{"id":2576,"date":"2024-01-11T08:34:25","date_gmt":"2024-01-11T12:34:25","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=2576"},"modified":"2024-01-11T08:34:26","modified_gmt":"2024-01-11T12:34:26","slug":"artigo-ocorrencia-de-pragas-comuns-na-sucessao-soja-milho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/artigo-ocorrencia-de-pragas-comuns-na-sucessao-soja-milho\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Ocorr\u00eancia de pragas comuns na sucess\u00e3o soja\/milho"},"content":{"rendered":"\n<p>Percevejo-marrom, Euschistus heros<\/p>\n\n\n\n<p>A cultura da soja pode ser danificada por insetos-pragas desde a emerg\u00eancia das plantas at\u00e9 a matura\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os, o mesmo sendo verificado para o milho de segunda safra cultivado em sucess\u00e3o a esta leguminosa. V\u00e1rias pragas podem ocorrer apenas na soja ou no milho, por\u00e9m algumas podem ocorrer em ambas as culturas, embora possam causar danos em diferentes est\u00e1dios de desenvolvimento das plantas. Esses s\u00e3o os casos da lagarta-elasmo, Elasmopalpus lignosellus; o percevejo-marrom, Euschistus heros; o percevejo-barriga-verde, Diceraeus melacanthus; a mosca-branca, Bemisia tabaci, e algumas esp\u00e9cies de lagartas, como Spodoptera frugiperda.<\/p>\n\n\n\n<p>A lagarta-elasmo ocorre na cultura da soja, geralmente nos est\u00e1dios iniciais de desenvolvimento das plantas. Ap\u00f3s a eclos\u00e3o dos ovos, as pequenas lagartas podem penetrar no talo das pl\u00e2ntulas para a alimenta\u00e7\u00e3o. Isso provoca a obstru\u00e7\u00e3o nos vasos respons\u00e1veis pelo transporte de \u00e1gua e de nutrientes para parte a\u00e9rea da soja, causando, como consequ\u00eancia, murcha e morte das plantas e afetando, assim, o estande inicial da cultura. Uma mesma lagarta-elasmo pode atacar at\u00e9 quatro pl\u00e2ntulas de soja durante seu est\u00e1dio larval. Na cultura do milho, essa praga causa danos similares com rela\u00e7\u00e3o aos aspectos nutricional e de mortalidade de pl\u00e2ntulas; contudo, o seu dano pode destruir o meristema apical de crescimento da planta, causando o sintoma conhecido como \u201ccora\u00e7\u00e3o morto\u201d. O controle da lagarta-elasmo, tanto na soja como no milho, \u00e9 realizado por meio do tratamento de sementes com inseticidas. A pulveriza\u00e7\u00e3o de plantas n\u00e3o tem sido eficiente em fun\u00e7\u00e3o do local de ataque da praga, o que dificulta o acesso da calda inseticida.<\/p>\n\n\n\n<p>Os percevejos fit\u00f3fagos causam danos na cultura da soja em decorr\u00eancia do ataque \u00e0s vagens e aos gr\u00e3os em desenvolvimento. Al\u00e9m de perdas quantitativas no rendimento, pode tamb\u00e9m ocorrer perdas na qualidade dos gr\u00e3os ou das sementes produzidas, tornando-os \u201cchochos\u201d ou contaminados por fungos. No caso de sementes, pode causar redu\u00e7\u00e3o do vigor e do poder germinativo. Al\u00e9m dos danos \u00e0s sementes, os percevejos fit\u00f3fagos podem causar reten\u00e7\u00e3o foliar nas plantas de soja no final do ciclo da cultura, o que dificulta a realiza\u00e7\u00e3o da colheita. Tanto o percevejo-marrom quanto o percevejo-barriga-verde podem ser daninhos \u00e0 soja, sendo o marrom o que ocorre normalmente em maior intensidade na regi\u00e3o do cerrado brasileiro. O controle dessas pragas na soja \u00e9 realizado basicamente por meio da aplica\u00e7\u00e3o de inseticidas qu\u00edmicos e\/ou biol\u00f3gicos, em pulveriza\u00e7\u00e3o. No caso do controle qu\u00edmico, sugere-se colocar 0,5% de sal (NaCl) na calda inseticida (500 g\/100 L de \u00e1gua), pois essa a\u00e7\u00e3o pode incrementar de 10% a 15% a mortalidade dos percevejos na pulveriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na cultura do milho, os percevejos fit\u00f3fagos causam danos apenas nos est\u00e1dios iniciais da cultura, por meio da inser\u00e7\u00e3o dos seus estiletes, presentes no aparelho bucal sugador, que penetram atrav\u00e9s da bainha at\u00e9 as folhas internas das pl\u00e2ntulas rec\u00e9m-emergidas e causam perfura\u00e7\u00f5es nas folhas, encharutamento, perfilhamento e at\u00e9 mesmo a morte das plantas, podendo, assim, reduzir o estande da cultura ou o potencial produtivo da planta. Plantas de milho com at\u00e9 tr\u00eas folhas s\u00e3o altamente sens\u00edveis ao ataque dos percevejos, ao passo que com seis ou mais folhas j\u00e1 s\u00e3o tolerantes ao ataque dessas pragas. Tanto o percevejo-marrom quanto o barriga-verde podem causar essas inj\u00farias no milho, tendo este \u00faltimo maior potencial de danos na cultura do que o primeiro. O controle de percevejos fit\u00f3fagos no milho deve ser realizado com a aplica\u00e7\u00e3o de inseticidas nas sementes, especialmente com neonicotinoides, e em pulveriza\u00e7\u00e3o, nos est\u00e1dios iniciais de desenvolvimento da cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>A mosca-branca \u00e9 outro inseto sugador que tamb\u00e9m pode atacar a soja e a cultura do milho, podendo ocorrer diferentes bi\u00f3tipos, dependendo da regi\u00e3o de cultivo. Na soja, tanto os adultos quanto as ninfas podem causar danos diretos pela suc\u00e7\u00e3o continua da seiva no floema das plantas. Em adi\u00e7\u00e3o, durante a suc\u00e7\u00e3o, esses insetos expelem um exsudato a\u00e7ucarado (honeydew) sobre as folhas da soja, deixando-as prop\u00edcias para o desenvolvimento de um fungo de colora\u00e7\u00e3o escura do g\u00eanero Capnodium, que causam a fumagina. Este escurecimento promove a queima e a queda das folhas de soja, devido \u00e0 maior absor\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o solar. Se esses danos ocorrerem na fase de enchimento de gr\u00e3os, os preju\u00edzos poder\u00e3o ser intensificados na cultura. Al\u00e9m dos danos diretos, provenientes da alimenta\u00e7\u00e3o no floema, a mosca-branca pode ser vetor de v\u00edrus como o da necrose da haste, doen\u00e7a esta que pode reduzir o potencial produtivo da soja. J\u00e1 na cultura do milho, a mosca-branca foi constatada somente no ano de 2013, em Goi\u00e1s, no Distrito Federal, na Bahia, em Mato Grosso e em Minas Gerais. Esta primeira constata\u00e7\u00e3o em milho proporcionou um estudo detalhado da popula\u00e7\u00e3o da mosca-branca, que foi posteriormente identificada como o bi\u00f3tipo B por meio de marcadores moleculares. Os danos da mosca-branca no milho s\u00e3o similares aos causados na soja, ou seja, suc\u00e7\u00e3o da seiva no floema e predisposi\u00e7\u00e3o da planta \u00e0 fumagina. Este fato evidencia uma adapta\u00e7\u00e3o dessa praga ao sistema de cultivo soja\/milho, como aconteceu no passado com os percevejos. O controle da mosca-branca, tanto na soja quanto no milho, deve ser realizado com inseticidas qu\u00edmicos, em pulveriza\u00e7\u00e3o, tendo como adjuvante o \u00f3leo mineral.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, as lagartas, especialmente da esp\u00e9cie S. frugiperda, podem ocorrer tanto na soja quanto na cultura do milho. Na cultura da soja essa, praga pode causar desfolha ou atacar as vagens, consumindo os gr\u00e3os em desenvolvimento. No milho, causam geralmente desfolha, especialmente no cartucho das plantas, bem como pode atacar as espigas na fase reprodutiva. O controle dessa lagarta, tanto soja quanto no milho, pode ser realizado com a aplica\u00e7\u00e3o de diferentes inseticidas qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos. Uma \u00f3tima alternativa biol\u00f3gica \u00e9 o uso de Baculov\u00edrus spodoptera, um produto eficiente, seletivo para inimigos naturais e que est\u00e1 dispon\u00edvel no mercado por v\u00e1rias empresas. Um detalhe importante para garantir boa efici\u00eancia no controle de S. frugiperda \u00e9 o volume de calda na pulveriza\u00e7\u00e3o, que deve ser o maior poss\u00edvel, especialmente na cultura do milho. Plantas de soja Bt n\u00e3o apresentam controle eficaz das lagartas de S. frugiperda, por\u00e9m, no caso de milho, dependendo do hibrido utilizado, \u00e9 poss\u00edvel conseguir controle satisfat\u00f3rio com essa tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do exposto, pode-se concluir que v\u00e1rias pragas, como as mencionadas neste artigo, podem ocorrer e causar danos, tanto na cultura da soja quanto no milho cultivado em sucess\u00e3o a essa leguminosa. Isso refor\u00e7a a necessidade de analisar o manejo de pragas com uma vis\u00e3o hol\u00edstica nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcolas e n\u00e3o de forma desmembrada, observando apenas as culturas separadamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:  Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Percevejo-marrom, Euschistus heros A cultura da soja pode ser danificada por insetos-pragas desde a emerg\u00eancia das plantas at\u00e9 a matura\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os, o mesmo sendo verificado para o milho de segunda safra cultivado em sucess\u00e3o a esta leguminosa. 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