{"id":2518,"date":"2023-12-19T08:30:26","date_gmt":"2023-12-19T12:30:26","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=2518"},"modified":"2023-12-19T08:30:27","modified_gmt":"2023-12-19T12:30:27","slug":"pagamento-por-servicos-ambientais-impulsiona-desenvolvimento-sustentavel-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/pagamento-por-servicos-ambientais-impulsiona-desenvolvimento-sustentavel-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Pagamento por servi\u00e7os ambientais impulsiona desenvolvimento sustent\u00e1vel na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p>As \u00e1reas com castanheiras representam florestas de alto valor para a bioeconomia, para a preserva\u00e7\u00e3o das comunidades agroextrativistas e para a estabilidade ecol\u00f3gica<\/p>\n\n\n\n<p><br> A compensa\u00e7\u00e3o pelos servi\u00e7os ambientais prestados pelos chamados guardi\u00f5es da Amaz\u00f4nia, notadamente as comunidades agroextrativistas da castanha-da-amaz\u00f4nia, pode ser uma estrat\u00e9gia eficaz para impulsionar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e enfrentar os desafios das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e do desmatamento. Foi o que concluiu um grupo de pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP), da Embrapa Amap\u00e1 e da Embrapa Roraima. Os resultados foram publicados no cap\u00edtulo 11 do livro Castanha-da-amaz\u00f4nia: ecologia e manejo de castanhais nativos, que pode ser baixado gratuitamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa abordagem atribui um valor tang\u00edvel \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das florestas, ou seja, o trabalhador extrativista recebe por executar pr\u00e1ticas conservacionistas em sua atividade. A pesquisa constatou que a recompensa pela preserva\u00e7\u00e3o e melhoria dos servi\u00e7os ambientais incentiva um manejo florestal sustent\u00e1vel, a conserva\u00e7\u00e3o da floresta e o seu uso respons\u00e1vel. Essa compensa\u00e7\u00e3o pode ser feita por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas ou iniciativas privadas que englobem aspectos ambientais, ecol\u00f3gicos e socioecon\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cole\u00e7\u00e3o Castanha-da-amaz\u00f4nia<\/strong><br> Os resultados do estudo fizeram parte do volume 1 da cole\u00e7\u00e3o de livros Castanha-da-amaz\u00f4nia, publicada em 2023 pela Embrapa. O trabalho \u00e9 assinado por Marcelino Carneiro Guedes, Patr\u00edcia da Costa, Carolina Volkmer de Castilho, Richardson Fraz\u00e3o, S\u00e9rgio Milheiras e Walter Paix\u00e3o de Sousa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas analisaram os pagamentos por servi\u00e7os ambientais (PSA) e o pagamento por redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es provenientes de desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o florestal (REDD+) na Amaz\u00f4nia. Ambos os mecanismos se destacam pelo potencial de agregar valor \u00e0s florestas com ocorr\u00eancia da castanheira, ao trazer benef\u00edcios adicionais como o armazenamento de carbono, regula\u00e7\u00e3o do clima e o cumprimento de metas estabelecidas em programas governamentais e acordos internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros mecanismos em discuss\u00e3o, como os cr\u00e9ditos de biodiversidade, tamb\u00e9m podem acrescentar valor aos castanhais, ajudando a reconhecer o custo de oportunidade da manuten\u00e7\u00e3o dessas florestas. \u201cAl\u00e9m disso, fortalecer a economia florestal e o mercado de produtos amaz\u00f4nicos \u00e9 fundamental para tornar o manejo florestal economicamente competitivo em rela\u00e7\u00e3o a atividades dependentes do desmatamento, viabilizando assim a conserva\u00e7\u00e3o da floresta em p\u00e9\u201d, afirma a pesquisadora da Embrapa Patr\u00edcia da Costa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante perceber o potencial de mercados para produtos tradicionais, como mel e sementes florestais, no reflorestamento, bem como a possibilidade de criar novos mercados a partir dos recursos biol\u00f3gicos da floresta\u201d, explica o pesquisador da Embrapa Marcelino Guedes.<\/p>\n\n\n\n<p>O cientista frisa que as \u00e1reas com castanheiras representam florestas de alto valor para a bioeconomia, para a preserva\u00e7\u00e3o das comunidades agroextrativistas e para a estabilidade ecol\u00f3gica. \u201cPortanto, \u00e9 fundamental reconhecer a import\u00e2ncia do agroextrativismo e dos servi\u00e7os ambientais prestados pelas fam\u00edlias que dependem da castanha para a conserva\u00e7\u00e3o dessa inestim\u00e1vel floresta\u201d, defende Guedes.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o pesquisador, a castanheira desempenha um papel crucial na conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Ela est\u00e1 presente em cerca de 32% do bioma, 2,3 milh\u00f5es de km\u00b2, aproximadamente. A esp\u00e9cie \u00e9 encontrada em matas de terra firme em toda a regi\u00e3o da PanAmaz\u00f4nia, que inclui Brasil, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Col\u00f4mbia, Bol\u00edvia, Peru, Equador e Venezuela. Al\u00e9m de seu valor ecol\u00f3gico, a castanheira contribui significativamente para processos ecossist\u00eamicos, como o armazenamento de carbono, o ciclo hidrol\u00f3gico, a ciclagem de nutrientes e a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo demonstrou que, embora as castanheiras representem apenas 3% dos indiv\u00edduos em um castanhal na Amaz\u00f4nia Setentrional, elas contribuem com 40% da biomassa viva acima do solo, dos quais cerca de 50% s\u00e3o carbono. \u201cA longevidade das castanheiras permite que esse carbono seja armazenado por um longo per\u00edodo, entre 300 e 400 anos\u201d, destaca a pesquisadora da Embrapa Carolina Castilho.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de seu valor ecol\u00f3gico, a castanheira tamb\u00e9m possui relev\u00e2ncia socioecon\u00f4mica e cultural. Portanto, os pesquisadores acreditam que as compensa\u00e7\u00f5es pelos servi\u00e7os ambientais, al\u00e9m de serem cruciais para a conserva\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica, tamb\u00e9m promovem a sustentabilidade das comunidades que dependem da castanha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Castanha valiosa<\/strong><br> A castanha-da-amaz\u00f4nia \u00e9 um dos principais produtos do agroextrativismo brasileiro. Sua cadeia envolve dezenas de milhares de fam\u00edlias e movimenta milh\u00f5es de d\u00f3lares anualmente. Ela \u00e9 considerada um superalimento, devido a altas concentra\u00e7\u00f5es de nutrientes ben\u00e9ficos \u00e0 sa\u00fade como compostos lip\u00eddicos, proteicos e antioxidantes como o sel\u00eanio, associado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o contra doen\u00e7as neurodegenerativas e c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p>Estima-se que a produ\u00e7\u00e3o de castanhas obtida por meio do extrativismo no Brasil gire em torno de 130 milh\u00f5es de reais por ano, mas esse valor pode estar subestimado. O mercado interno para a castanha tem crescido nos \u00faltimos anos, tornando-se o principal consumidor do produto.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do aspecto econ\u00f4mico, as florestas com castanheiras tamb\u00e9m abrigam uma grande biodiversidade de flora, fauna e microrganismos, desempenhando um papel fundamental na manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas. A castanheira \u00e9 polinizada por abelhas, como as mamangavas, importantes na produ\u00e7\u00e3o de frutos de interesse agron\u00f4mico e alimentar. Al\u00e9m disso, a esp\u00e9cie \u00e9 essencial na teia alimentar de diversos animais, proporcionando alimento a macacos, aves e roedores, como as cutias, que s\u00e3o dispersores das sementes.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:  Embrapa Meio Ambiente <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As \u00e1reas com castanheiras representam florestas de alto valor para a bioeconomia, para a preserva\u00e7\u00e3o das comunidades agroextrativistas e para a estabilidade ecol\u00f3gica A compensa\u00e7\u00e3o pelos servi\u00e7os ambientais prestados pelos chamados guardi\u00f5es da Amaz\u00f4nia, notadamente as comunidades agroextrativistas da castanha-da-amaz\u00f4nia, pode ser uma estrat\u00e9gia eficaz para impulsionar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e enfrentar os desafios das&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2519,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[20,19],"tags":[],"class_list":["post-2518","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-embrapa","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2518"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2518\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2520,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2518\/revisions\/2520"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2519"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}