{"id":2274,"date":"2023-11-14T08:40:01","date_gmt":"2023-11-14T12:40:01","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=2274"},"modified":"2023-11-14T08:40:02","modified_gmt":"2023-11-14T12:40:02","slug":"pesquisadores-desenvolvem-amora-preta-para-producao-de-geleias-e-sucos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/pesquisadores-desenvolvem-amora-preta-para-producao-de-geleias-e-sucos\/","title":{"rendered":"Pesquisadores desenvolvem amora-preta para produ\u00e7\u00e3o de geleias e sucos"},"content":{"rendered":"\n<p>Desenvolvida com foco no processamento, a amoreira-preta BRS Ticuna chega ao mercado de frutas como op\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de geleias e sucos. O tamanho do fruto \u00e9 atrativo aos olhos, que aliado \u00e0 acidez acentuada faz com que a cultivar ocupe um espa\u00e7o para fins industriais. Um hectare pode render at\u00e9 20 toneladas de frutas, o que a posiciona entre as cultivares mais produtivas e superior ao material de refer\u00eancia, a amoreira BRS Tupy.<\/p>\n\n\n\n<p>A BRS Ticuna \u00e9 uma cultivar de amoreira-preta (blackberry) obtida por hibrida\u00e7\u00e3o controlada, altamente produtiva e testada nos mais variados ambientes e sistemas de cultivo. Foi testada principalmente nos estados da Regi\u00e3o Sul do Pa\u00eds, o que n\u00e3o significa que n\u00e3o tenha adapta\u00e7\u00e3o a outras regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lan\u00e7amento<\/strong><br> Essa novidade da pesquisa agropecu\u00e1ria ser\u00e1 lan\u00e7ada oficialmente na semana de 6 a 10 de novembro de 2023, durante a programa\u00e7\u00e3o do 28\u00ba Congresso Brasileiro de Fruticultura, que ocorre em Pelotas (RS).<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2018, ela vem sendo avaliada pela pesquisa nos Campos de Cima da Serra, numa parceria entre a Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Vacaria (RS), a Embrapa Uva e Vinho e a Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS). O material foi apresentado h\u00e1 um ano aos produtores, para que conhecessem a nova cultivar e tivessem acesso ao material com os parceiros j\u00e1 licenciados para produ\u00e7\u00e3o de mudas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisadora Maria do Carmo Bassols Raseira, coordenadora do projeto que desenvolveu a nova amoreira, a cultivar tem plantas de porte ereto, frutas grandes e colheita mais tardia que a cultivar Brazos. \u201cA sua acidez mais elevada limita a aceita\u00e7\u00e3o para consumo in natura e a direciona para a ind\u00fastria, a qual, logicamente, paga menos em compara\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o obtido no mercado de frutas frescas. Para compensar, \u00e9 importante que a cultivar seja altamente produtiva\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de as frutas n\u00e3o serem comercializadas in natura com facilidade pode desestimular o produtor a plant\u00e1-la, segundo Raseira. Por\u00e9m, ela acredita que, al\u00e9m da produtividade superior, a menor necessidade de tratamentos fitossanit\u00e1rios nessa cultura \u00e9 capaz de compensar economicamente o fruticultor proporcionando melhor retorno.<\/p>\n\n\n\n<p>A BRS Ticuna, como a maioria das cultivares de amora-preta, \u00e9 bastante r\u00fastica, sendo necess\u00e1rio o controle de ferrugem e cuidados com a mosca-das-frutas (Drosophila suzukii). A cientista relata que a cultivar \u00e9 considerada resistente a doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador Rodrigo Franzon, conta que a nova variedade tem caracter\u00edsticas similares \u00e0s de outra amoreira, a Brazos, bastante antiga e introduzida do estado norte-americano do Texas. \u201cA BRS Ticuna \u00e9 mais produtiva, produz frutas mais firmes e apresenta menor revers\u00e3o de cor das frutas ap\u00f3s a colheita\u201d, compara o cientista.<\/p>\n\n\n\n<p>O especialista revela que a maior contribui\u00e7\u00e3o desse material ao mercado industrial \u00e9 a acidez elevada do fruto, desej\u00e1vel para o processamento. \u201cIsso diminui a necessidade de corrigir a acidez por meio de aditivos\u201d, detalha Franzon.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um dos produtores que testaram a cultivar de amoreira, ela se destacou pela sua produtividade. \u201cEla produz entre 20% a 30% a mais que as outras variedades BRS Tupi, BRS Caiguangue e BRS Guarani e tantas outras que se tem a disposi\u00e7\u00e3o\u201d, relata o fruticultor Roque Casset.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Oportunidade para produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica<\/strong><br> Raseira aponta oportunidades para a cultivar, como o seu direcionamento para produ\u00e7\u00e3o de doces, principalmente geleias e chimias, sem a necessidade de adi\u00e7\u00e3o de \u00e1cidos. \u201cAl\u00e9m disso, h\u00e1 a possibilidade de cultivo no sistema org\u00e2nico\u201d, refor\u00e7a, indicando que a cultivar \u00e9 adequada a uma produ\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel, por ser um alimento mais limpo e de maior qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A industrializa\u00e7\u00e3o da amora \u00e9 bastante utilizada devido ao baixo per\u00edodo de conserva\u00e7\u00e3o da fruta, e mesmo produtores de frutas para o mercado in natura destinam parte da produ\u00e7\u00e3o para a industrializa\u00e7\u00e3o, em per\u00edodos de picos de safra.<\/p>\n\n\n\n<p>O pre\u00e7o m\u00e9dio pago ao produtor varia em fun\u00e7\u00e3o da \u00e9poca de produ\u00e7\u00e3o e da forma de comercializa\u00e7\u00e3o. A ind\u00fastria, dependendo da regi\u00e3o do Pa\u00eds, paga ao produtor entre R$ 4,50 e R$ 6 por quilo. Se a fruta for congelada esse valor varia entre R$ 8 e R$ 15; contudo, em \u00e1reas pr\u00f3ximas a grandes centros consumidores, o valor pode chegar a at\u00e9 R$ 20 por quilo de amora produzido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amora-preta no Brasil e no mundo<\/strong><br> Os dados referentes ao mercado de amora-preta no Brasil n\u00e3o s\u00e3o precisos. Em 2014, havia uma \u00e1rea plantada superior a 500 hectares (ha) e, atualmente, estima-se uma \u00e1rea superior a 1,2 mil ha e em expans\u00e3o, de acordo com informa\u00e7\u00f5es coletadas com os produtores do Sul e Sudeste.<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura est\u00e1 ocupando, por exemplo, \u00e1reas de altitude na Regi\u00e3o Nordeste, como a Chapada Diamantina, na Bahia, regi\u00e3o n\u00e3o tradicional de cultivo. Sua produ\u00e7\u00e3o tem maior destaque no Rio Grande do Sul, onde tamb\u00e9m \u00e9 tradicional a ind\u00fastria de doces e conservas, exatamente o nicho da nova cultivar.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dados atualizados sobre a produ\u00e7\u00e3o de amora-preta no mundo. Os dados mais recentes s\u00e3o de 2007, segundo os quais a produ\u00e7\u00e3o mundial de amora-preta, em 2005, ocupou 20 mil hectares, sendo 7,7 mil ha cultivados na Europa, 7,2 mil ha na Am\u00e9rica do Norte, 1,6 mil ha na Am\u00e9rica Central, 1,6 ha na Am\u00e9rica do Sul, 297 ha na Oceania e 100 ha na \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o mundial, em 2005, foi de 140 mil toneladas (t), tendo como principais pa\u00edses produtores os Estados Unidos (31,8 mil t), o M\u00e9xico (27 mil t), a China (26,35 t), a S\u00e9rvia (25 mil t) e a Hungria (12 mil t).<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:  Embrapa Clima Temperado <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desenvolvida com foco no processamento, a amoreira-preta BRS Ticuna chega ao mercado de frutas como op\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de geleias e sucos. O tamanho do fruto \u00e9 atrativo aos olhos, que aliado \u00e0 acidez acentuada faz com que a cultivar ocupe um espa\u00e7o para fins industriais. 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