{"id":3802,"date":"2024-10-16T08:18:27","date_gmt":"2024-10-16T12:18:27","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=3802"},"modified":"2024-10-16T08:18:29","modified_gmt":"2024-10-16T12:18:29","slug":"medir-a-area-basal-dos-troncos-ajuda-a-melhorar-o-manejo-de-sistemas-silvipastoris-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/medir-a-area-basal-dos-troncos-ajuda-a-melhorar-o-manejo-de-sistemas-silvipastoris-2\/","title":{"rendered":"Medir a \u00e1rea basal dos troncos ajuda a melhorar o manejo de sistemas silvipastoris"},"content":{"rendered":"\n<p>Um&nbsp;<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10457-024-01038-y\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo publicado<\/a>&nbsp;na revista internacional&nbsp;<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/journal\/10457\">Agroforestry Systems<\/a>&nbsp;por pesquisadores da Embrapa destaca a \u00e1rea basal das \u00e1rvores como um indicador estrat\u00e9gico para o manejo de componentes florestais em sistemas silvipastoris. A pesquisa ressalta a import\u00e2ncia e os desafios dos sistemas integrados, fornecendo insights sobre como otimizar a densidade de \u00e1rvores para maximizar a produ\u00e7\u00e3o de madeira e pastagem, al\u00e9m de promover benef\u00edcios ambientais e bem-estar animal.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea basal, que mede a ocupa\u00e7\u00e3o florestal por meio da quantifica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da se\u00e7\u00e3o transversal dos troncos das \u00e1rvores por hectare, \u00e9 uma m\u00e9trica central para equilibrar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e a sustentabilidade na combina\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores e pastagem. De acordo com o primeiro autor do artigo, o pesquisador&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/equipe\/-\/empregado\/339524\/jose-ricardo-macedo-pezzopane\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jos\u00e9 Ricardo Pezzopane<\/a>, da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.embrapa.br\/pecuaria-sudeste\">Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste<\/a>, uma \u00e1rea basal bem gerenciada pode melhorar significativamente a produtividade da pastagem e das \u00e1rvores, al\u00e9m de proporcionar benef\u00edcios ecol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados de diversos experimentos em longo prazo mostraram que existe uma rela\u00e7\u00e3o entre a transmiss\u00e3o da luz pelas \u00e1rvores e a produ\u00e7\u00e3o do pasto, assim como uma rela\u00e7\u00e3o entre a \u00e1rea basal das \u00e1rvores e a transmiss\u00e3o de luz, indicando a \u00e1rea basal ideal para a uma produ\u00e7\u00e3o equilibrada no sistema silvipastoril.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor da \u00e1rea basal para manter o equil\u00edbrio de todos os componentes do sistema foi de 8 m<sup>2<\/sup>&nbsp;por hectare, permitindo a produ\u00e7\u00e3o de pastagem em n\u00edveis semelhantes ao sistema a pleno sol. O crescimento das \u00e1rvores tamb\u00e9m foi otimizado com essa \u00e1rea basal. Esse fato pode contribuir para a conserva\u00e7\u00e3o do solo, aumento da biodiversidade e sequestro de carbono, essenciais para a mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, t\u00e3o presentes em todo o mundo, afetando todo tipo de vida na terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Pezzopane, h\u00e1 ainda benef\u00edcios para o bem-estar animal. &#8220;O gado em \u00e1reas com uma densidade de \u00e1rvores equilibrada apresentou melhor ganho de peso e de indicadores de sa\u00fade devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do estresse t\u00e9rmico e a um ambiente mais confort\u00e1vel&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa oferece diretrizes pr\u00e1ticas para agricultores e gestores florestais, sugerindo o monitoramento cont\u00ednuo da \u00e1rea basal e a adapta\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de manejo \u00e0s condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cada local. O pesquisador&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/equipe\/-\/empregado\/304639\/valdemir-antonio-laura\">Valdemir Laura<\/a>, da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.embrapa.br\/gado-de-corte\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Embrapa Gado de Corte<\/a>&nbsp;(MS) um dos coautores do artigo, refor\u00e7a que, mesmo alterando o n\u00famero de \u00e1rvores por hectare ou a esp\u00e9cie de eucalipto, o valor da \u00e1rea basal n\u00e3o muda, \u00e9 uma refer\u00eancia segura. Os dados de longo prazo s\u00e3o essenciais para entender as din\u00e2micas desses sistemas e garantir a sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No artigo, os pesquisadores defendem que pol\u00edticas p\u00fablicas devem incentivar essas pr\u00e1ticas de manejo que promovam o uso sustent\u00e1vel das propriedades rurais. &#8220;Deve-se incluir subs\u00eddios para a implementa\u00e7\u00e3o de monitoramento da \u00e1rea basal e outras pr\u00e1ticas, al\u00e9m de programas de educa\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o para pecuaristas e gestores florestais&#8221;, recomenda Pezzopane.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"\"><tbody><tr><td><strong>Sistemas silvipastoris<\/strong><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/241008_AreaBasalILPF_GiseleRosso_5.jpg\/07c52cc5-e9f2-4f6d-f200-1c060e48a351?t=1728314834970\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a>Integrar \u00e1rvores e pastagem em um mesmo espa\u00e7o oferece uma s\u00e9rie de benef\u00edcios econ\u00f4micos, ecol\u00f3gicos e sociais. Os produtores conseguem melhorar a produtividade agropecu\u00e1ria ao proporcionar sombra e abrigo para o gado, al\u00e9m de conservarem o solo, a biodiversidade e a \u00e1gua. Outra vantagem \u00e9 o sequestro de carbono, contribuindo para a mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O estudo ainda est\u00e1 alinhado \u00e0s metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, da ONU, como a meta 13, de combate \u00e0s mudan\u00e7as no clima.<em><strong>Foto<\/strong>: Gisele Rosso<\/em><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desafios<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Um dos principais desafios que o agropecuarista vai enfrentar \u00e9 manter o equil\u00edbrio da densidade de \u00e1rvores com a produtividade da pastagem. &#8220;Se a densidade de \u00e1rvores for muito alta, pode haver competi\u00e7\u00e3o excessiva por recursos como luz, \u00e1gua e nutrientes, reduzindo a produtividade da pastagem. Por outro lado, uma densidade muito baixa pode n\u00e3o fornecer benef\u00edcios suficientes para o solo e ao microclima&#8221;, detalha Pezzopane.<\/p>\n\n\n\n<p>Para solucionar esse desafio, a \u00e1rea basal \u00e9 apresentada como um indicador essencial e uma ferramenta de manejo para o produtor maximizar a produ\u00e7\u00e3o tanto de madeira quanto de pastagem, mantendo a conserva\u00e7\u00e3o do solo, a biodiversidade e o sequestro de carbono.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso resolve tamb\u00e9m a pr\u00e1tica do desbaste, que \u00e9 a retirada de \u00e1rvores a fim de evitar a competi\u00e7\u00e3o entre as \u00e1rvores, geralmente realizada a partir do sexto ano de plantio. Entretanto, o uso de m\u00e3o-de-obra especializada dificulta a sua ado\u00e7\u00e3o, assim como a finalidade final das \u00e1rvores para compensar o investimento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"\"><tbody><tr><td><strong>Metodologia<\/strong>Os experimentos foram conduzidos na Fazenda Canchim sede da Embrapa Pecu\u00e1ria Sudeste, em S\u00e3o Carlos (SP), \u00e1rea de Mata Atl\u00e2ntica, e na Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), no Cerrado, com sistemas silvipastoris com \u00e1rvores dos g\u00eaneros Eucalyptus e Corymbia, com diferentes pr\u00e1ticas de manejo e condi\u00e7\u00f5es ambientais. Isso permitiu uma an\u00e1lise abrangente e comparativa dos efeitos da \u00e1rea basal em diferentes contextos.Os experimentos englobam medi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de forragem e transmiss\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o solar pelas \u00e1rvores em sistemas silvipastoris com densidades de \u00e1rvores que variaram de 83 a 357 \u00e1rvores por hectare. Diferentes esp\u00e9cies foram utilizadas para avaliar a aplicabilidade geral dos resultados, incluindo materiais clonais de eucalipto Urograndis e de Corymbia citriodora, comuns em sistemas silvipastoris.Os locais foram escolhidos com base na representatividade das principais regi\u00f5es silvipastoris, variando em clima, tipo de solo e pr\u00e1ticas agr\u00edcolas. A coleta de dados foi realizada periodicamente no decorrer dos experimentos, abrangendo sistemas silvipastoris com at\u00e9 nove anos de coleta de dados,<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/241008_AreaBasalILPF_JosePezzopane_3.jpg\/e5a3e086-f496-7c90-3bc2-5b4a33fb628c?t=1728314908165\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/86473972\/241008_AreaBasalILPF_JosePezzopane_3.jpg\/e5a3e086-f496-7c90-3bc2-5b4a33fb628c?t=1728314908165\" alt=\"\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>Foto<\/strong>: Jos\u00e9 Pezzopane<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Resultados<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma \u00e1rea basal ideal para a manuten\u00e7\u00e3o produtiva das pastagens no sistema silvipastoril, no qual a densidade de \u00e1rvores maximiza a produ\u00e7\u00e3o de madeira sem comprometer a produtividade da pastagem. Quando a \u00e1rea basal ultrapassa um certo limite, a competi\u00e7\u00e3o por recursos como luz, \u00e1gua e nutrientes se intensificava, resultando em um crescimento reduzido das \u00e1rvores e da pastagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse trabalho, considerando dados de pesquisas em conjunto dos experimentos de S\u00e3o Carlos e Campo Grande, o valor da \u00e1rea basal obtido para essa maximiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do sistema foi de 8 m<sup>2<\/sup>&nbsp;por hectare. Esse valor est\u00e1 associado \u00e0 transmiss\u00e3o de radia\u00e7\u00e3o solar pelas \u00e1rvores na faixa de 70%, o que permite produ\u00e7\u00e3o de pastagem em n\u00edveis semelhantes ao sistema a pleno sol.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento das \u00e1rvores, medindo-se altura, di\u00e2metro do tronco e volume de madeira, foi positivamente correlacionado com uma \u00e1rea basal otimizada. A produtividade da pastagem foi significativamente influenciada pela densidade de \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos experimentos que cont\u00e9m maior quantidade de \u00e1rvores por hectare e consequentemente maior valor de \u00e1rea basal mostraram efeito negativo na produ\u00e7\u00e3o de pastagem. Isso ocorreu em S\u00e3o Carlos e Campo Grande com densidade maiores que 333 \u00e1rvores por hectare e antes de se fazer o desbaste. Por outro lado, quando realizado o desbaste, com diminui\u00e7\u00e3o da densidade de \u00e1rvores e uma basal intermedi\u00e1ria, ocorreu a maior produ\u00e7\u00e3o de biomassa da pastagem. A qualidade da forragem, medida pelo conte\u00fado de nutrientes e digestibilidade, tamb\u00e9m foi afetada pela \u00e1rea basal. Pastagens em \u00e1reas com uma densidade de \u00e1rvores bem equilibrada mostraram melhor qualidade nutricional.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:  Embrapa Gado de Corte<br> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um&nbsp;estudo publicado&nbsp;na revista internacional&nbsp;Agroforestry Systems&nbsp;por pesquisadores da Embrapa destaca a \u00e1rea basal das \u00e1rvores como um indicador estrat\u00e9gico para o manejo de componentes florestais em sistemas silvipastoris. 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