{"id":3977,"date":"2024-11-29T09:47:13","date_gmt":"2024-11-29T13:47:13","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=3977"},"modified":"2024-11-29T09:47:14","modified_gmt":"2024-11-29T13:47:14","slug":"diferentes-cenarios-mostram-como-o-trigo-avanca-no-cerrado-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/diferentes-cenarios-mostram-como-o-trigo-avanca-no-cerrado-brasileiro\/","title":{"rendered":"Diferentes cen\u00e1rios mostram como o trigo avan\u00e7a no Cerrado Brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p>Diferentes sistemas de produ\u00e7\u00e3o na triticultura tropical<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma \u00e1rea pr\u00f3xima a 450 mil hectares na safra 2024, o trigo tropical vem ganhando espa\u00e7o no Cerrado nos \u00faltimos anos. O cultivo est\u00e1 crescendo em diferentes ambientes, onde cada regi\u00e3o tem particularidades que orientam o avan\u00e7o da triticultura tropical no Brasil. Veja na reportagem como evolui a produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o de trigo nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goi\u00e1s e Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do Brasil Central, o trigo tem sido utilizado como alternativa na rota\u00e7\u00e3o de culturas com gr\u00e3os e hortali\u00e7as para quebra do ciclo de pragas e doen\u00e7as. A gera\u00e7\u00e3o de tecnologias e a transfer\u00eancia de conhecimentos garantiram o crescimento de 119% na \u00e1rea e de 95% na produ\u00e7\u00e3o de trigo tropical nos \u00faltimos sete anos (Conab 2018-2024). O crescimento \u00e9 resultado da oferta de cultivares e conhecimentos em manejo, desenvolvidos por diferentes empresas que atuam na pesquisa e na assist\u00eancia t\u00e9cnica em trigo tropical.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cPlante trigo para colher feij\u00e3o\u201d<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Para produzir feij\u00e3o na regi\u00e3o de Goi\u00e1s, foi preciso encontrar uma cultura capaz de interromper o ciclo de doen\u00e7as como antracnose, fusariose, mofo branco ou, ainda, nematoides no solo, al\u00e9m de fazer a recupera\u00e7\u00e3o do solo. \u201cO cultivo de feij\u00e3o estava se tornando invi\u00e1vel no come\u00e7o dos anos 1990. Apesar do bom pre\u00e7o, as produtividades vinham decrescendo nas \u00e1reas com monocultivo de feij\u00e3o. Precis\u00e1vamos aprimorar o sistema de rota\u00e7\u00e3o de culturas e o trigo surgiu como a melhor alternativa\u201d, conta o engenheiro agr\u00f4nomo da Coopa-DF, Cl\u00e1udio Malinski. Al\u00e9m da disponibilidade de sementes e a garantia da compra do trigo produzido, a cooperativa iniciou uma campanha com o slogan \u201cPlante trigo para colher feij\u00e3o\u201d, explicando tecnicamente a import\u00e2ncia de inserir o cereal de inverno no sistema de produ\u00e7\u00e3o. \u201cMais tarde, o trigo mostrou benef\u00edcios tamb\u00e9m para a soja, ajudando no controle de plantas daninhas como buva e capim amargoso. Temos resultados de at\u00e9 seis sacos a mais de soja ap\u00f3s o cultivo do trigo\u201d, conta Cl\u00e1udio.<\/p>\n\n\n\n<p>A entrada do trigo na Coopa-DF levou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do moinho, em 1994, que passou a agregar ainda mais valor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Hoje o trigo representa 9% do volume de gr\u00e3os que a cooperativa recebe e 33% no faturamento geral. \u201cSem o trigo, seria imposs\u00edvel manter o sistema produtivo com gr\u00e3os na regi\u00e3o\u201d, conclui Cl\u00e1udio Malinski.<\/p>\n\n\n\n<p>Assista o depoimento do Cl\u00e1udio Malinski, engenheiro agr\u00f4nomo da Coopa-DF.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" allowfullscreen=\"\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a1H3URyBh4M?si=I9K35kWgXoovsev9\" width=\"560\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Trigo como protagonista<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Entre os cooperados da Coopa-DF, est\u00e3o os produtores Paulo Bonato e o filho Luis Felipe Bonato, com fazendas de gr\u00e3os em Cristalina\/GO e Planaltina\/DF. Na rota\u00e7\u00e3o, est\u00e3o culturas como soja, milho, feij\u00e3o e trigo (sequeiro e irrigado). \u201cMeu pai e meu av\u00f4 trabalhavam com hortali\u00e7as tamb\u00e9m. Financeiramente, produzir hortali\u00e7as \u00e9 mais vantajoso, mas agronomicamente n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel no longo prazo\u201d, explica Paulo Bonato.<\/p>\n\n\n\n<p>O trigo irrigado, chegou no sistema de produ\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia Bonato h\u00e1 30 anos, com gradual evolu\u00e7\u00e3o na \u00e1rea destinada ao cultivo. Nos anos 1990, eram 50 hectares (ha), passando para 100 ha nos anos 2000, chegando a 200 ha em 2024. &#8220;O tamanho da \u00e1rea pode aumentar ou diminuir, mudando em fun\u00e7\u00e3o da rota\u00e7\u00e3o dos piv\u00f4s&#8221;, conta Paulo Bonato, lembrando que &#8220;\u00e0 medida em que a \u00e1rea aumenta, tamb\u00e9m aumentam os problemas, j\u00e1 que a press\u00e3o no ambiente resultou na maior incid\u00eancia de doen\u00e7as, como a brusone\u201d. A estrat\u00e9gia do produtor para escape da brusone (principal doen\u00e7a do trigo tropical) foi ajustar a data de semeadura, semeando o trigo de sequeiro ap\u00f3s 10 de mar\u00e7o e o trigo irrigado ap\u00f3s 10 de maio.<\/p>\n\n\n\n<p>A colheita em 2023 chegou a 27 sacos por hectare (sc\/ha) de m\u00e9dia no trigo de sequeiro e a 138 sc\/ha no trigo irrigado. &#8220;O rendimento mais baixo no trigo de sequeiro \u00e9 compensado pela qualidade e o menor custo, al\u00e9m da palhada que o trigo deixa para pr\u00f3xima cultura, ajudando a reduzir plantas daninhas que s\u00e3o de dif\u00edcil controle em outras culturas&#8221;, afirma o produtor, lembrando que o custo de produ\u00e7\u00e3o no trigo irrigado pode chegar a 100 sc\/ha, contabilizando at\u00e9 seis aplica\u00e7\u00f5es de fungicidas, enquanto no sequeiro, algumas vezes, o custo empata com os ganhos, mas o trigo acaba trazendo benef\u00edcios para o sistema de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o do trigo, a fam\u00edlia Bonato fez ajustes no sistema de irriga\u00e7\u00e3o para suprir a demanda que atinge cerca de 500 mm de \u00e1gua por hectare no trigo irrigado. \u201cInvestimos em sensores que monitoram a umidade do solo para acionar os piv\u00f4s. Um sistema que reduz o consumo de \u00e1gua e de luz, al\u00e9m de suprir o trigo no momento de maior demanda das plantas\u201d, explica Luis Felipe Bonato.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rota\u00e7\u00e3o com hortali\u00e7as<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em diversas regi\u00f5es do Cerrado, o trigo irrigado \u00e9 utilizado na rota\u00e7\u00e3o com culturas como feij\u00e3o e hortali\u00e7as, como batata, cenoura, cebola e alho. \u201cO trigo \u00e9 candidato preferido na rota\u00e7\u00e3o porque reduz os principais problemas no cultivo, j\u00e1 que consegue quebrar o ciclo de doen\u00e7as de solo, como a podrid\u00e3o de esclerot\u00ednia ou mofo branco e a fusariose, al\u00e9m de inibir a multiplica\u00e7\u00e3o de determinados nematoides\u201d, explica o pesquisador da Embrapa Trigo, Jorge Chagas.<\/p>\n\n\n\n<p>A sede da cooperativa Coopadap est\u00e1 localizada em S\u00e3o Gotardo, MG. A cidade \u00e9 conhecida como \u201ccapital nacional da cenoura\u201d e responde por aproximadamente 70% da produ\u00e7\u00e3o nacional de cenoura. Em 2023, os cooperados da Coopadap cultivaram 1.300 hectares de cenoura e 1.600 hectares de alho, culturas de alto valor agregado que movimentam a economia da regi\u00e3o, cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 destinada ao mercado nacional e internacional. O trigo irrigado foi utilizado em 3.800 hectares, principalmente nas \u00e1reas para rota\u00e7\u00e3o de culturas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o gerente de pesquisa da Coopadap, Luciel Dezordi, a rota\u00e7\u00e3o beneficia tanto o trigo quanto as hortali\u00e7as. \u201cO trigo consegue aproveitar o residual de adubo deixado pela cenoura, formando uma lavoura de menor custo com alto potencial de rendimento. Por outro lado, as ra\u00edzes do trigo podem chegar a quase um metro de profundidade, melhorando o solo para o cultivo das hortali\u00e7as\u201d, diz Luciel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Seca ainda \u00e9 o maior advers\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o do Cerrado \u00e9 marcada por duas esta\u00e7\u00f5es: a esta\u00e7\u00e3o das \u00e1guas (primavera\/ver\u00e3o) e a esta\u00e7\u00e3o seca (outono\/inverno). A semeadura do trigo come\u00e7a no final das chuvas, nos meses de mar\u00e7o e abril no cultivo de sequeiro, e de abril a junho no cultivo irrigado. \u201cAntecipar esta semeadura, aumenta os riscos para a incid\u00eancia de brusone, mas se protelar muito, falta \u00e1gua para implantar a lavoura e pode comprometer o desenvolvimento das plantas\u201d, explica o pesquisador Vanoli Fronza, da Embrapa Trigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o clima quente e seco dos \u00faltimos anos tem desafiado o manejo do produtor: \u201cA chuva cessou mais cedo neste ano, prejudicando o desenvolvimento das plantas e causando queda no peso do hectolitro (PH), resultando em gr\u00e3os pequenos e leves no trigo de sequeiro. O calor tamb\u00e9m acelerou o ciclo das plantas, antecipando a colheita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Fazenda Jaguarandi, em Ponta Por\u00e3, MS, foram cultivados 1.890 ha com trigo de sequeiro nesta safra mas, com apenas 70mm de chuvas, muitas \u00e1reas precisaram ser replantadas. \u201cNo ano passado, a m\u00e9dia de produtividade ficou em 50 sc\/ha e neste ano fechou em 15 sc\/ha\u201d, lamenta o respons\u00e1vel t\u00e9cnico da fazenda, Rodrigo do Amaral. Apesar da frustra\u00e7\u00e3o, o trigo dever\u00e1 seguir dividindo espa\u00e7o com o milho na rota\u00e7\u00e3o de culturas no inverno: \u201cSabemos a import\u00e2ncia da gram\u00ednea no inverno para manter os rendimentos da soja no ver\u00e3o e n\u00e3o podemos apostar somente no milho. \u00c9 preciso diversificar para diluir os riscos\u201d, diz Rodrigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS) da Coopadap, o respons\u00e1vel Marcelo Guerra tamb\u00e9m sente os impactos do clima seco e quente que est\u00e1 afetando o trigo no Cerrado: \u201cHistoricamente, o trigo chegava na UBS nos meses de julho e agosto. Nas \u00faltimas safras, estamos recebendo trigo a partir de junho, prolongando o tempo que as sementes ficar\u00e3o guardadas. As temperaturas mais altas no inverno tamb\u00e9m favoreceram os carunchos, exigindo, pela primeira vez, investimento em expurgo para controle de pragas nos gr\u00e3os armazenados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, a m\u00e9dia de rendimentos do trigo de sequeiro em MS foi de 46 sc\/ha, enquanto em 2024 ficou em 18 sc\/ha. O calor tamb\u00e9m aumentou a evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no cultivo irrigado, aumentando os custos de produ\u00e7\u00e3o. Em geral, a m\u00e9dia de produtividade nas lavouras de GO, MG e DF dever\u00e1 oscilar entre 30 sc\/ha nos cultivos de sequeiro e 115 sc\/ha no trigo irrigado.<\/p>\n\n\n\n<p>O desenvolvimento de cultivares mais adaptadas \u00e0 seca e ao calor \u00e9 imperativo nos programas de melhoramento gen\u00e9tico para trigo tropical. O crescimento na oferta de cultivares passou de 17 na d\u00e9cada de 1990 para 33 cultivares em 2023. Para o pesquisador Joaquim Soares Sobrinho, a cultivar de trigo de sequeiro BRS 404, lan\u00e7ada em 2015, \u00e9 uma prova deste esfor\u00e7o: \u201cA BRS 404 tem mostrado um desempenho superior em condi\u00e7\u00f5es de d\u00e9ficit h\u00eddrico, com rendimentos at\u00e9 12% superior quando comparada \u00e0s demais cultivares utilizadas na regi\u00e3o\u201d, conta Joaquim.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro destaque da pesquisa \u00e9 a cultivar de trigo irrigado BRS 264, lan\u00e7ada ainda em 2005, que possibilitou a colheita sete dias antes do que as demais cultivares dispon\u00edveis no mercado na \u00e9poca, permitindo economizar \u00e1gua. \u201cTrabalhamos hoje, al\u00e9m do melhoramento gen\u00e9tico, com novas tecnologias em marcadores moleculares e transgenia. Acredito que logo o trigo tropical vai passar por uma revolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das cultivares que est\u00e3o em processo final de sele\u00e7\u00e3o\u201d, conclui o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Do produtor direto para a ind\u00fastria<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O clima quente e seco que afeta o trigo na lavoura, pode favorecer as opera\u00e7\u00f5es na ind\u00fastria moageira. \u201cO trigo sai da lavoura com menos de 12% de umidade e elimina a etapa de secagem quando chega na ind\u00fastria. Vai do caminh\u00e3o direto para o silo e parte para a moagem\u201d, conta o diretor da Talita Alimentos, Maiko Priamo.<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria, com base no sudoeste do Paran\u00e1, chegou \u00e0 Dourados,MS, em 2021, instalando uma planta para moer 90 toneladas de trigo\/dia. \u201cUtilizamos 95% de trigo nacional, mas queremos ampliar ainda mais a compra do trigo tropical produzido na regi\u00e3o para suprir parte da demanda do nosso outro moinho instalado no Paran\u00e1\u201d, informa Maiko. A pr\u00f3xima meta da Talita Alimentos \u00e9 construir uma unidade cerealista para fazer a log\u00edstica dos gr\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>No Moinho Sete Irm\u00e3os, com sede em Uberl\u00e2ndia, MG, o contanto direto com os produtores garante a uniformidade do produto final. A expectativa \u00e9 que a entrada de novos atores na triticultura tropical aumente a oferta de trigo de qualidade na regi\u00e3o: \u201cH\u00e1 dez anos, fal\u00e1vamos em 80 mil toneladas de trigo produzido no Cerrado. Agora passamos das 450 mil toneladas. O crescimento tem garantido o suprimento de 95% do moinho com trigo produzido no tri\u00e2ngulo mineiro, facilitando a log\u00edstica e gerando renda na regi\u00e3o\u201d, avalia o gerente comercial Max Mahlow. A seca nesta safra preocupa o gestor, por isso ele justifica a necessidade de ampliar a produ\u00e7\u00e3o em todo o Cerrado.<\/p>\n\n\n\n<p>De olho neste mercado, a cooperativa Cooperalfa, com sede em Chapec\u00f3, SC, chegou ao Mato Grosso do Sul em 2014. O objetivo inicial era fomentar milho para abastecer a ind\u00fastria de su\u00ednos e aves em Santa Catarina, mas a cooperativa passou a contar com uma f\u00e1brica de ra\u00e7\u00f5es instalada em Dourados, MS, suprindo os cooperados no modelo de integra\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m para as matrizes em Sidrol\u00e2ndia, MS.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora o trigo \u00e9 alvo, inicialmente para ser destinado ao moinho da Cooperalfa em Santa Catarina: \u201cO trigo produzido em MS pode suprir parte das necessidades do moinho, principalmente em anos de frustra\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica com o trigo no Sul\u201d, informa o engenheiro agr\u00f4nomo da Cooperalfa, Luan Pivato, destacando tamb\u00e9m as caracter\u00edsticas de qualidade do trigo produzido em MS.<\/p>\n\n\n\n<p>Avaliando o aspecto econ\u00f4mico do neg\u00f3cio de moagem, ele destaca que \u00e9 mais barato importar trigo, mas o cultivo do cereal na regi\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para a sustentabilidade da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os: \u201cO produtor de MS trabalha somente com soja e milho h\u00e1 muitos anos no sistema de produ\u00e7\u00e3o. Quando colocamos o trigo no sistema, temos v\u00e1rios benef\u00edcios agron\u00f4micos como ciclagem de nutrientes e manejo de plantas daninhas. Os resultados do trigo refletem na produtividade da soja e do milho a longo prazo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assista o v\u00eddeo com o depoimento do engenheiro agr\u00f4nomo da Cooperalfa, Luan Pivato.<\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" allowfullscreen=\"\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qstzqA5UqGs?si=xDnfmCf_E6wnCbPy\" width=\"560\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>Conforme estimativa do pesquisador Cl\u00e1udio Lazzarotto, da Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste, se for utilizada apenas 1% da \u00e1rea de milho safrinha para cultivo do trigo em sucess\u00e3o \u00e0 soja, o estado de Mato Grosso do Sul teria cerca de 210 mil ha com trigo\/ano, considerando apenas os dez munic\u00edpios com melhores condi\u00e7\u00f5es de altitude, solo e temperatura favor\u00e1veis ao trigo. \u201cO objetivo n\u00e3o \u00e9 substituir toda a produ\u00e7\u00e3o de milho, mas fazer rota\u00e7\u00e3o de gram\u00edneas para o maior sucesso no sistema produtivo com diferentes alternativas de mercado ao produtor\u201d, argumenta Lazzarotto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Crescimento em todos os elos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Na Sementes Jotabasso, o trigo entrou para complementar o portf\u00f3lio e oferecer uma alternativa adicional na safra de inverno aos produtores. Voltada \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o de sementes de soja e de sorgo, a empresa come\u00e7ou a produzir sementes de trigo h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos e mant\u00e9m uma \u00e1rea expressiva da sua produ\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 cultura. De acordo com o gerente de produ\u00e7\u00e3o da unidade Jotabasso em Ponta Por\u00e3, MS, Guilherme de Souza, as sementes de trigo s\u00e3o destinadas principalmente aos mercados de SP, PR e MS. \u201cVimos a demanda de trigo em MS crescer 50% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, isso mostra o interesse do produtor em investir na cultura\u201d, observa Guilherme.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Sementes Aurora, de Cristalina, DF, o trigo entrou para o neg\u00f3cio h\u00e1 15 anos, com 80 hectares. Na safra 2023, a produ\u00e7\u00e3o de sementes chegou a 800 hectares com trigo de sequeiro e 700 hectares com trigo irrigado. Mesmo com o aumento na demanda, a taxa de uso de semente certificada no trigo tropical est\u00e1 estimada em 50% na regi\u00e3o. \u201cO custo alto da semente resulta, principalmente, da necessidade de fazer um bom investimento em fertilizantes para produzir semente de qualidade. O pre\u00e7o e a dificuldade de obter algumas cultivares levam o produtor a salvar gr\u00e3os para usar como semente na pr\u00f3xima safra. Mas acredito que o produtor est\u00e1 ficando mais consciente, n\u00e3o apenas do valor de investir em semente de qualidade, mas tamb\u00e9m de investir na lavoura. O trigo tropical tem retorno financeiro na maioria dos anos\u201d, avalia o engenheiro agr\u00f4nomo Moacir Messias.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Colabora\u00e7\u00e3o:\u00a0Lara Trouva, Sementes Jotabasso e\u00a0Nayane Melo, Coopadap<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Embrapa Trigo <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diferentes sistemas de produ\u00e7\u00e3o na triticultura tropical Com uma \u00e1rea pr\u00f3xima a 450 mil hectares na safra 2024, o trigo tropical vem ganhando espa\u00e7o no Cerrado nos \u00faltimos anos. O cultivo est\u00e1 crescendo em diferentes ambientes, onde cada regi\u00e3o tem particularidades que orientam o avan\u00e7o da triticultura tropical no Brasil. 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