{"id":2395,"date":"2023-12-04T08:25:45","date_gmt":"2023-12-04T12:25:45","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=2395"},"modified":"2023-12-04T08:25:47","modified_gmt":"2023-12-04T12:25:47","slug":"projeto-internacional-avalia-servicos-ecossistemicos-do-solo-no-matopiba-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/projeto-internacional-avalia-servicos-ecossistemicos-do-solo-no-matopiba-2\/","title":{"rendered":"Projeto internacional avalia servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo no Matopiba"},"content":{"rendered":"\n<p>A Embrapa est\u00e1 desenvolvendo protocolos para avaliar, modelar, mapear e monitorar os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo em \u00e1reas de intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. No Brasil, a \u00e1rea de estudo ser\u00e1 o Matopiba, regi\u00e3o de expans\u00e3o agropecu\u00e1ria formada pelos estados do Tocantins e partes do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed e Bahia. O projeto Soil-ES integra uma iniciativa internacional, com a\u00e7\u00f5es equivalentes acontecendo na Argentina, no Uruguai e na Col\u00f4mbia, com financiamento da Uni\u00e3o Europeia e parceria de uma institui\u00e7\u00e3o de pesquisa da Fran\u00e7a. Os indicadores e os protocolos ser\u00e3o desenvolvidos e adaptados para as condi\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul, com o objetivo de apoiar sistemas de pagamento por servi\u00e7os ambientais, mercados de carbono e planejamento territorial para uma agricultura sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 frente do projeto, a pesquisadora Rachel Prado, da Embrapa Solos (RJ), explica que os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo s\u00e3o pouco conhecidos e muitas vezes negligenciados, principalmente na tomada de decis\u00e3o e nos mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Por isso, a iniciativa envolve avaliar, modelar e mapear a regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica\/sequestro de carbono, o controle \u00e0 eros\u00e3o, a regula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e a provis\u00e3o de alimentos. \u201cSer\u00e3o testados m\u00e9todos relacionados \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do solo tamb\u00e9m. Os m\u00e9todos mais conhecidos e padronizados s\u00e3o para a estimativa do sequestro de carbono e fertilidade do solo. J\u00e1 os m\u00e9todos para a estimativa dos demais servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo s\u00e3o diversos e alguns deles possuem custos elevados\u201d, detalha. O objetivo dos pesquisadores \u00e9 chegar a protocolos padronizados e de baixo custo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Matopiba foi escolhido por ser uma fronteira de expans\u00e3o da agricultura brasileira, onde o uso e o manejo do solo e dos demais recursos naturais s\u00e3o cruciais para assegurar a sustentabilidade da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a qualidade de vida para todos. \u201cA abordagem dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo, que evidencia os benef\u00edcios que o homem obt\u00e9m da natureza, parece ser bastante adequada para alertar para a necessidade de sistemas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola sustent\u00e1veis, como o Sistema Plantio Direto e a integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta, que levam a uma agricultura de baixo carbono, al\u00e9m de promover paisagens multifuncionais\u201d, argumenta a l\u00edder do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos est\u00e3o concentrados nas bacias do alto rio Parna\u00edba e do rio das Balsas. Essas \u00e1reas foram escolhidas pela sua import\u00e2ncia na provis\u00e3o de \u00e1gua e relev\u00e2ncia na produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria. \u201cNessa regi\u00e3o est\u00e3o as nascentes do rio Parna\u00edba, que perpassa e contribui com os usos m\u00faltiplos da \u00e1gua de diversos munic\u00edpios do Maranh\u00e3o e Piau\u00ed\u201d, explica Prado. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atua\u00e7\u00e3o em tr\u00eas escalas<\/strong><br> Os pesquisadores atuam em tr\u00eas diferentes escalas: local, bacia hidrogr\u00e1fica e regional. Na escala local, est\u00e3o identificando protocolos e indicadores capazes de monitorar impactos da intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da agricultura nos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo. Na escala de bacia hidrogr\u00e1fica e no n\u00edvel da fazenda, est\u00e3o construindo um protocolo para o mapeamento integrado dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo e das pr\u00e1ticas relacionadas aos sistemas intensivos. Para tanto, aplicam ferramentas de sensoriamento remoto e modelagem, com o objetivo de apoiar sistemas de pagamento por servi\u00e7os ambientais e mercados de carbono. J\u00e1 na escala regional, ser\u00e1 desenvolvido e validado um protocolo para o zoneamento dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo e seu ambiente, visando subsidiar o planejamento sustent\u00e1vel da paisagem rural, com destaque para a agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o em \u00e1reas de commodities<\/strong><br> A Embrapa Cocais (MA) \u00e9 respons\u00e1vel pelas amostragens do solo para a avalia\u00e7\u00e3o dos indicadores de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo, selecionados previamente, em \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o das commodities soja, milho e algod\u00e3o, portanto, na escala local. O pesquisador Dirceu Klepker, coordenador t\u00e9cnico da Unidade de Execu\u00e7\u00e3o de Pesquisa (UEP) em Balsas (MA), conduz, com sua equipe, experimentos de longa dura\u00e7\u00e3o sobre a fertilidade e manejo do solo em \u00e1reas experimentais do Matopiba. Uma das \u00e1reas experimentais, localizada em Tasso Fragoso (MA), foi visitada pelos pesquisadores durante a primeira campanha de campo, que ocorreu em outubro de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO papel da Embrapa Cocais ser\u00e1 a aplica\u00e7\u00e3o do protocolo de avalia\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos de solo em escala local. A expectativa \u00e9 aplicar e validar o protocolo em sistemas de intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, em diferentes solos do bioma Cerrado na \u00e1rea de estudo, visando \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola sustent\u00e1vel no Brasil\u201d, diz Klepker. A intensifica\u00e7\u00e3o compreende o uso de diferentes sistemas de produ\u00e7\u00e3o (agr\u00edcola, pecu\u00e1ria e florestal) dentro de uma mesma \u00e1rea de forma integrada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVamos realizar a coleta de dados (solo e plantas), em escala local, em \u00e1reas em que temos instalados ensaios com diferentes sistemas de produ\u00e7\u00e3o, onde, al\u00e9m de soja, algod\u00e3o e milho, temos culturas de cobertura do solo, como braqui\u00e1ria e milheto, ademais da regi\u00e3o do cerrado nativo, que ser\u00e1 usada como refer\u00eancia\u201d, diz o pesquisador da Embrapa Algod\u00e3o Jo\u00e3o Henrique Zonta, que exerce suas atividades na Embrapa Cocais.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 que os resultados gerados sejam utilizados como base para mercados de cr\u00e9ditos de carbono, al\u00e9m de preservar a qualidade do solo. Os resultados do projeto tamb\u00e9m poder\u00e3o ser usados, futuramente, para apoiar pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo \u00e0s boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, de acordo com Zonta.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de workshops que v\u00eam ocorrendo com a participa\u00e7\u00e3o das equipes dos diferentes pa\u00edses, os indicadores est\u00e3o sendo consolidados e ser\u00e3o incorporados no protocolo final, sendo tamb\u00e9m definidas diretrizes para aplica\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de estudo no Brasil, Argentina, Uruguai e Col\u00f4mbia. A responsabilidade pela consolida\u00e7\u00e3o do protocolo e gera\u00e7\u00e3o de um \u00edndice de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo est\u00e1 com a pesquisadora Romina Romaniuk e sua equipe, do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecu\u00e1ria (Inta).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Modelagem em escala de bacia hidrogr\u00e1fica<\/strong><br> Na escala de bacia hidrogr\u00e1fica, sob responsabilidade da Embrapa Territorial (SP), o objeto de estudo consiste em duas bacias menores, a do rio Marcelino (989 km2), que est\u00e1 dentro da bacia do rio Parna\u00edba, e a do rio Verde (357 km2), que est\u00e1 dentro da bacia do rio das Balsas, onde est\u00e3o os experimentos nas fazendas parceiras da Embrapa (escala local). A sele\u00e7\u00e3o das duas bacias foi precedida de um estudo t\u00e9cnico, que levou em conta a extens\u00e3o do territ\u00f3rio, a distribui\u00e7\u00e3o de registros de im\u00f3veis no Cadastro Ambiental Rural (CAR), os tipos de solo presentes e o uso e ocupa\u00e7\u00e3o das terras. Durante o trabalho de campo, a equipe percorreu a regi\u00e3o pelo interior e bordas das bacias, tomando pontos georreferenciados e observando as caracter\u00edsticas naturais, o estado de conserva\u00e7\u00e3o do solo e o uso e ocupa\u00e7\u00e3o das terras. <\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores Angelo Mansur Mendes e Lauro Nogueira J\u00fanior e o analista Hilton Ferraz da Silveira, da Embrapa Territorial, observaram contrastes no local. Nas \u00e1reas planas, no alto das bacias, h\u00e1 lavouras de gr\u00e3os altamente tecnificadas. J\u00e1 nos terrenos declivosos, na parte mais baixa, h\u00e1 pequenas propriedades, com pastos sem manejo e pouca produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Viram tamb\u00e9m os processos erosivos que j\u00e1 t\u00eam ocorrido por ali. Para Nogueira J\u00fanior, as observa\u00e7\u00f5es que o grupo de pesquisa fez ser\u00e3o importantes para compreender os resultados da modelagem para apoiar iniciativas de pagamento por servi\u00e7os ambientais. Este componente do projeto conta com a expertise de equipes de institui\u00e7\u00f5es da Fran\u00e7a e Uruguai.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Zoneamento dos Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos do Solo<\/strong><br> Tamb\u00e9m foram obtidas, nos primeiros trabalhos de campo, informa\u00e7\u00f5es relacionadas aos solos, uso e manejo da terra, \u00e0s pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais (uso e disponibilidade h\u00eddrica, estado de conserva\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o das unidades de conserva\u00e7\u00e3o, dentre outros) na escala regional, ao se percorrer mais de 2 mil km na \u00e1rea de estudo no Matopiba. Houve ainda intera\u00e7\u00e3o com atores e gestores locais-chave para o projeto. Participaram dos trabalhos de campo os pesquisadores da Embrapa Solos Rachel Prado, Elaine Fidalgo, Jos\u00e9 Francisco Lumbreras e Amaury de Carvalho Filho.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho na escala regional subsidiar\u00e1 a elabora\u00e7\u00e3o de um Zoneamento dos Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos do Solo. Ele ser\u00e1 inspirado nas ferramentas que j\u00e1 v\u00eam sendo utilizadas no Brasil h\u00e1 d\u00e9cadas para a\u00e7\u00f5es de planejamento e gest\u00e3o do territ\u00f3rio, como o Zoneamento Econ\u00f4mico-Ecol\u00f3gico (ZEE) e o Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico (Zarc). Ser\u00e1 baseado em informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis, especialmente provenientes de levantamentos de solos da regi\u00e3o e na avalia\u00e7\u00e3o da aptid\u00e3o agr\u00edcola das terras, que est\u00e1 sendo analisada incluindo a aptid\u00e3o para sistemas de produ\u00e7\u00e3o integrados. \u201cTrar\u00e1 ainda informa\u00e7\u00f5es espacializadas sobre o potencial dos solos da regi\u00e3o em prover servi\u00e7os ecossist\u00eamicos sob diferentes usos e sistemas de produ\u00e7\u00e3o e manejo\u201d, conta Prado. Ela acredita que o novo zoneamento e os protocolos que v\u00eam sendo constru\u00eddos, de forma integrada, poder\u00e3o apoiar a regulamenta\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (Lei n\u00ba 14.119), institu\u00edda em janeiro de 2022, dentre outras pol\u00edticas de incentivo aos mecanismos de compensa\u00e7\u00e3o financeira, voltadas \u00e0 sustentabilidade da agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Programa da Uni\u00e3o Europeia<\/strong><br> O projeto \u201cServi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo sob intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da agricultura: em busca de mapeamento e monitoramento inovadores em m\u00faltiplas escalas (Soil-ES)\u201d foi aprovado em um edital de um programa da Uni\u00e3o Europeia voltado \u00e0 articula\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o internacional na \u00e1rea cient\u00edfica de sustentabilidade dos solos, o European Joint Programme Cofund on Agricultural Soil Management (EJP Soil).<\/p>\n\n\n\n<p>Outro projeto liderado pela Embrapa aprovado na chamada do EJP Soil \u00e9 o \u201cC-arouNd: Refinando pr\u00e1ticas regenerativas e de conserva\u00e7\u00e3o do solo para melhorar o sequestro de carbono e reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa\u201d, coordenado pela pesquisadora da Embrapa Arroz e Feij\u00e3o Mellissa Soler. Outras 12 unidades da Embrapa s\u00e3o parceiras nesse projeto: Acre, Agrobiologia, Clima Temperado, Algod\u00e3o, Pesca e Aquicultura, Florestas, Milho e Sorgo, Mandioca e Fruticultura, Meio-Norte, Roraima, Semi\u00e1rido e Solos. O objetivo da proposta \u00e9 avaliar a influ\u00eancia de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas conservacionistas e regenerativas na ciclagem de carbono (C), nitrog\u00eanio (N) e f\u00f3sforo (P) na biodiversidade do solo e nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, com \u00eanfase nos estoques de carbono do solo e processos que governam a persist\u00eancia desse elemento qu\u00edmico em experimentos de longa dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coopera\u00e7\u00e3o Internacional<\/strong><br> Os protocolos desenvolvidos no \u00e2mbito do projeto Soil-ES ser\u00e3o validados nas tr\u00eas \u00e1reas de estudo definidas: no Pampa argentino e uruguaio, onde predomina a pecu\u00e1ria; em \u00e1reas montanhosas da Col\u00f4mbia, com produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9; e na regi\u00e3o do Matopiba no Brasil, com lavouras de gr\u00e3os e pecu\u00e1ria. Al\u00e9m da Embrapa, participam do projeto o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecu\u00e1ria (Inta, Argentina); o Centro Nacional de Pesquisa Cient\u00edfica da Fran\u00e7a (Centre National de la Recherche Scientifique, CNRS); a Universidad del Quind\u00edo (Col\u00f4mbia) e o Instituto Nacional de Investiga\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria (Inia, Uruguai).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCada vez mais se torna importante trabalhar em redes de pesquisa nacionais e internacionais em grandes temas que buscam solu\u00e7\u00f5es para os problemas da humanidade\u201d, ressalta Prado. Ela chama a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia de temas relacionados \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o de terras e ao uso inadequado do solo, e aos preju\u00edzos ambientais, sociais e econ\u00f4micos que esse processo acarreta. \u201cA coopera\u00e7\u00e3o e a vis\u00e3o interdisciplinar s\u00e3o essenciais para se obter avan\u00e7os na pesquisa e apoiar decis\u00f5es mais assertivas\u201d, opina. A cientista revela que, para ampliar os impactos do projeto, est\u00e1 sendo fortalecida uma Rede de Conhecimento sobre Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos do Solo na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>O Inia, um dos parceiros no projeto Soil-ES, tem uma longa tradi\u00e7\u00e3o no estudo da sustentabilidade dos agroecossistemas, particularmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s propriedades do solo. O pesquisador do Inia Jos\u00e9 Paruelo afirma que o compartilhamento de protocolos de avalia\u00e7\u00e3o e estruturas conceituais contribui para o desenvolvimento de vis\u00f5es comuns sobre a sustentabilidade dos sistemas agr\u00edcolas na Am\u00e9rica Latina, promovendo a colabora\u00e7\u00e3o Sul-Sul. \u201cA oportunidade de compartilhar metodologias e experi\u00eancias e construir conhecimento e tecnologia para a sustentabilidade dos sistemas agr\u00edcolas com colegas da Am\u00e9rica Latina foi uma grande motiva\u00e7\u00e3o para participarmos desse projeto conjunto\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Paruelo, as possibilidades de melhorar a sustentabilidade ambiental, social e econ\u00f4mica dos sistemas agr\u00edcolas est\u00e3o diretamente associadas \u00e0 capacidade de medir resultados. \u201cSer capaz de chegar a um acordo sobre indicadores e m\u00e9tricas no n\u00edvel regional que descrevam a oferta de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos ir\u00e1 contribuir, sem d\u00favida, para um melhor registo do desempenho ambiental do setor agr\u00edcola uruguaio, e permitir\u00e1 o desenvolvimento de melhores pr\u00e1ticas, gest\u00e3o e pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, acredita.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Col\u00f4mbia, ser\u00e3o avaliados os sistemas produtivos dos Andes, historicamente transformados pela produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 e pela pecu\u00e1ria. Devido \u00e0 sua geografia complexa, a Paisagem Cultural do Caf\u00e9, declarada Patrim\u00f4nio Cultural da Humanidade pela Unesco, possui sistemas que se alternam com \u00e1reas onde ainda existem florestas preservadas. \u201cEsse cen\u00e1rio espec\u00edfico oferece a oportunidade \u00fanica de uma compara\u00e7\u00e3o entre os solos originais e aqueles transformados, a fim de compreender que tipo de servi\u00e7os ambientais perdemos e como podem ser restitu\u00eddos\u201d, conta o professor Hugo Mantilla, da Universidade de Quindi\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Matopiba: alto potencial e contrastes<\/strong><br> A expectativa para a produ\u00e7\u00e3o de soja e milho no Maranh\u00e3o \u00e9 de crescimento, entre 3,7% e 5,5% para a safra 2023\/2024, podendo chegar de 3 milh\u00f5es de toneladas a 3,77 milh\u00f5es de toneladas, respectivamente. As informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o no 5\u00b0 Levantamento da Safra de Gr\u00e3os 2022\/2023, divulgado em outubro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O aumento de \u00e1rea plantada esperado para a soja no estado \u00e9 de 3,4% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 safra anterior, projetada em 1,1 milh\u00e3o de hectares. Por outro lado, pesquisadores da Embrapa apontam que contrastes socioecon\u00f4micos e de uso de tecnologias s\u00e3o observados na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs processos erosivos t\u00eam se intensificado, principalmente nas encostas das chapadas. Desafios s\u00e3o encontrados tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disponibilidade h\u00eddrica e ao uso da \u00e1gua, ao abastecimento de alimentos frescos para as cidades, \u00e0 infraestrutura e outros. Conhecer a din\u00e2mica da regi\u00e3o \u00e9 fundamental para a proposi\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas e m\u00e9todos mais eficazes para a avalia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo, nas tr\u00eas escalas e para a sustentabilidade da agropecu\u00e1ria, que deve incluir a conserva\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, explica Prado.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:  Embrapa Territorial <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Embrapa est\u00e1 desenvolvendo protocolos para avaliar, modelar, mapear e monitorar os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos do solo em \u00e1reas de intensifica\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. No Brasil, a \u00e1rea de estudo ser\u00e1 o Matopiba, regi\u00e3o de expans\u00e3o agropecu\u00e1ria formada pelos estados do Tocantins e partes do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed e Bahia. 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