{"id":4115,"date":"2025-01-24T10:55:15","date_gmt":"2025-01-24T14:55:15","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=4115"},"modified":"2025-01-24T10:55:16","modified_gmt":"2025-01-24T14:55:16","slug":"produtor-deve-adotar-praticas-agricolas-para-minimizar-adversidades-climaticas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/produtor-deve-adotar-praticas-agricolas-para-minimizar-adversidades-climaticas-2\/","title":{"rendered":"Produtor deve adotar pr\u00e1ticas agr\u00edcolas para minimizar adversidades clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"\n<p>Soja em \u00e1rea com solo coberto com palha resiste ao calor<\/p>\n\n\n\n<p>Em Mato Grosso do Sul, especialmente na regi\u00e3o sul do estado, as culturas da safra de ver\u00e3o \u2013 especialmente a da soja \u2013 est\u00e3o sofrendo com o veranico, em que a quantidade de chuva n\u00e3o tem sido suficiente durante o per\u00edodo de desenvolvimento das plantas, aliado ao calor intenso. Somado a isso, algumas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas t\u00eam sido deixadas de lado, o que intensificou os problemas na agricultura de sequeiro especialmente. Isso \u00e9 o que explica o pesquisador Fernando Mendes Lamas, da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/agropecuaria-oeste\">Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste<\/a>&nbsp;(Dourados, MS). \u201cAgora vai come\u00e7ar o momento da colheita da soja e \u00e9 a oportunidade ideal para o produtor colocar em pr\u00e1tica alguns processos que v\u00e3o minimizar sobremaneira os efeitos de futuras estiagens e v\u00e3o proporcionar que a \u00e1gua da chuva n\u00e3o escorra superficialmente, mas sim infiltre e seja armazenada no solo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para iniciar, o pesquisador observou que um desses princ\u00edpios agr\u00edcolas n\u00e3o tem sido adotado, que \u00e9 o terraceamento, pr\u00e1tica mec\u00e2nica de conserva\u00e7\u00e3o de solo e \u00e1gua que tem como objetivo fundamental evitar o escorrimento da \u00e1gua, ou seja, a pr\u00e1tica permite que a \u00e1gua infiltre no solo e seja armazenada para estar dispon\u00edvel posteriormente pela planta.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um outro momento, o produtor pode utilizar uma s\u00e9rie de tecnologias que j\u00e1 foram desenvolvidas, e est\u00e3o sendo aprimoradas, por exemplo, a \u00e9poca de semeadura. \u201cHoje o produtor disp\u00f5e de uma ferramenta extremamente interessante, que \u00e9 o Zonamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico, conhecido tamb\u00e9m como ZARC\u201d, cita o pesquisador. O ZARC \u00e9 produto de pesquisa da Embrapa e seus parceiros, que se transformou em uma ferramenta de pol\u00edtica p\u00fablica que est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do produtor. Lamas ressalta que as informa\u00e7\u00f5es disponibilizadas pelo ZARC, independentemente se o produtor vai financiar e\/ou fazer seguro agr\u00edcola, trazem sugest\u00f5es de \u00e9poca de semeadura em que os riscos s\u00e3o menores, especialmente riscos decorrentes de d\u00e9ficit h\u00eddrico.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator importante \u00e9 o manejo adequado do solo para que esteja estruturado e, assim, permita que a \u00e1gua permane\u00e7a no solo e chegue \u00e0s camadas mais profundas. Para isso, o solo n\u00e3o deve estar compactado. \u201cHoje, infelizmente, muitos agricultores usam uma pr\u00e1tica mec\u00e2nica para romper camada compactada, que \u00e9 o escarificador. N\u00e3o temos a menor d\u00favida de que o escarificador sozinho n\u00e3o resolve o problema de compacta\u00e7\u00e3o. H\u00e1 necessidade de associar a pr\u00e1tica mec\u00e2nica que \u00e9 o escarificador com pr\u00e1ticas culturais ou vegetativas que \u00e9 o cultivo de plantas de cobertura\u201d, ressalta o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema radicular das plantas de cobertura forma canal\u00edculos que permitir\u00e3o uma boa estrutura\u00e7\u00e3o do solo que se torna mais poroso, permitindo que a \u00e1gua penetre no solo e forme uma reserva na \u00e1rea onde est\u00e3o as culturas. As plantas de cobertura tamb\u00e9m formam uma barreira na superf\u00edcie do solo por meio da palhada, o que evita o aquecimento do solo, consequentemente, diminui a perda de \u00e1gua por evapora\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, as plantas de cobertura auxiliam o controle de plantas daninhas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s estamos vivendo um momento em que as quest\u00f5es de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o mais uma hip\u00f3tese. \u00c9 algo que est\u00e1 acontecendo no mundo. E o produtor precisa utilizar essas pr\u00e1ticas que est\u00e3o \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. Quando somamos tudo, o produtor deixa de perder, e mais importante que deixar de perder, ele ganha\u201d, enfatiza Fernando Lamas, que completa: \u201cQuando o produtor rural n\u00e3o adota nada disso, dependendo do est\u00e1gio vegetativo da planta, as plantas v\u00e3o morrer depois de uma semana a dez dias sem chuva. Adotando essas pr\u00e1ticas, o efeito do estresse h\u00eddrico diminui, e o teor de mat\u00e9ria org\u00e2nica e a disponibilidade de nutrientes melhoram\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais plantas de cobertura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador Lamas, a principal esp\u00e9cie de planta de cobertura s\u00e3o as braqui\u00e1rias, como a&nbsp;<em>Brachiaria ruzizienses&nbsp;<\/em>para produ\u00e7\u00e3o de forragem ou a&nbsp;<em>Brachiaria brizantha<\/em>&nbsp;por exemplo, a BRS Piat\u00e3, para uso na Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria (ILP). Em alguns casos, podem ser utilizadas plantas do g\u00eanero&nbsp;<em>Panicum<\/em>, por\u00e9m, esta exige mais cuidado no manejo para n\u00e3o haver problema como entouceiramento que dificulta a semeadura.<\/p>\n\n\n\n<p>As plantas de cobertura podem ser cultivadas isoladamente ou em cons\u00f3rcio com leguminosas, a exemplo do feij\u00e3o guandu e das crotal\u00e1rias, que t\u00eam a capacidade de fixar nitrog\u00eanio no solo. O produtor tamb\u00e9m pode escolher pelo cultivo isolado das leguminosas, como&nbsp;<em>Crotalaria ochroleuca<\/em>,&nbsp;<em>Crotolaria spectabillis<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Crotalaria juncea<\/em>, guandu e estilosantes, sendo que para cada situa\u00e7\u00e3o haver\u00e1 uma melhor indica\u00e7\u00e3o. Na safrinha, estas leguminosas podem ser cultivadas junto ao milho \u2013 no caso das crotal\u00e1rias, se o foco for os ruminates, n\u00e3o utilizar a&nbsp;<em>C. spectabilis<\/em>&nbsp;por ser t\u00f3xica aos animais. Lamas lembra que a Embrapa possui&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/cultivar\/feijao-guandu\">variedades de guandu<\/a>&nbsp;(BRS Guat\u00e3 e BRS Mandarim) adequadas ao cons\u00f3rcio devido a seu porte e a rapidez de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora \u00e9 o momento adequado para os produtores plantarem milho safrinha de forma consorciada. E, se n\u00e3o quiserem plantar milho safrinha, cultivarem somente a esp\u00e9cie de planta de cobertura, seja uma leguminosa ou uma gram\u00ednea e colher as melhorias no sistema de produ\u00e7\u00e3o\u201d, indica Lamas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Irriga\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia associada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aliado \u00e0s pr\u00e1ticas agr\u00edcolas recomendadas acima para conviv\u00eancia da agricultura em per\u00edodos de intenso calor e pouca oferta de chuvas, a irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia para superar o problema de d\u00e9ficit h\u00eddrico. \u201cA irriga\u00e7\u00e3o vem para satisfazer a necessidade h\u00eddrica da cultura. Fazendo isso, conseguimos fazer frente ao problema e super\u00e1-lo\u201d, diz o pesquisador Danilton Luiz Flumignan, da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/agropecuaria-oeste\">Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste<\/a>, mas ele pondera: \u201c\u00c9 um erro achar que somente o fator \u00e1gua [da irriga\u00e7\u00e3o] vai resolver o problema. Na agricultura irrigada, temos que considerar que as outras estrat\u00e9gias para a conviv\u00eancia com a seca j\u00e1 est\u00e3o sendo bem aplicadas pelo produtor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os produtores irrigantes conseguem monitorar a ocorr\u00eancia dos problemas causados por eventos de defici\u00eancia h\u00eddrica e, a partir de ent\u00e3o, tomar a decis\u00e3o de quando irrigar e quanto de \u00e1gua aplicar, a fim de satisfazer as necessidades h\u00eddricas da cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO momento no estado de Mato Grosso do Sul est\u00e1 muito favor\u00e1vel para essa tem\u00e1tica de agricultura irrigada\u201d, afirma Flumignan. O governo do estado lan\u00e7ou recentemente, em 2024, um programa estadual de irriga\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.semadesc.ms.gov.br\/Geral\/ms-irriga\/\">MS Irriga<\/a>) como est\u00edmulo aos produtores rurais. Al\u00e9m disso, o Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Regional instituiu o Polo de Agricultura Irrigada do Centro-Sul de Mato Grosso do Sul, que engloba 26 munic\u00edpios. Segundo Flumignan, \u201cestes s\u00e3o sinais claros de que a federa\u00e7\u00e3o e o estado entendem que esta pr\u00e1tica precisa e pode ser induzida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para dar suporte \u00e0 tomada de decis\u00e3o dos produtores, inclusive os produtores irrigantes, a Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste possui esta\u00e7\u00f5es de monitoramento clim\u00e1tico que fornecem diariamente dados de chuva, temperatura, radia\u00e7\u00e3o solar, vento, umidade e, principalmente, o dado da evapotranspira\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia. \u201cN\u00f3s fornecemos os dados e os produtores podem se apropriar deles para tomada de decis\u00e3o. Isso \u00e9 uma boa pr\u00e1tica na agricultura irrigada\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>O Centro de Pesquisa da Embrapa est\u00e1 realizando pesquisa, ainda em fase de experimenta\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 no quarto ano, com competi\u00e7\u00e3o de cultivares de soja e de h\u00edbridos de milho em \u00e1rea irrigada e de sequeiro a fim de identificar padr\u00f5es nestes materiais gen\u00e9ticos que agreguem valor na \u00e1gua que \u00e9 aplicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Flumignan tamb\u00e9m conta que foram realizadas simula\u00e7\u00f5es computacionais para estudar diferentes estrat\u00e9gias de manejo de irriga\u00e7\u00e3o e selecionar a melhor, amparadas em v\u00e1rios anos de pesquisa em lis\u00edmetros de pesagem e na s\u00e9rie hist\u00f3rica de mais de 40 anos dados da esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica da Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste. \u201cA melhor estrat\u00e9gia de irriga\u00e7\u00e3o, via de regra, tem resultado para a soja e para milho (comparado ao sequeiro, que \u00e9 a nossa refer\u00eancia) em aumentos de produtividade significativos e redu\u00e7\u00e3o no consumo de \u00e1gua comparada a estrat\u00e9gias convencionais de irriga\u00e7\u00e3o\u201d, explica Flumignan.<\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00fameros, somando os \u00faltimos tr\u00eas anos de safra, a cultura da soja irrigada rendeu 172 sacas por hectare, enquanto a soja no sequeiro resultou em 134 sacas. O rendimento do milho foi ainda maior: 407 sacas de milho com irriga\u00e7\u00e3o e 253 sacas sem irriga\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00f3s da Embrapa estamos preocupados em obter produ\u00e7\u00e3o m\u00e1xima utilizando o m\u00ednimo do recurso natural, assegurando que esse recurso esteja dispon\u00edvel para outros usos tamb\u00e9m\u201d, assegura Flumignan.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador lembra que a gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos \u00e9 feita pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.imasul.ms.gov.br\/\">Imasul<\/a>\u00a0em Mato Grosso do Sul, que \u00e9 respons\u00e1vel por gerenciar o potencial de cada corpo h\u00eddrico para fornecer \u00e1gua a diferentes usu\u00e1rios \u2013 restaurantes, ind\u00fastrias, com\u00e9rcio, casas, irriga\u00e7\u00e3o, etc.. \u201cA gest\u00e3o h\u00eddrica assegura que a \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o seja captada sem ferir os direitos de outros usu\u00e1rios nem da seguran\u00e7a ambiental\u201d, explica e completa: \u201cMato Grosso do Sul tem grande potencial para agricultura irrigada. Somos extremamente ricos em \u00e1guas superficiais e ainda utilizamos pouqu\u00edssimo da nossa \u00e1gua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soja em \u00e1rea com solo coberto com palha resiste ao calor Em Mato Grosso do Sul, especialmente na regi\u00e3o sul do estado, as culturas da safra de ver\u00e3o \u2013 especialmente a da soja \u2013 est\u00e3o sofrendo com o veranico, em que a quantidade de chuva n\u00e3o tem sido suficiente durante o per\u00edodo de desenvolvimento das&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4116,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[20,19],"tags":[],"class_list":["post-4115","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-embrapa","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4115"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4115\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4117,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4115\/revisions\/4117"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}