{"id":4278,"date":"2025-04-03T07:25:14","date_gmt":"2025-04-03T11:25:14","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=4278"},"modified":"2025-04-03T07:25:16","modified_gmt":"2025-04-03T11:25:16","slug":"artigo-fertilizantes-vulnerabilidade-brasileira-e-algumas-acoes-para-reverte-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/artigo-fertilizantes-vulnerabilidade-brasileira-e-algumas-acoes-para-reverte-la\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Fertilizantes: vulnerabilidade brasileira e algumas a\u00e7\u00f5es para revert\u00ea-la"},"content":{"rendered":"\n<p>Diversos fatores influenciam a produtividade das culturas, podendo ser classificados como bi\u00f3ticos, relacionados aos seres vivos ligados ao processo produtivo, al\u00e9m de fatores abi\u00f3ticos, dentre os quais destacam-se o clima, a f\u00edsica e a fertilidade do solo. Dentre esses \u00faltimos, a fertilidade do solo \u00e9 o mais facilmente manej\u00e1vel, sendo ineg\u00e1vel a relev\u00e2ncia do uso de fertilizantes, corretivos e condicionadores de solo para proporcionar um melhor ambiente produtivo.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o Brasil importa aproximadamente 85% dos cerca de 41 milh\u00f5es de toneladas de fertilizantes que consome anualmente. Entre os macronutrientes essenciais, importamos 90% dos nitrogenados (R\u00fassia, China e Oriente M\u00e9dio), 75% do fosfatados (China, Marrocos e R\u00fassia) e 90% dos pot\u00e1ssicos (Belarus, Canad\u00e1 e R\u00fassia). Registre-se que, afortunadamente, nossa principal&nbsp;<em>commoditie<\/em>&nbsp;agr\u00edcola, a soja, n\u00e3o depende de fertilizante nitrogenado, resultado obtido por intensas pesquisas na fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio (FBN).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa depend\u00eancia externa, uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a e soberania nacional, \u00e9 extremamente desconfort\u00e1vel para um&nbsp;<em>player<\/em>&nbsp;de nossa import\u00e2ncia na agricultura mundial, principalmente porque uma parte expressiva desses fertilizantes prov\u00e9m de regi\u00f5es politicamente inst\u00e1veis, o que facilita a a\u00e7\u00e3o de especuladores e tem ocasionado eleva\u00e7\u00f5es bruscas em seus pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os fertilizantes consumidos em maiores quantidades, o f\u00f3sforo (P) e o pot\u00e1ssio (K) dependem exclusivamente de reservas minerais, mas o nitrog\u00eanio (N) pode ser obtido a partir do g\u00e1s natural ou de processo que fixa o N atmosf\u00e9rico, este \u00faltimo com grande consumo de energia el\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>Importante destacar que essa situa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda n\u00e3o ocorre em rela\u00e7\u00e3o ao calc\u00e1rio (corretivo de acidez) e do gesso agr\u00edcola (condicionador do solo), nos quais somos autossuficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es para reverter parcialmente essa depend\u00eancia externa na obten\u00e7\u00e3o dos fertilizantes, visando reduzi-la para 50% at\u00e9 2050, incluem a prospec\u00e7\u00e3o de jazidas, o est\u00edmulo ao aumento da produ\u00e7\u00e3o interna e o equacionamento de quest\u00f5es ambientais e log\u00edsticas, detalhadas no Plano Nacional de Fertilizantes, elaborado por um Grupo de Trabalho Interministerial, que foi recentemente revisto em suas metas. Ainda pr\u00f3ximo dessa linha de a\u00e7\u00e3o, podemos citar o uso, como fertilizantes, de res\u00edduos minerais ou org\u00e2nicos oriundos de cadeias industriais ou agroindustriais, o que proporciona adicionalmente uma oportunidade tang\u00edvel de reduzir a gera\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa e de reciclar nutrientes que, de outra forma, seriam destinados a aterros sanit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra abordagem para equacionar esse problema \u00e9 atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o das quantidades requeridas de fertilizantes, decorrente do aumento da efici\u00eancia de uso desse insumo, sem comprometimento das produtividades. Constata-se que depois do advento dos fertilizantes minerais, a forma de fertilizar as culturas ficou praticamente inalterada durante d\u00e9cadas: fontes sol\u00faveis de N, P e K ainda s\u00e3o aplicadas ao solo, frequentemente com reduzida taxa de aproveitamento pelas culturas. Para exemplificar, estima-se que apenas 50% dos nutrientes aplicados sejam efetivamente utilizados pelas plantas, havendo perdas por fixa\u00e7\u00e3o ao solo (P), lixivia\u00e7\u00e3o (N e K) e volatiliza\u00e7\u00e3o (N).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Efici\u00eancia de uso dos fertilizantes<\/h4>\n\n\n\n<p>O aumento da efici\u00eancia de uso dos fertilizantes requer diferentes estrat\u00e9gias, sendo que a mais utilizada \u00e9 sincronizar a libera\u00e7\u00e3o dos nutrientes com o desenvolvimento das culturas, de forma a deix\u00e1-los dispon\u00edveis \u00e0 medida que avan\u00e7a o ciclo das plantas, que atinge demanda m\u00e1xima na fase de enchimento de gr\u00e3os. O exemplo mais not\u00f3rio envolve o nitrog\u00eanio, em que s\u00e3o utilizadas t\u00e9cnicas de encapsulamento f\u00edsico dos gr\u00e2nulos dos fertilizantes e\/ou uso de subst\u00e2ncias retardantes qu\u00edmicos ou bioqu\u00edmicos, o que \u00e9 amplamente utilizado com a ureia, fonte de N mais comum no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>A fonte natural de P mais utilizada \u00e9 a rocha fosf\u00e1tica (fosfato de c\u00e1lcio), que deve ser submetida a tratamento \u00e1cido para aumentar sua solubilidade no solo. No entanto, formas muito sol\u00faveis, como o MAP (monoam\u00f4nio fosfato), quando aplicadas em solos argilosos tropicais, est\u00e3o sujeitas a fixa\u00e7\u00e3o do P nos \u00f3xidos, ficando rapidamente indispon\u00edveis para as plantas. Decorre desse processo que, embora nossos solos agr\u00edcolas j\u00e1 apresentem elevados n\u00edveis de f\u00f3sforo devido ao longo hist\u00f3rico de fertiliza\u00e7\u00f5es, parte expressiva desse elemento n\u00e3o permanece acess\u00edvel \u00e0s plantas. Para resolver esse problema, recentemente foram desenvolvidos produtos biol\u00f3gicos que conseguem disponibilizar parte desse f\u00f3sforo, diminuindo a necessidade de adicionar fertilizantes.<\/p>\n\n\n\n<p>As abordagens acima citadas foram obtidas ap\u00f3s anos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inova\u00e7\u00e3o (PD&amp;I) pela Embrapa, universidades e outras institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de pesquisa e da iniciativa privada e n\u00e3o prescindem de solu\u00e7\u00f5es que envolvam o uso de plantas mais eficientes, bioestimulantes e aprimoramentos nos sistemas de produ\u00e7\u00e3o. Apenas para exemplificar, o uso de plantas de cobertura pode reduzir alguns desses processos de perda de nutrientes ao proporcionar uma ciclagem entres as camadas mais profundas e a superf\u00edcie do solo, sinalizando que estrat\u00e9gias combinadas podem ser mais eficientes para o aumento da efici\u00eancia das fertiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, entende-se que para manter o hist\u00f3rico de sucesso de nossa agricultura, com aumentos consistentes de produtividade, s\u00e3o necess\u00e1rios avan\u00e7os constantes nas tecnologias de fertilidade do solo e manejo de plantas, proporcionando maior efici\u00eancia, menores custos e menores impactos ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diversos fatores influenciam a produtividade das culturas, podendo ser classificados como bi\u00f3ticos, relacionados aos seres vivos ligados ao processo produtivo, al\u00e9m de fatores abi\u00f3ticos, dentre os quais destacam-se o clima, a f\u00edsica e a fertilidade do solo. 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