{"id":4063,"date":"2025-01-07T07:56:23","date_gmt":"2025-01-07T11:56:23","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=4063"},"modified":"2025-01-07T07:56:24","modified_gmt":"2025-01-07T11:56:24","slug":"tecnologia-oferece-menor-tempo-e-mais-precisao-no-diagnostico-de-brucelose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/tecnologia-oferece-menor-tempo-e-mais-precisao-no-diagnostico-de-brucelose\/","title":{"rendered":"Tecnologia oferece menor tempo e mais precis\u00e3o no diagn\u00f3stico de brucelose"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisadores da UFMS demonstraram a capacidade de um m\u00e9todo inovador que pode acelerar o diagn\u00f3stico da brucelose bovina com menor custo garantindo escalabilidade para monitoramento de grandes rebanhos. O trabalho \u00e9 liderado pelo diretor da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia (Famez), Carlos Nascimento, em colabora\u00e7\u00e3o com o professor do Instituto de F\u00edsica (Infi) Cicero Cena. O estudo acaba de ser publicado no&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.jphotobiol.2023.112781\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Journal of Photochemistry and Photobiology B<\/em><\/a>&nbsp;e descreve a metodologia empregada com 92% de acur\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_3832-1024x768.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_3832-300x225.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-111888\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A alternativa em quest\u00e3o utiliza a espectroscopia no UV-vis e&nbsp;<em>machine learning<\/em>&nbsp;para monitorar altera\u00e7\u00f5es no soro sangu\u00edneo bovino devido \u00e0 inser\u00e7\u00e3o de ant\u00edgenos da doen\u00e7a. O destaque do novo m\u00e9todo est\u00e1 na redu\u00e7\u00e3o significativa do tempo de teste de 48 horas para pouco mais de 5 minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um segundo estudo utilizando espectroscopia infravermelha com transformada de Fourier (FTIR) e algoritmos de aprendizado de m\u00e1quina (ML), o estudante do Programa de Mestrado e Doutorado em Inova\u00e7\u00e3o (Programa MAI\/DAI) Thiago Fran\u00e7a, orientado pelo professor Cicero Cena, demostrou o potencial da t\u00e9cnica que analisa o soro sangu\u00edneo na forma l\u00edquida, sem a necessidade de inser\u00e7\u00e3o de nenhum biorreagente. De acordo com os pesquisadores, o m\u00e9todo com precis\u00e3o superior a 90% est\u00e1 sob avalia\u00e7\u00e3o para publica\u00e7\u00e3o na revista&nbsp;<em>Spectrochimica Acta A<\/em>. \u201cAmbas as abordagens representam um salto significativo frente aos m\u00e9todos tradicionais, que podem levar at\u00e9 48 horas\u201d, comentam.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA motiva\u00e7\u00e3o surgiu devido a necessidade de agilizar os diagn\u00f3sticos de doen\u00e7as em geral. No caso de doen\u00e7as infecciosas, transmiss\u00edveis, o tempo \u00e9 um fator muito importante para o controle e erradica\u00e7\u00e3o da enfermidade. Durante o per\u00edodo em que um animal doente espera a confirma\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico, ele pode acabar transmitindo a enfermidade para outros animais contactantes, mantendo o ciclo de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a. Ent\u00e3o, quanto mais r\u00e1pido for poss\u00edvel tomar uma decis\u00e3o acerca do animal doente, se ele \u00e9 tratado, sacrificado, liberado, entre outros, haver\u00e1 menos riscos de dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a\u201d, falam os professores C\u00edcero e Carlos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNosso grupo iniciou avaliando a metodologia aqui proposta ainda em 2021, para diagn\u00f3stico da Leishmaniose Visceral Canina. Depois de alguns estudos, ajustes no m\u00e9todo e publica\u00e7\u00f5es, resolvemos passar para avalia\u00e7\u00e3o em outras enfermidades importantes, dentre as quais a brucelose bovina\u201d, contam. De acordo com eles, outra motiva\u00e7\u00e3o foi o fato de que os testes atualmente dispon\u00edveis e utilizados para diagn\u00f3stico de doen\u00e7as em animais necessitam de insumos e equipamentos espec\u00edficos, muitos dos quais t\u00eam elevado custo. \u201cPor exemplo, se pensarmos nos testes preconizados hoje para diagn\u00f3stico da brucelose bovina, todos demandam o uso de ant\u00edgenos, os quais s\u00e3o produzidos por poucas empresas no Brasil. Sem esses ant\u00edgenos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer os testes e, por consequ\u00eancia, obter o diagn\u00f3stico. No m\u00e9todo que estamos desenvolvendo, n\u00e3o h\u00e1 a necessidade de insumos, apenas a amostra e o equipamento para coleta do espectro de luz. Os dados espectrais s\u00e3o ent\u00e3o analisados em computadores, obtendo-se um resultado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Brucelose<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A brucelose bovina \u00e9 uma doen\u00e7a zoon\u00f3tica altamente infecciosa, com graves impactos econ\u00f4micos e de sa\u00fade p\u00fablica. Em bovinos, causa infertilidade, abortos e redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de leite, enquanto, em humanos, pode levar a sintomas debilitantes como febre e dores articulares. Para conter a doen\u00e7a, \u00e9 essencial identificar rapidamente os animais infectados, permitindo sua exclus\u00e3o do rebanho e evitando a propaga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><a href=\"https:\/\/www.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_3804-1024x768.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_3804-300x225.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-111890\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo testado pelos professores e pelo estudante combina o uso de espectroscopia \u00f3ptica (UV-vis ou FTIR) para analisar amostras de soro sangu\u00edneo bovino, em estado l\u00edquido e seco, e algoritmos avan\u00e7ados, como M\u00e1quinas de Vetores de Suporte (SVM). A an\u00e1lise espectral detecta altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas no sangue causadas pela resposta imune ao pat\u00f3geno&nbsp;<em>Brucella abortus<\/em>. Com isso, o sistema consegue diferenciar com precis\u00e3o animais saud\u00e1veis dos infectados.<\/p>\n\n\n\n<p>Para melhorar a an\u00e1lise, os dados foram tratados para reduzir ru\u00eddos e aplicados m\u00e9todos estat\u00edsticos, como a An\u00e1lise de Componentes Principais (PCA). Esse processo revelou padr\u00f5es claros de separa\u00e7\u00e3o entre os grupos analisados, permitindo uma classifica\u00e7\u00e3o robusta e automatizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados s\u00e3o bastante promissores. \u201cOs testes demonstraram que amostras secas fornecem maior intensidade espectral e melhoram a precis\u00e3o na identifica\u00e7\u00e3o, alcan\u00e7ando 100% de especificidade. J\u00e1 as amostras l\u00edquidas tamb\u00e9m apresentaram resultados impressionantes, com 91,7% de precis\u00e3o. Essa flexibilidade torna o m\u00e9todo ideal para uso em campo\u201d, destaca o grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m da rapidez e precis\u00e3o, o novo m\u00e9todo \u00e9 econ\u00f4mico e simples de implementar, dispensando a necessidade de equipamentos complexos ou preparo intensivo de amostras. Isso facilita sua aplica\u00e7\u00e3o em programas de controle de doen\u00e7as em larga escala, como o Programa Nacional de Controle e Erradica\u00e7\u00e3o da Brucelose e Tuberculose Animal no Brasil\u201d, dizem os pesquisadores. \u201cA inova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m refor\u00e7a a relev\u00e2ncia da ci\u00eancia brasileira em solucionar problemas locais com impacto global, mostrando como tecnologia e ci\u00eancia de dados podem se unir para enfrentar desafios sanit\u00e1rios e econ\u00f4micos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores destacam a necessidade de valida\u00e7\u00f5es adicionais, especialmente com grupos de doen\u00e7as semelhantes. \u201cEssa revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica n\u00e3o apenas contribui para a sa\u00fade animal e humana, mas tamb\u00e9m fortalece o setor agropecu\u00e1rio, um pilar da economia brasileira\u201d, acrescentam.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_3852-768x1024.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufms.br\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_3852-225x300.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-111887\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Expectativas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s expectativas relacionadas aos resultados dos estudos e \u00e0 continuidade das pesquisas, o professor Carlos diz que pretendem continuar as investiga\u00e7\u00f5es e estend\u00ea-las a outras enfermidades. \u201cContinuamos trabalhando na an\u00e1lise de dados, avalia\u00e7\u00e3o de diferentes amostras e espectros para chegar ao m\u00e1ximo poss\u00edvel de efici\u00eancia no diagn\u00f3stico das enfermidades. Mas, al\u00e9m disso, pretendemos formar parcerias adicionais para o desenvolvimento de\u00a0<em>softwares<\/em>\u00a0e equipamentos que permitam a aplica\u00e7\u00e3o da metodologia desenvolvida no dia a dia dos laborat\u00f3rios de diagn\u00f3stico. No futuro, queremos chegar a um equipamento port\u00e1til, que possamos levar a campo, adicionar a amostra a ser analisada, e em poucos minutos termos um resultado. Isso seria uma grande vantagem para os laborat\u00f3rios de diagn\u00f3stico, pois, hoje necessitam adquirir equipamentos e reagentes para realizar a maioria dos testes. Com a espectroscopia, precisariam obter apenas os equipamentos\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: UFMS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da UFMS demonstraram a capacidade de um m\u00e9todo inovador que pode acelerar o diagn\u00f3stico da brucelose bovina com menor custo garantindo escalabilidade para monitoramento de grandes rebanhos. O trabalho \u00e9 liderado pelo diretor da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia (Famez), Carlos Nascimento, em colabora\u00e7\u00e3o com o professor do Instituto de F\u00edsica (Infi) Cicero&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4064,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[],"class_list":["post-4063","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4063"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4063\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4065,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4063\/revisions\/4065"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4064"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}