{"id":2790,"date":"2024-02-19T08:37:45","date_gmt":"2024-02-19T12:37:45","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=2790"},"modified":"2024-02-19T08:37:46","modified_gmt":"2024-02-19T12:37:46","slug":"documentario-mostra-como-indigenas-extraem-sal-da-planta-de-aguape","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/documentario-mostra-como-indigenas-extraem-sal-da-planta-de-aguape\/","title":{"rendered":"Document\u00e1rio mostra como ind\u00edgenas extraem sal da planta de aguap\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p>Diz uma lenda do povo Waur\u00e1, da regi\u00e3o do Alto Xingu (MT), que certo dia um \u00edndio saiu para pescar e encontrou um local onde havia muitas plantas de aguap\u00e9. Ele achou a flor muito bonita e pensou: \u201cSe essa flor fosse uma mulher, eu me casava com ela\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ele voltou da pescaria, j\u00e1 em casa, \u00e0 noite, uma mulher apareceu chamando por ele l\u00e1 fora. O rapaz saiu e viu uma mulher muito bonita que falou: \u201cVoc\u00ea disse que me achou bonita. Eu sou a flor de aguap\u00e9. Voc\u00ea me apaixonou e eu estou aqui para me casar com voc\u00ea\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, toda fam\u00edlia do rapaz foi trabalhar na ro\u00e7a enquanto a mulher-aguap\u00e9 ficou em casa preparando a comida. Mas, para temperar o alimento, ela urinou numa cuia e jogou na comida. Quando o pessoal voltou da ro\u00e7a, a comida estava pronta. Todos comeram e gostaram muito.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas no outro dia, uma das cunhadas da mulher-aguap\u00e9 ficou em casa, e viu quando ela colocou urina na comida. A cunhada contou para a fam\u00edlia e todos come\u00e7aram a pressionar a mulher-aguap\u00e9, para saber por que ela tinha feito aquilo.<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher-aguap\u00e9 ficou muito triste e pediu para o esposo voltar com ela ao mesmo local da pescaria. Chegando l\u00e1, ela disse que ia embora, porque todos na casa haviam brigado com ela. A\u00ed ela pulou na \u00e1gua e j\u00e1 se transformou na planta do aguap\u00e9 novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi assim que o povo Waur\u00e1 aprendeu a extrair sal da folha de aguap\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa e outras hist\u00f3rias est\u00e3o em um document\u00e1rio produzido pelo pesquisador F\u00e1bio de Oliveira Freitas, da Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos e Biotecnologia (DF). O filme tem cerca de 20 minutos e deve ser lan\u00e7ado em maio. A dire\u00e7\u00e3o \u00e9 de Celso Viviane e as imagens e edi\u00e7\u00e3o da produtora Rentalpix.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para produzir o document\u00e1rio, a equipe ficou 10 dias, entre julho e agosto do ano passado, na aldeia Ulupuwene, do povo Waur\u00e1, no Alto Xingu. \u201cFicamos numa \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o entre o Cerrado e Amaz\u00f4nia, apesar de a \u00e1rea j\u00e1 ser considerada Amazonia Legal\u201d, explica Freitas.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador conta que eles se hospedaram na pr\u00f3pria aldeia, acompanhando o dia a dia da comunidade. \u201cFocamos n\u00e3o apenas no aspecto t\u00e9cnico da produ\u00e7\u00e3o de sal, mas tamb\u00e9m no aspecto cultural\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p>Freitas destaca que o sal \u00e9 um alimento\/condimento dos mais utilizados pelo ser humano h\u00e1 milhares de anos, sendo utilizado inclusive como moeda de troca em muitas sociedades ao longo da hist\u00f3ria e mesmo recentemente. \u201cSal\u00e1rio, por exemplo, vem da palavra sal\u201d, esclarece o pesquisador, lembrando que ele \u00e9 usado ainda para fins medicinais e mesmo na conserva\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOcorre que em muitas regi\u00f5es do planeta o acesso a ele \u00e9 dif\u00edcil. Desse modo, algumas sociedades e popula\u00e7\u00f5es tradicionais desenvolveram diferentes estrat\u00e9gias para produzi-lo a partir de determinadas plantas, como \u00e9 o caso de algumas etnias ind\u00edgenas do Alto Xingu, que aprenderam a produzir sal a partir do processamento de plantas de aguap\u00e9\u201d, assinala Freitas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resgate<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ele, um dos objetivos do document\u00e1rio \u00e9 justamente resgatar a import\u00e2ncia dessa tradi\u00e7\u00e3o ainda preservada pelo povo Waur\u00e1. \u201cMas que est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil encontrar quem ainda a pratica, em parte pela facilidade crescente de obten\u00e7\u00e3o do sal da cidade\u201d, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do problema de eros\u00e3o cultural, essa substitui\u00e7\u00e3o traz riscos tamb\u00e9m \u00e0 sa\u00fade dos ind\u00edgenas, pois o sal do aguap\u00e9 \u00e9 composto por KCl (Cloreto de Pot\u00e1ssio), que n\u00e3o causa problema de hipertens\u00e3o como o comercial, feito de NaCl (Cloreto de S\u00f3dio).<\/p>\n\n\n\n<p>Confira abaixo um teaser que mostra um pequeno resumo do document\u00e1rio, que foi produzido com recursos do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) e do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social (MDS).<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:  Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos e Biotecnologia <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz uma lenda do povo Waur\u00e1, da regi\u00e3o do Alto Xingu (MT), que certo dia um \u00edndio saiu para pescar e encontrou um local onde havia muitas plantas de aguap\u00e9. 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