{"id":3208,"date":"2024-05-22T08:15:40","date_gmt":"2024-05-22T12:15:40","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=3208"},"modified":"2024-05-22T08:21:54","modified_gmt":"2024-05-22T12:21:54","slug":"pesquisadora-consegue-reproduzir-planta-do-cerrado-em-casa-de-vegetacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/pesquisadora-consegue-reproduzir-planta-do-cerrado-em-casa-de-vegetacao\/","title":{"rendered":"Pesquisadora consegue reproduzir planta do Cerrado em casa de vegeta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Pela primeira vez, a ci\u00eancia conseguiu reproduzir em casa de vegeta\u00e7\u00e3o a&nbsp;<em>Paepalanthus acanthophyllus,<\/em>&nbsp;planta t\u00edpica do Cerrado mais conhecida como chuveirinho. De acordo com a pesquisadora da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/recursos-geneticos-e-biotecnologia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos e Biotecnologia<\/a>&nbsp;(DF)&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/equipe\/-\/empregado\/349957\/dulce-alves-da-silva\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dulce Alves<\/a>, que desenvolveu o m\u00e9todo de cultivo, a descoberta abre a possibilidade n\u00e3o s\u00f3 de preservar esp\u00e9cies do bioma, mas tamb\u00e9m de novas oportunidades de neg\u00f3cio no mercado de plantas ornamentais e de mais op\u00e7\u00f5es para o paisagismo urbano da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/240521_Chuveirinho_Rafael_Eiiti_Yuri.jpg\/322e8fea-3e96-4fa8-a130-63fe04515d33?t=1715914000758\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/240521_Chuveirinho_Rafael_Eiiti_Yuri.jpg\/322e8fea-3e96-4fa8-a130-63fe04515d33?t=1715914000758\" alt=\"\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cExiste uma cultura de importa\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies para a constru\u00e7\u00e3o dos nossos jardins. V\u00eam plantas at\u00e9 de outros pa\u00edses, que j\u00e1 foram melhoradas e t\u00eam um hist\u00f3rico de cultivo, por\u00e9m, elas n\u00e3o s\u00e3o adaptadas \u00e0s nossas condi\u00e7\u00f5es ambientais\u201d, explica Alves. Segundo ela, poucas esp\u00e9cies do Cerrado est\u00e3o dispon\u00edveis para comercializa\u00e7\u00e3o em larga escala, ainda assim, a maioria \u00e9 formada por plantas arb\u00f3reas, como \u00e9 o caso dos ip\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu comecei a me perguntar se a gente conseguiria cultivar essas esp\u00e9cies do Cerrado, principalmente as herb\u00e1ceas, que t\u00eam um ciclo de vida mais curto e entram na fase reprodutiva mais rapidamente\u201d, lembra a pesquisadora. Ela conta que ouvia sempre os mesmos coment\u00e1rios: \u201cvoc\u00ea n\u00e3o vai conseguir, porque planta do Cerrado n\u00e3o gosta de solo bom\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPor outro lado, comecei a perguntar para pessoas que n\u00e3o eram da \u00e1rea se elas achavam as plantas bonitas, e a maioria respondia que sim. V\u00e1rias esp\u00e9cies do Cerrado s\u00e3o lindas, mas n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis para venda em larga escala nos viveiros, pois ainda n\u00e3o foram melhoradas e existe pouca ou nenhuma pesquisa sobre t\u00e9cnicas de cultivo que se apliquem a elas\u201d, assinala.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse potencial ornamental das plantas do Cerrado, associado \u00e0 necessidade de preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies que t\u00eam perdido seu habitat rapidamente, motivaram a cientista a ampliar sua pesquisa, que era sobre sementes, tamb\u00e9m para o cultivo. \u201cComo temos um projeto de ornamentais dentro do portf\u00f3lio de recursos gen\u00e9ticos, comecei a cultivar essas plantas. Ao contr\u00e1rio do que se dizia, pouqu\u00edssimas esp\u00e9cies da regi\u00e3o n\u00e3o crescem bem em solo bom\u201d, revela a pesquisadora, que tamb\u00e9m conseguiu cultivar outras plantas da fam\u00edlia do chuveirinho e a canela-de-ema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pesquisa come\u00e7ou por causa de um campo florido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSempre gostei muito do Cerrado, sou bi\u00f3loga e ec\u00f3loga de forma\u00e7\u00e3o e na pandemia comecei a trabalhar com essas plantas quando me dei conta de que a previs\u00e3o de extin\u00e7\u00e3o de muitas esp\u00e9cies do Cerrado j\u00e1 estava se concretizando, enquanto no laborat\u00f3rio muitas das sementes usadas nos testes acabavam indo para o lixo\u201d, relembra Alves.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/240521_Chuveirinho_Divulga%C3%A7%C3%A3o_campo.jpg\/ba4de873-64c6-f007-1f7c-46d61a371c3a?t=1715913767686\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/240521_Chuveirinho_Divulga%C3%A7%C3%A3o_campo.jpg\/ba4de873-64c6-f007-1f7c-46d61a371c3a?t=1715913767686\" alt=\"\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>J\u00e1 as sementes de chuveirinho chegaram at\u00e9 ela pelas m\u00e3os de um colega, o analista da Embrapa Leonel Pereira-Neto, h\u00e1 cerca de quatro anos. \u201cEle estava em uma viagem e viu um campo repleto de flores da esp\u00e9cie. Achou lindo. Parou o carro e coletou os frutos, mas n\u00e3o conseguiu germinar suas sementes. A\u00ed ele bateu na minha porta e disse: \u2018A planta \u00e9 linda! Tentei germinar e n\u00e3o consegui. N\u00e3o tenho paci\u00eancia, mas sei que voc\u00ea ter\u00e1\u2019\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho realmente n\u00e3o foi f\u00e1cil. \u201cTive que usar a lupa, pois o fruto \u00e9 min\u00fasculo. Tive que abrir os frutos, olhar o que era a semente. A\u00ed vi que a maioria dos frutos estava vazia. Ent\u00e3o consegui finalmente come\u00e7ar a estudar a germina\u00e7\u00e3o e me apaixonei pela planta e por sua fam\u00edlia\u201d, relata a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ela, o chuveirinho tem um tipo de germina\u00e7\u00e3o muito diferente das outras plantas e d\u00e1 bastante trabalho tirar as sementes de dentro dos frutos. \u201cMas mesmo assim consegui mudar a escala. Dessas sementes eu consegui a planta, a\u00ed dessa planta eu fui mudando o tamanho do vaso at\u00e9 que cheguei \u00e0 flora\u00e7\u00e3o\u201d, detalha.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/240521_Chuveirinho_Rafael_Eiiti_Yuri._pesquisadora.jpg\/a21f9385-4625-1fc1-71f8-2301bbe28da2?t=1715913853836\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a>Ajuste do tamanho do vaso<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Um detalhe curioso \u00e9 que, no campo, o chuveirinho chega no m\u00e1ximo a meio metro de altura. Mas na casa de vegeta\u00e7\u00e3o, com solo bom, ele atingiu mais de um metro. No geral, as descobertas da pesquisadora foram sendo feitas na base de tentativa e erro, pois, praticamente, n\u00e3o h\u00e1 pesquisas sobre o assunto. \u201cConsegui apenas uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, da d\u00e9cada de 1980, ainda assim de uma outra esp\u00e9cie e com cultivo a c\u00e9u aberto\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, o fato de n\u00e3o serem melhoradas \u00e9 a \u00fanica diferen\u00e7a das plantas do Cerrado para outras ornamentais que j\u00e1 s\u00e3o amplamente utilizadas no mercado. \u201c\u00c9 preciso pensar na ecologia da planta para conseguir bons resultados. O chuveirinho, por exemplo, s\u00f3 floresceu e completou o ciclo reprodutivo depois que eu ajustei o tamanho do vaso\u201d, ensina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/240521_Chuveirinho_Rafael_Eiiti_Yuri._pesquisadora.jpg\/a21f9385-4625-1fc1-71f8-2301bbe28da2?t=1715913853836\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Parceiros podem levar projeto a outro patamar<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Agora, a pesquisadora pretende encontrar parceiros no mercado para levar o projeto a outro patamar. \u201cO objetivo \u00e9 cultivar as plantas em larga escala e colocar \u00e0 venda no mercado. Minha ideia inicial, tendo em vista o risco de extin\u00e7\u00e3o de muitas esp\u00e9cies do Cerrado, sempre foi promover o uso sustent\u00e1vel dessas plantas\u201d, afirma. Esse trabalho pode envolver parceiros extrativistas e melhorar tamb\u00e9m a qualidade de vida de quem mora no campo e mant\u00e9m o bioma em p\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>A vantagem, de acordo com ela, \u00e9 que s\u00e3o esp\u00e9cies j\u00e1 adaptadas \u00e0 regi\u00e3o. \u201cPor isso, uma vez passado aquele gargalo inicial, de elas crescerem, muito provavelmente v\u00e3o precisar de menos manuten\u00e7\u00e3o e insumos do que esp\u00e9cies que n\u00e3o s\u00e3o daqui\u201d, esclarece. A pesquisadora cita o exemplo de bairros nobres de Bras\u00edlia, que t\u00eam jardins lindos, mas que, ao longo dos anos, v\u00e3o se deteriorando, porque as plantas n\u00e3o s\u00e3o nativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitas delas n\u00e3o aguentam uma seca severa e prolongada. As plantas do Cerrado, como j\u00e1 est\u00e3o adaptadas \u00e0 regi\u00e3o, exigiriam menos cuidados. Pelo menos tudo indica que sim, uma vez que n\u00e3o existem muitos jardins com essas plantas para avaliarmos\u201d, diz Alves, sonhando com uma parceria, no futuro, com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), respons\u00e1vel pelos jardins do Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cerrado \u00e9 habitat de plantas promissoras<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No caso de esp\u00e9cies da canela-de-ema (<em>Vellozia squamata<\/em>), Alves chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que elas podem levar d\u00e9cadas para se desenvolver. \u201cEm casa de vegeta\u00e7\u00e3o, em dois anos no vaso, com terra boa, ela cresceu pouco\u201d, conta. Mesmo assim, ela lembra que foi a um encontro com pessoas que trabalham com sementes de esp\u00e9cies nativas no ano passado e mostrou os resultados para os participantes, que se surpreenderam. \u201cDisseram que ningu\u00e9m nunca tinha conseguido germinar sementes e gerar mudas dessa planta com esse tamanho\u201d, comemora.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/240521_Chuveirinho_Rafael_Eiiti_Yuri_pesquisa.jpg\/ab0702f9-dc2b-68fa-bbc5-05bd0c21c6d0?t=1715914390497\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A pesquisadora est\u00e1 trabalhando tamb\u00e9m com outras esp\u00e9cies herb\u00e1ceas e at\u00e9 com uma frut\u00edfera, a&nbsp;<em>Coccocypselum aureum<\/em>, que tem um fruto azul anil e o caule rosa. \u201cA gente est\u00e1 avaliando o potencial aliment\u00edcio dela, para ver se os frutos n\u00e3o s\u00e3o venenosos. O conhecimento tradicional diz que n\u00e3o s\u00e3o, mas precisamos confirmar ainda\u201d, pondera.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/240521_ChuveirinhodeVaso_acervo_pessoal_coccocypselum.jpg\/6eb28a62-4273-f729-fd97-7e39056a5d1a?t=1715977586301\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora, s\u00f3 duas esp\u00e9cies com as quais ela trabalhou at\u00e9 agora rejeitaram o solo bom. Ambas possuem mecanismos inteligentes de lidar com o alum\u00ednio. \u201c\u00c9 um mecanismo bioqu\u00edmico bem interessante, que pode ser estudado para eventuais aplica\u00e7\u00f5es na agricultura\u201d, conta. <\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos e Biotecnologiapa<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, a ci\u00eancia conseguiu reproduzir em casa de vegeta\u00e7\u00e3o a&nbsp;Paepalanthus acanthophyllus,&nbsp;planta t\u00edpica do Cerrado mais conhecida como chuveirinho. 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