{"id":2309,"date":"2023-11-21T14:15:18","date_gmt":"2023-11-21T18:15:18","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=2309"},"modified":"2023-11-21T14:15:19","modified_gmt":"2023-11-21T18:15:19","slug":"nova-cultivar-de-capim-andropogon-apresenta-maior-produtividade-em-areas-de-baixa-fertilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/nova-cultivar-de-capim-andropogon-apresenta-maior-produtividade-em-areas-de-baixa-fertilidade\/","title":{"rendered":"Nova cultivar de capim-andropogon apresenta maior produtividade em \u00e1reas de baixa fertilidade"},"content":{"rendered":"\n<p>Al\u00e9m do \u00f3timo desempenho para os rebanhos do Cerrado brasileiro, a nova variedade garante alta produtividade em solos de baixa fertilidade e maior valor nutricional<\/p>\n\n\n\n<p><br> Pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) desenvolveram uma nova cultivar do capim-andropogon, a BRS Sarandi. Trata-se de uma evolu\u00e7\u00e3o do Andropogon gayanus cultivar Planaltina, a primeira forrageira tropical lan\u00e7ada comercialmente pela Embrapa em 1980. Al\u00e9m do \u00f3timo desempenho para os rebanhos do Cerrado brasileiro, com ganhos que chegam a 1,15 kg de peso vivo por dia para bovinos em recria, durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa, a nova variedade garante alta produtividade em solos de baixa fertilidade e maior valor nutricional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA nova cultivar da Embrapa \u00e9 excelente op\u00e7\u00e3o para os ambientes mais desafiadores em rela\u00e7\u00e3o ao clima e ao solo, como os que t\u00eam solos com baixa fertilidade ou passam por longos per\u00edodos de seca ou ainda os que sofrem com ataques severos de cigarrinhas. Esse capim se destaca por sua r\u00e1pida rebrota, elevada qualidade nutricional e seu \u00f3timo consumo pelos animais\u201d, explica o, pesquisador da Embrapa Cerrados Marcelo Ayres.<\/p>\n\n\n\n<p>A cultivar \u00e9 recomendada para \u00e1reas com menor fertilidade natural do Cerrado, inclusive no Matopiba (Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia), e tamb\u00e9m para \u00e1reas marginais das fazendas onde a agricultura e outras esp\u00e9cies forrageiras n\u00e3o se desenvolvem bem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cBuscamos uma evolu\u00e7\u00e3o da cultivar Planaltina e estamos colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos pecuaristas da regi\u00e3o Central do Brasil um produto mais atual, com alta produtividade e \u00f3tima qualidade nutricional, capaz de proporcionar maiores ganhos de peso dos bovinos em pastejo\u201d, ressalta Ayres, coordenador do projeto de desenvolvimento da nova forrageira.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos experimentos conduzidos na Embrapa Cerrados, a BRS Sarandi apresentou resultados de desempenho animal muito satisfat\u00f3rios para o rebanho, como explica o pesquisador Gustavo Braga: \u201cAvaliamos os ganhos de peso de animais bovinos da ra\u00e7a Nelore. Os animais mantidos no pasto de BRS Sarandi ganharam de 8% a 10% de peso quando comparados aos animais mantidos na cultivar Planaltina\u201d. O pesquisador explica que essa diferen\u00e7a ocorre basicamente porque a cultivar Sarandi apresenta maior quantidade de folhas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Planaltina. Consequentemente, ela tem melhor valor nutritivo e isso se reflete no desempenho dos animais em pastejo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os diferenciais da cultivar<\/strong><br> No bioma Cerrado, a cultivar \u00e9 a primeira a rebrotar logo ap\u00f3s as primeiras chuvas. Ela garante alimento para o gado no in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o chuvosa, quando as outras forrageiras ainda n\u00e3o come\u00e7aram a produzir.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa vantagem foi comprovada pelo empres\u00e1rio Celso Pess J\u00fanior, respons\u00e1vel pela Sementes Ponto Alto, uma das empresas que est\u00e1 multiplicando as sementes do Andropogon, com propriedade em Ribas do Rio Pardo (MS): \u201cN\u00f3s colocamos a BRS Sarandi em uma \u00e1rea de baixa produtividade, degradada. E tamb\u00e9m, propositadamente, em uma \u00e1rea de fertilidade bem baixa. Mesmo assim, ela se destaca muito. Suas plantas passam as outras em altura e formam um bom volume de massa. Ela tem uma rebrota e um crescimento muito r\u00e1pido, principalmente no in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o chuvosa\u201d, salienta ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Pess ressalta ainda a composi\u00e7\u00e3o da forragem e sua aceita\u00e7\u00e3o pelos animais: \u201cO volume da BRS Sarandi est\u00e1 muito relacionado ao volume de folhas que ela tem. A planta praticamente n\u00e3o tem talo, tudo o que ela produz \u00e9 folha. \u00c9 um material bem aveludado, bem macio. Os animais gostam muito. N\u00f3s vimos uma press\u00e3o de pastoreio muito grande em cima dela, na \u00e1rea onde tem outros pastos misturados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>F\u00e1bio de Oliveira J\u00fanior, respons\u00e1vel pela Agrosol, empresa de sementes situada em Goi\u00e2nia (GO), ficou interessado na cultivar justamente quando soube que ela tem mais folhas do que as outras cultivares. Ele plantou uma \u00e1rea com a BRS Sarandi e colheu 40 toneladas. As sementes produzidas para  a comercializa\u00e7\u00e3o na safra 2023\/24 foram praticamente todas vendidas. \u201cO mercado \u00e9 carente de novas variedades, principalmente de Andropogon, que s\u00f3 tem duas\u201d, justifica.<\/p>\n\n\n\n<p>O empres\u00e1rio conta como foi essa primeira experi\u00eancia com a cultivar: \u201cDeu muito certo esse primeiro plantio. Foi at\u00e9 uma surpresa porque a produtividade foi muito boa. Colhemos em agosto e a produ\u00e7\u00e3o foi quase toda vendida para pecuaristas de Goi\u00e1s, Minas Gerais e Tocantins\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ressalta que o pre\u00e7o da semente ainda est\u00e1 alto porque tem pouca oferta no mercado. Mas acredita que em breve esse cen\u00e1rio mudar\u00e1: \u201cNa pr\u00f3xima safra, teremos uma produ\u00e7\u00e3o maior. Com certeza, os pre\u00e7os estar\u00e3o melhores para o pecuarista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros aspectos de destaque da cultivar s\u00e3o: maior qualidade da forragem, maior perfilhamento e plantas mais uniformes. \u201cA resist\u00eancia a pragas e doen\u00e7as \u00e9 um dos pontos fortes dessa esp\u00e9cie. Com ela, o pecuarista n\u00e3o precisa se preocupar com pragas como cigarrinhas e nematoides. Al\u00e9m disso, a esp\u00e9cie tolera bem a incid\u00eancia de fogo\u201d, salienta o pesquisador Marcelo Ayres.<\/p>\n\n\n\n<p>Para orientar a recomenda\u00e7\u00e3o da cultivar, a Embrapa Cerrados est\u00e1 preparando um material para os t\u00e9cnicos das revendas agropecu\u00e1rias, com as principais caracter\u00edsticas e orienta\u00e7\u00f5es. \u201cO objetivo \u00e9 que as equipes de venda tenham \u00e0 m\u00e3o as principais caracter\u00edsticas e orienta\u00e7\u00f5es para saber indicar a cultivar\u201d, explica o pesquisador. Outro material ser\u00e1 elaborado especificamente para o pecuarista, acompanhando as sementes compradas. Nele, constar\u00e3o o per\u00edodo de plantio, de aduba\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00f5es sobre os manejos do pasto e do rebanho, quando colocar e tirar o animal do pasto, entre outras, para garantir o melhor aproveitamento do material.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resultados al\u00e9m do esperado<\/strong><br> \u201cOs dados de produtividade que registramos foram alt\u00edssimos, n\u00e3o esper\u00e1vamos esse resultado\u201d, destaca Gustavo Braga. O ganho de peso vivo m\u00e9dio di\u00e1rio de bovinos Nelore machos em recria foi avaliado em pastagens de BRS Sarandi na Embrapa Cerrados entre abril de 2018 e junho de 2020. Os bovinos foram mantidos em tr\u00eas taxas de lota\u00e7\u00e3o (1,5, 2,5 e 3,3 unidades animal por hectare (UA\/ha)), em piquetes de 1,5 ha, em lota\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. No experimento, a taxa de lota\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria (2,5 UA\/ha) teve o melhor resultado: 15 arrobas de carca\u00e7a por hectare\/ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 produtividade de forragem, a cultivar tamb\u00e9m foi avaliada por dois anos, durante os per\u00edodos das \u00e1guas e da seca. A produtividade de massa seca e a forragem acumulada foram similares \u00e0s das cultivares Planaltina e Baet\u00ed \u2013 de 11 a 15 toneladas por hectare por ano, com aduba\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio entre 40 e 60 quilos por hectare por ano. \u201cEsse patamar pode aumentar com maiores doses de nitrog\u00eanio ou em ambientes com esta\u00e7\u00e3o chuvosa mais prolongada\u201d, informa Braga.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, apesar de as produtividades terem sido similares, a BRS Sarandi produziu maior quantidade de folhas, principalmente nas rebrota\u00e7\u00f5es da esta\u00e7\u00e3o chuvosa, que \u00e9 o per\u00edodo com maior ac\u00famulo de forragem e hastes. O pesquisador ressalta o impacto dessas melhorias no sistema de produ\u00e7\u00e3o: \u201cAs caracter\u00edsticas da cultivar, como plantas mais uniformes e baixo porte, com mais folhas e menos hastes, facilitam o manejo do pasto pelo pecuarista e aumentam o consumo da gram\u00ednea pelos animais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova cultivar da Embrapa \u00e9 recomendada para uso em pastagens puras ou consorciadas com leguminosas na regi\u00e3o do Cerrado, em solos de baixa \u00e0 m\u00e9dia fertilidade, com textura que varia de arenosa \u00e0 argilosa, sem problemas de drenagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO cultivo em cons\u00f3rcio com milho ou sorgo \u00e9 uma alternativa para amortizar os custos de implanta\u00e7\u00e3o do pasto e ainda intensificar o uso da terra\u201d, ressalta o pesquisador Allan Kardec, tamb\u00e9m componente da equipe da Embrapa Cerrados. Em Planaltina (DF), a semeadura simult\u00e2nea com milho na primeira safra resultou em 5,2 toneladas por hectare (t\/ha) de gr\u00e3os e 2,1 t de massa seca (MS\/ha) de massa de forragem.<\/p>\n\n\n\n<p>O uso da BRS Sarandi deve ocorrer preferencialmente em sistemas extensivos de cria e recria de bovinos, com \u00eanfase no aproveitamento da forragem na esta\u00e7\u00e3o chuvosa. Em pastos bem manejados em sistemas mais intensificados, com alta oferta de forragem e de folhas, tamb\u00e9m pode proporcionar elevados desempenhos animais nas fases de engorda e termina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A forrageira \u00e9 recomendada para ovinos, caprinos e at\u00e9 mesmo equinos. \u201cSobre a aceita\u00e7\u00e3o da forragem pelos animais, chamamos a aten\u00e7\u00e3o de que isso depende de um bom manejo dos pastos. Se as plantas estiverem muito altas, passadas, o animal ter\u00e1 dificuldade de consumir essa forragem e, consequentemente, o desempenho ser\u00e1 mais baixo, seja em ganho de peso, seja na produ\u00e7\u00e3o leiteira\u201d, refor\u00e7a Braga. Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 usar a cultivar para produ\u00e7\u00e3o de feno ou silagem.<\/p>\n\n\n\n<p>O Andropogon gayanus \u00e9 uma planta forrageira perene que cresce em touceiras. \u00c9 uma esp\u00e9cie pouco exigente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fertilidade do solo e tolera ambientes com baixa pluviosidade. Por essas caracter\u00edsticas, a BRS Sarandi pode ser cultivada em ambientes de outros biomas, como a regi\u00e3o Norte (bioma Amaz\u00f4nia) e parte da regi\u00e3o Nordeste (bioma Caatinga), onde j\u00e1 \u00e9 feito o cultivo das outras cultivares de capim-andropogon, al\u00e9m de regi\u00f5es com pluviosidade menor ou inst\u00e1vel, como o Semi\u00e1rido nordestino.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ela n\u00e3o tolera encharcamento. O ac\u00famulo de \u00e1gua no solo afeta o desenvolvimento das plantas. Portanto, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 para plantio em solos bem drenados, o que limita seu cultivo na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Andropogon que voc\u00ea j\u00e1 conhece agora muito melhor<\/strong><br> Na d\u00e9cada de 1990 estima-se que a cultivar Planaltina chegou a ocupar 5% do mercado formal de forrageiras em pastagens do Cerrado e da Amaz\u00f4nia. Hoje, ela ocupa cerca de 1,5 milh\u00e3o de hectares, o que corresponde a 2% do mercado. Para os produtores que j\u00e1 utilizam o capim-andropogon, a BRS Sarandi traz facilidades e melhores resultados, mas mant\u00e9m as caracter\u00edsticas j\u00e1 conhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 que ela substitua a cultivar anterior e ainda seja adotada por produtores que apostam na diversifica\u00e7\u00e3o das pastagens. \u201cN\u00f3s refinamos alguns atributos da cultivar Planaltina para chegar \u00e0 BRS Sarandi. Depois de 40 anos, retomamos o programa de melhoramento gen\u00e9tico da esp\u00e9cie. Focamos em algumas caracter\u00edsticas e mantivemos as qualidades pelas quais ela j\u00e1 \u00e9 conhecida, consolidadas pela hist\u00f3ria de sucesso das duas cultivares anteriores, a Planaltina e a Baet\u00ed [cultivar da Embrapa lan\u00e7ada em 1993]\u201d, afirma Ayres.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00f3xima safra, pecuaristas do Cerrado j\u00e1 plantar\u00e3o pastos com a nova forrageira. Francisco Laface Neto foi um dos que comprou sementes da primeira safra destinada \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 plantar 50 hectares na fazenda Tamboril, que fica em Jo\u00e3o Pinheiro (MG). A propriedade ter\u00e1 3 mil hectares, de 50 mil hectares, com a BRS Sarandi e no futuro, se a experi\u00eancia der certo, conforme for sendo necess\u00e1rio renovar a pastagem, o capim antigo ser\u00e1 substitu\u00eddo pela nova variedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Laface Neto conheceu a cultivar ao ler uma mat\u00e9ria sobre o anivers\u00e1rio de 50 anos da Embrapa, a BRS Sarandi foi uma das tecnologias lan\u00e7adas na ocasi\u00e3o, e imediatamente ficou interessado. \u201cPelo o que eu li na mat\u00e9ria, inclusive com informa\u00e7\u00f5es do Marcelo [Ayres], de que \u00e9 um Andropogon, sendo que o Andropogon j\u00e1 \u00e9 recomendado para o tipo de solo que n\u00f3s temos, que \u00e9 um solo do Cerrado, que aguenta per\u00edodos de seca, que \u00e9 mais resistente, mais adaptado, logo fui atr\u00e1s do material\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea onde o Sarandi ser\u00e1 plantado j\u00e1 foi preparada, com calagem e aduba\u00e7\u00e3o. Agora, \u00e9 s\u00f3 esperar a chuva para plantar. Daqui uns tr\u00eas meses, o pecuarista saber\u00e1 se suas expectativas ser\u00e3o atendidas. \u201cNossas expectativas s\u00e3o as melhores. Se a cultivar replicar em campo 80% do que produziu durante a pesquisa, j\u00e1 est\u00e1 muito bom\u201d. O plano \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 substituir todas as gram\u00edneas que hoje est\u00e3o no pasto da fazenda Tamboril, mas as de todas as fazendas do grupo Agropecu\u00e1ria dos Pratas, sete, no total, que hoje se dedicam \u00e0 pecu\u00e1ria de cria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da Planaltina \u00e0 Sarandi<\/strong><br> O programa de melhoramento de Andropogon gayanus come\u00e7ou com a coleta de sementes das cultivares da Embrapa \u2013 Planaltina e Baet\u00ed \u2013, oriundas de oito localidades do Cerrado e do Semi\u00e1rido brasileiro, mais especificamente dos estados de Goi\u00e1s, Tocantins, Minas Gerais e Mato Grosso, e do banco de germoplasma da pr\u00f3pria Embrapa. A sele\u00e7\u00e3o partiu de 4.500 plantas e chegou a 150 que apresentaram melhor rela\u00e7\u00e3o entre folhas e colmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois foram priorizadas plantas com florescimento tardio, para estender o per\u00edodo de utiliza\u00e7\u00e3o da forragem pelos animais. Como consequ\u00eancia, foram obtidas plantas com porte mais baixo. \u201cUma das caracter\u00edsticas da Planaltina \u00e9 que ela tem uma infloresc\u00eancia muito grossa. Como os animais n\u00e3o conseguem comer essa parte da planta, elas continuam crescendo e dificultam o manejo do pasto, diminuem a qualidade da forragem e limitam o aproveitamento pelos animais. Com a BRS Sarandi, buscamos plantas com mais folhas e menos hastes, alcan\u00e7ando maior qualidade nutricional e melhorando o consumo animal\u201d, detalha Gustavo Braga.<\/p>\n\n\n\n<p>O nome da cultivar faz refer\u00eancia \u00e0 uma das fazendas onde a Embrapa Cerrados foi instalada. Tamb\u00e9m \u00e9 um regionalismo que significa terra fraca ou est\u00e9ril, o que remete a um dos atributos da nova cultivar, que \u00e9 a de se adaptar e produzir em solos de baixa fertilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diversas esp\u00e9cies, um s\u00f3 pasto<\/strong><br> As forrageiras mais utilizadas pelos pecuaristas brasileiros s\u00e3o do g\u00eanero Brachiaria e Panicum Maximum, que respondem por cerca de 90% das \u00e1reas com esp\u00e9cies tropicais. Desde 1990, a S\u00edndrome da Morte do Braquiar\u00e3o (Brachiaria brizantha), tamb\u00e9m chamada de morte s\u00fabita, tornou-se uma amea\u00e7a \u00e0 cultivar Marandu e eliminou pastos inteiros em v\u00e1rios estados da Amaz\u00f4nia e do Cerrado. Com isso, v\u00e1rios produtores procuraram o Andropogon como op\u00e7\u00e3o para \u00e1reas com solos de baixa fertilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia \u00e0 cigarrinha-das-pastagens e nematoides de solo, o cultivo do capim-andropogon ocorre de forma alternativa ou complementar \u00e0s cultivares de Brachiaria e Panicum em sistemas extensivos de produ\u00e7\u00e3o animal a pasto, principalmente em \u00e1reas de menor fertilidade das propriedades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA concentra\u00e7\u00e3o de poucas esp\u00e9cies e cultivares em extensas \u00e1reas, associada \u00e0 pequena variabilidade gen\u00e9tica dentro de cada esp\u00e9cie, mostra-se um risco para a pecu\u00e1ria nacional\u201d, alerta Marcelo Ayres. Foi o que aconteceu com a morte s\u00fabita do Braquiar\u00e3o e com o colapso das pastagens de Brachiaria decumbens, que estavam sendo dizimadas pelo ataque das cigarrinhas das pastagens, tamb\u00e9m na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das estrat\u00e9gias para lidar com esses problemas \u00e9 a diversifica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e cultivares de forrageiras plantadas na propriedade. Essa pr\u00e1tica permite obter, do ponto de vista produtivo, o melhor de cada esp\u00e9cie ou cultivar. \u201cA BRS Sarandi \u00e9 uma \u00f3tima op\u00e7\u00e3o para a diversifica\u00e7\u00e3o das pastagens em \u00e1reas com ataques frequentes das esp\u00e9cies de cigarrinhas. A cultivar tamb\u00e9m \u00e9 resistente a nematoides, em especial o Pratylenchus brachyurus, o que possibilita seu uso como planta de cobertura ou em cons\u00f3rcio para o manejo dessa praga\u201d, ressalta Allan Kardec.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Armazenadas para o futuro<\/strong><br> Em 2021, sementes de Estilosantes e Andropogon foram enviados para o cofre do fim do mundo, o Svalbard Global Seed Vault, na Noruega. Dos capim-andropogon, tanto a cultivar Planaltina quanto a nova BRS Sarandi, juntamente com 322 acessos de Stylosanthes guianensis, est\u00e3o armazenadas neste cofre a mais de 130 metros de profundidade, mantidas a -18\u00baC.<\/p>\n\n\n\n<p>Inaugurado em 2008 para proteger materiais gen\u00e9ticos os mais diversos poss\u00edveis, o local j\u00e1 recebeu quase um milh\u00e3o de amostras de sementes de diferentes esp\u00e9cies, enviadas por mais de 70 pa\u00edses. S\u00f3 o Brasil enviou mais de 100 mil amostras. A estrutura foi planejada para oferecer prote\u00e7\u00e3o contra eventos clim\u00e1ticos catastr\u00f3ficos e at\u00e9 explos\u00f5es nucleares. As c\u00e2maras de sementes est\u00e3o localizadas a uma profundidade de 130 metros, com as temperaturas mantidas a -18\u00baC, em baixa umidade, possibilitando um armazenamento de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:  Embrapa Cerrados <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m do \u00f3timo desempenho para os rebanhos do Cerrado brasileiro, a nova variedade garante alta produtividade em solos de baixa fertilidade e maior valor nutricional Pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) desenvolveram uma nova cultivar do capim-andropogon, a BRS Sarandi. Trata-se de uma evolu\u00e7\u00e3o do Andropogon gayanus cultivar Planaltina, a primeira forrageira tropical lan\u00e7ada comercialmente pela&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2310,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[20,19],"tags":[],"class_list":["post-2309","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-embrapa","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2309"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2311,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2309\/revisions\/2311"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}