran\u00e1, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e S\u00e3o Paulo), al\u00e9m do Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da produtividade e da \u00e1rea cultivada com trigo \u00e9 resultado direto da pesquisa agropecu\u00e1ria. Destacando-se a cria\u00e7\u00e3o de novas cultivares mais bem adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas nacionais; o desenvolvimento de m\u00e9todos mais eficientes de controle de pragas e doen\u00e7as; o aprimoramento do sistema de rota\u00e7\u00e3o de culturas com t\u00e9cnicas que propiciaram melhorias na qualidade do solo; a intera\u00e7\u00e3o com os diferentes elos do complexo agroindustrial do trigo por meio de parcerias que visam a assegurar sustentabilidade econ\u00f4mica, social e ambiental, desde o campo at\u00e9 a mesa do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia mundial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso da triticultura brasileira, consolidando o trigo tropical como uma nova fronteira agr\u00edcola, pode ser atribu\u00eddo ao trabalho de equipes multidisciplinares de pesquisadores lotados em cerca de 40 institui\u00e7\u00f5es de pesquisa p\u00fablicas e privadas nacionais. Hoje, o Brasil \u00e9 refer\u00eancia mundial em triticultura tropical.<\/p>\n\n\n\n<p>Para estimular o cultivo e o uso do trigo nacional, o governo estabeleceu, na d\u00e9cada de 1960, medidas protecionistas, como o Decreto-Lei n\u00ba 210, de 27 de fevereiro de 1967, que proibia a comercializa\u00e7\u00e3o de trigo nacional e importado pelo setor privado, e, o Estado, por esse decreto, assumiu a compra e a venda desse cereal.<\/p>\n\n\n\n<p>A internacionaliza\u00e7\u00e3o da economia, no in\u00edcio dos anos 1990, imp\u00f4s um novo desafio para a triticultura brasileira &#8211; a qualidade tecnol\u00f3gica do trigo \u2013 e, com ela, a determina\u00e7\u00e3o do fim da interven\u00e7\u00e3o estatal no complexo agroindustrial do trigo no Brasil. Esta medida trouxe uma s\u00e9rie de amea\u00e7as e oportunidades para a pesquisa brasileira, como a necessidade de estabelecer padr\u00f5es de classifica\u00e7\u00e3o comercial do trigo, a caracteriza\u00e7\u00e3o da qualidade do trigo produzido no Brasil e a inclus\u00e3o da qualidade do trigo como um dos crit\u00e9rios para o melhoramento gen\u00e9tico das cultivares comerciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1973, n\u00e3o era conhecida a qualidade tecnol\u00f3gica do trigo brasileiro. Cinquenta anos depois, todas as cultivares registradas apresentam descri\u00e7\u00e3o de diversas caracter\u00edsticas de qualidade, objetivando atender a demanda de informa\u00e7\u00f5es dos diferentes mercados que utilizam o trigo como mat\u00e9ria prima, seja para a alimenta\u00e7\u00e3o humana, ra\u00e7\u00e3o para animais ou outros usos industriais. Desta forma, depois de superada a barreira da produtividade, a pesquisa brasileira voltou seus esfor\u00e7os para melhorar a qualidade e a liquidez do trigo nacional. Hoje est\u00e3o dispon\u00edveis cultivares para os diferentes usos: panifica\u00e7\u00e3o industrial e caseira, fabrica\u00e7\u00e3o de massas, biscoitos, bolos, pizzas, confeitaria, ind\u00fastria de prote\u00edna animal e biocombust\u00edveis, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Novas fronteiras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 desafios ainda a serem vencidos. Especificamente, para maior expans\u00e3o do trigo na regi\u00e3o tropical, consolidando novas fronteiras agr\u00edcolas no Norte e Nordeste, a supera\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a conhecida por brusone e dos problemas causados por seca e calor. E na regi\u00e3o tradicional de trigo, o Sul do Pa\u00eds, contornar os problemas causados pela doen\u00e7a giberela e pelo excesso de chuva na colheita, que pode ocasionar o in\u00edcio da germina\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os ainda na espiga (antes da colheita).    <\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Embrapa Trigo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>10 de novembro \u00e9 comemorado o Dia do Trigo no Brasil, considerado alimento fundamental para a humanidade. O cereal conta com um cap\u00edtulo especial no livro \u201cBrasil em 50 alimentos\u201d, rec\u00e9m lan\u00e7ado pela Embrapa. 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