{"id":2488,"date":"2023-12-14T10:28:46","date_gmt":"2023-12-14T14:28:46","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=2488"},"modified":"2023-12-14T10:28:48","modified_gmt":"2023-12-14T14:28:48","slug":"mulheres-dirigem-17-milhao-de-propriedades-rurais-no-brasil-e-continuam-quase-invisiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/mulheres-dirigem-17-milhao-de-propriedades-rurais-no-brasil-e-continuam-quase-invisiveis\/","title":{"rendered":"Mulheres dirigem 1,7 milh\u00e3o de propriedades rurais no Brasil e continuam quase invis\u00edveis"},"content":{"rendered":"\n<p>Capa da publica\u00e7\u00e3o Mulheres na Pecu\u00e1ria<\/p>\n\n\n\n<p>Publica\u00e7\u00e3o Mulheres na Pecu\u00e1ria traz hist\u00f3rias femininas na gest\u00e3o de fazendas pelo Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>A pecuarista Dora Bileco assumiu a gest\u00e3o da fazenda da fam\u00edlia em Mato Grosso do Sul ap\u00f3s ficar vi\u00fava. Com filhos pequenos, Dora teve que estudar, capacitar-se e abandonar a arquitetura para dar continuidade aos neg\u00f3cios, antes comandados pelo marido. Encontrou muita resist\u00eancia entre os empregados, muitos pediram demiss\u00e3o por n\u00e3o aceitarem o comando feminino. Ela conta que para evitar ser colocada \u00e0 prova, costumava ler os manuais de m\u00e1quinas e equipamentos quando precisava contratar servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o ou comprar pe\u00e7as para seus tratores.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como Dora, no Brasil, 1,7 milh\u00e3o de mulheres est\u00e3o na gest\u00e3o ou codire\u00e7\u00e3o de propriedades rurais, segundo o Censo Agropecu\u00e1rio de 2017. Para apresentar um pouco sobre essas produtoras, a Embrapa lan\u00e7ou a Cole\u00e7\u00e3o Mulheres Rurais no Brasil, levando em considera\u00e7\u00e3o diferentes realidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo diante da multiplicidade de pap\u00e9is assumidos nos estabelecimentos, a participa\u00e7\u00e3o feminina passa quase despercebida. Em Mulheres na Pecu\u00e1ria, um dos livros da cole\u00e7\u00e3o, s\u00e3o apresentados dados, informa\u00e7\u00f5es, perfis e desafios no gerenciamento de suas atividades no campo.<\/p>\n\n\n\n<p>A publica\u00e7\u00e3o, coordenada pela pesquisadora Claudia de Mori, da Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste, foi escrita por v\u00e1rios pesquisadores e pesquisadoras de centros com atua\u00e7\u00e3o em pecu\u00e1ria no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Claudia, embora alguns fatos mostrem a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o feminina na produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria, h\u00e1 poucos registros, pesquisas e divulga\u00e7\u00e3o sobre o assunto. \u201cOs novos tempos e a mudan\u00e7a nos comportamentos trouxeram esse tema para o debate e uma cole\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es que contextualizem esta participa\u00e7\u00e3o e os principais problemas, tira o assunto da invisibilidade e contribui nessa discuss\u00e3o\u201d, destaca a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres desempenham m\u00faltiplos papeis e responsabilidades na cria\u00e7\u00e3o de animais, na propriedade e na fam\u00edlia. Segundo Claudia, elas est\u00e3o na lida di\u00e1ria do manejo, na gest\u00e3o da propriedade, na agroindustrializa\u00e7\u00e3o e nas organiza\u00e7\u00f5es sociais. \u201cInfelizmente, aspectos culturais e normas sociais fizeram com que a contribui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das mulheres na produ\u00e7\u00e3o agroalimentar fosse ignorada e tratada como \u2018complementar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os dados e hist\u00f3rias trazidas nessa publica\u00e7\u00e3o mostram um pouco desta multiplicidade de atua\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia das mulheres na produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria. As hist\u00f3rias t\u00eam em comum uma mesma quest\u00e3o: a mulher produtora ou t\u00e9cnica ainda \u00e9 vista com estranheza e desconfian\u00e7a e isso exige dela um esfor\u00e7o muito maior para provar seu conhecimento e valor. Embora haja muitos problemas, elas t\u00eam seguido, transformando suas realidades e seu entorno. Elas mostram que o mundo da pecu\u00e1ria tamb\u00e9m \u00e9 feminino\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>O documento tamb\u00e9m apresenta recomenda\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas para as mulheres no campo, no que diz respeito ao enfrentamento a desigualdades de g\u00eanero no meio rural. Claudia ressalta que uma mudan\u00e7a mais efetiva e ampla requer pol\u00edticas p\u00fablicas de acesso a recursos, servi\u00e7os e treinamentos, contemplando a diversidade das situa\u00e7\u00f5es nas diferentes regi\u00f5es do territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O Censo (2017) mostra que apenas 18,2% (450 mil) dos estabelecimentos de pecu\u00e1ria tinham, no per\u00edodo, gest\u00e3o feminina. A regi\u00e3o Nordeste apareceu com mais da metade dos estabelecimentos pecu\u00e1rios geridos por mulheres (53,8%). Na sequ\u00eancia, seguem Sudeste (16,5%), Sul (10,4%), Centro-Oeste (10,2%) e Norte (9,2%). O tamanho m\u00e9dio da propriedade com mulheres na gest\u00e3o foi de 48,8 ha, j\u00e1 as dirigidas por homens correspondem a uma m\u00e9dia de 94,9 ha.<\/p>\n\n\n\n<p>O perfil dessas gestoras \u00e9 mais jovem comparando-se aos homens. Cerca de 30% delas t\u00eam menos de 35 anos. Nessa faixa et\u00e1ria, o grupo masculino \u00e9 de 24,3%.<\/p>\n\n\n\n<p>A publica\u00e7\u00e3o contribui para o alcance da meta 5, proposta pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), relacionada \u00e0 igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o autores do volume Claudia De Mori (Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste), Danielle Ribeiro Azev\u00eado (Embrapa Meio-Norte), Jorge Sant\u2019Anna dos Santos (Embrapa Pecu\u00e1ria Sul), Juliana Alves Dias (Embrapa Rond\u00f4nia), Manuela Sampaio Lana (Embrapa Gado de Leite), Mariana de Arag\u00e3o Pereira (Embrapa Gado de Corte), Patr\u00edcia Goulart Bustamante (Embrapa Alimentos e Territ\u00f3rios), Thais Basso Amaral (Embrapa Agricultura Digital), Helenira Marinho Vasconcelos (Embrapa Agroind\u00fastria Tropical) e Aline Costa Silva (Embrapa Caprinos e Ovinos).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mulheres na dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1 mil hectares, no munic\u00edpio de Bag\u00e9 (RS), Lieli Borges Pereira trabalha com gado de corte e plantio de soja. Com a morte prematura do pai, Lieli assumiu a gest\u00e3o da propriedade, saindo da cidade para a fazenda. Situa\u00e7\u00f5es como essa n\u00e3o s\u00e3o incomuns. A sucess\u00e3o antecipada por evento que envolve invalidez ou morte do pai-gestor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lucy Ara\u00fajo de Armas<\/strong>, pequena produtora rural no munic\u00edpio de Jaguar\u00e3o (RS), trabalha em uma propriedade com 140 hectares, sendo 10 arrendados. No estabelecimento, cria gado de corte e ovinos. Lucy atua na cria\u00e7\u00e3o e  comercializa\u00e7\u00e3o de cordeiros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antonielly Rottoli<\/strong> iniciou na pecu\u00e1ria em Mato Grosso do Sul, apoiando o marido nas atividades, principalmente na contabilidade. A mudan\u00e7a para Alto Para\u00edso (RO), em 2013, foi um momento de transforma\u00e7\u00e3o. Com o desenvolvimento e amplia\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, ela aprimorou-se tecnicamente e como l\u00edder. Al\u00e9m de pecuarista, Antonielly \u00e9 bacharel em Direito, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais e l\u00edder do Movimento Agromulheres Rond\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>A veterin\u00e1ria <strong>Aline Kehrle<\/strong>, junto com seu marido e em sociedade com seu pai, comanda uma propriedade rural de cinco mil hectares noTocantins. Ela se formou, fez mestrado e morou fora do Brasil por dois anos, quando decidiu voltar, implantou um sistema inovador na fazenda que tinha sido de seu av\u00f4: o sistema ultra denso de pastejo rotacionado, preconizado pelo bi\u00f3logo Allan Savory.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFazer algo diferente de todo mundo j\u00e1 gera desconfian\u00e7a. Feito por uma mulher, ent\u00e3o, mais ainda\u201d, observa Aline. Mas a veterin\u00e1ria mant\u00e9m a determina\u00e7\u00e3o de fazer a diferen\u00e7a: \u201cEu acredito muito no que a gente faz [na fazenda]. \u00c9 muito dif\u00edcil mudar o mundo inteiro. A gente s\u00f3 consegue mudar ao nosso redor\u201d. Por experi\u00eancia pr\u00f3pria, ela aconselha \u00e0s mulheres que se dedicam \u00e0 pecu\u00e1ria a cercarem-se de pessoas que acreditem nelas e busquem espa\u00e7os onde sejam bem recebidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Filha de produtores rurais de Bet\u00e2nia, no Piau\u00ed, <strong>Francisca Neri<\/strong> \u00e9 produtora de ovinos. Iniciou no associativismo aos 16 anos como secret\u00e1ria da Ascobet\u00e2nia. A oportunidade surgiu por uma demanda do Projeto Viva o Semi\u00e1rido, para que mulheres e jovens participassem da diretoria da associa\u00e7\u00e3o. Francisca foi preparada pelos dirigentes da Ascobet\u00e2nia e, ao completar 18 anos, assumiu a presid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, \u00e9 secret\u00e1ria de agricultura de Bet\u00e2nia, vice-presidente da Ascobet\u00e2nia e atua como conselheira da Cooperativa dos Produtores Rurais da Chapada Vale do Itaim (Coovita). Para Francisca, sua vida gira em torno da agricultura familiar, sendo a organiza\u00e7\u00e3o coletiva a sua ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o dos produtores e da realidade local.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, a mulher nas organiza\u00e7\u00f5es \u00e9 um novo necess\u00e1rio, por sua sensibilidade para conduzir as situa\u00e7\u00f5es, maior capacidade de organiza\u00e7\u00e3o, pensar mais longe e ocupar espa\u00e7os necess\u00e1rios, al\u00e9m de agregar a fam\u00edlia ao neg\u00f3cio. Em 2022, ela foi reconhecida pelo Instituto Interamericano de Coopera\u00e7\u00e3o para a Agricultura (IICA) como uma das L\u00edderes da Ruralidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rosevania Viera da Silva Leite<\/strong> \u00e9 uma mulher do Agreste Alagoano. H\u00e1 30 anos comprou a sua primeira cabra para garantir a alimenta\u00e7\u00e3o da filha rec\u00e9m-nascida. Rosevania vive em Limoeiro de Anadia, onde produz e comercializa leite de cabra e derivados, agregando valor e gerando renda para sustentar a fam\u00edlia. Desde 2010, envolve-se em exposi\u00e7\u00f5es de caprinos na regi\u00e3o Nordeste, buscando meios para melhorar a qualidade de vida das fam\u00edlias da regi\u00e3o do agreste e do sert\u00e3o. Atualmente, \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Agricultores Alternativos, uma organiza\u00e7\u00e3o formada por agricultores familiares que realiza capacita\u00e7\u00f5es visando \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de produtos \u00e0 base de leite de cabra.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, no pa\u00eds, muitos grupos de mulheres engajadas na agropecu\u00e1ria. Esses movimentos promovem encontros t\u00e9cnicos, treinamentos e at\u00e9 congressos voltados exclusivamente para o p\u00fablico feminino. Segundo a pesquisadora Claudia de Mori, as mulheres v\u00eam conquistando seu espa\u00e7o e contribuindo com novas perspectivas para uma pecu\u00e1ria mais plural e diversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhe\u00e7a as hist\u00f3rias completas dessas e de outras pecuaristas na<a href=\"https:\/\/ainfo.cnptia.embrapa.br\/digital\/bitstream\/doc\/1158685\/1\/WEB-MULHERES-RURAIS-PECUARIA.pdf\"> publica\u00e7\u00e3o Mulheres na Pecu\u00e1ria.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:  Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capa da publica\u00e7\u00e3o Mulheres na Pecu\u00e1ria Publica\u00e7\u00e3o Mulheres na Pecu\u00e1ria traz hist\u00f3rias femininas na gest\u00e3o de fazendas pelo Brasil A pecuarista Dora Bileco assumiu a gest\u00e3o da fazenda da fam\u00edlia em Mato Grosso do Sul ap\u00f3s ficar vi\u00fava. 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