{"id":4314,"date":"2025-04-15T08:49:19","date_gmt":"2025-04-15T12:49:19","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/?p=4314"},"modified":"2025-04-15T08:49:21","modified_gmt":"2025-04-15T12:49:21","slug":"participantes-de-congresso-internacional-sobre-seguro-rural-conhecem-tecnologias-da-embrapa-cerrados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/noticias\/participantes-de-congresso-internacional-sobre-seguro-rural-conhecem-tecnologias-da-embrapa-cerrados\/","title":{"rendered":"Participantes de congresso internacional sobre seguro rural conhecem tecnologias da Embrapa Cerrados"},"content":{"rendered":"\n<p>Balizador do seguro rural no Brasil, o Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico (Zarc) foi apresentado pelo pesquisador Fernando Macena<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<a href=\"https:\/\/alasa-web.org\/evento\/xviii-congreso-internacional-alasa-brasil-2025\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">XVIII Congresso Internacional da Associa\u00e7\u00e3o Latino-Americana para o Desenvolvimento do Seguro Agropecu\u00e1rio (Alasa)<\/a>, realizado em parceria com o Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa) de 7 a 10 de abril em Bras\u00edlia, foi finalizado com a apresenta\u00e7\u00e3o de tecnologias e experimentos da Embrapa Cerrados (DF) no centro de pesquisa e na Fazendas Entre Rios, no Parano\u00e1 (DF), na \u00faltima quinta-feira (10).<\/p>\n\n\n\n<p>Voltado ao fortalecimento das rela\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses latino-americanos e \u00e0 discuss\u00e3o dos desafios dos seguros rurais frente \u00e0s demandas do campo, o evento reuniu representantes de empresas seguradoras e resseguradoras, autoridades governamentais, produtores rurais, organiza\u00e7\u00f5es do setor agropecu\u00e1rio, al\u00e9m de agentes de organismos internacionais de desenvolvimento e de institui\u00e7\u00f5es financeiras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A programa\u00e7\u00e3o contou com confer\u00eancias, pain\u00e9is e mesas-redondas com especialistas, apresentados por 47 conferencistas \u2013 entre eles, a presidente da Embrapa, Silvia Massruh\u00e1 \u2013, moderadores e apoiadores de 26 pa\u00edses. Al\u00e9m das visitas \u00e0 Embrapa Cerados e \u00e0 Fazenda Entre Rios, um terceiro grupo de participantes visitou a Fazenda Malunga, no PAD-DF, Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Sebasti\u00e3o Pedro,&nbsp;chefe-geral da Embrapa Cerrados, pontuou que a pol\u00edtica do seguro agr\u00edcola ainda \u00e9 pouco utilizada frente \u00e0 extensa \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o, e portanto a troca de experi\u00eancias com a Alasa \u00e9 fundamental. \u201cNossa Unidade tem hoje cerca de 500 tecnologias. Grande parte j\u00e1 foi adotada e impacta a sociedade de forma importante, contribuindo para o r\u00e1pido crescimento da agricultura brasileira\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele apontou o Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico (Zarc), nascido na Unidade, como uma das tecnologias mais impactantes para o crescimento do Brasil e o protagonismo do Cerrado no desenvolvimento agr\u00edcola nacional nos pr\u00f3ximos anos. \u201cAqui se concentra a maior parte das pastagens degradadas, e o solo e o clima s\u00e3o adequados para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e pecu\u00e1ria em alto grau de sustentabilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Zarc mitiga riscos de perdas com adversidades clim\u00e1ticas<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-solucoes-tecnologicas\/-\/produto-servico\/6516\/aplicativo-zarc---plantio-certo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zarc<\/a>&nbsp;foi apresentado pelo pesquisador Fernando Macena. Trata-se de uma ferramenta de apoio aos instrumentos de pol\u00edtica agr\u00edcola e gest\u00e3o de riscos na agricultura, com o objetivo de diminuir a exposi\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos para cr\u00e9dito e seguro a riscos relacionados aos fen\u00f4menos clim\u00e1ticos adversos (como seca, chuva excessiva e granizo) ao permitir a identifica\u00e7\u00e3o, em cada munic\u00edpio, da melhor \u00e9poca de semeadura de 44 culturas agr\u00edcolas em diferentes classes de textura de solo e ciclos fenol\u00f3gicos. Dessa forma, o Zarc orienta o produtor (tomador de cr\u00e9dito) e o agente financiador sobre as \u00e9pocas mais adequadas (e menos vulner\u00e1veis) para o plantio, conferindo maior seguran\u00e7a ao financiador e ao financiado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base em par\u00e2metros de clima (dados hist\u00f3ricos de chuvas e a evapotranspira\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia do local), de solo (capacidade de armazenamento de \u00e1gua) e da cultura (ciclos e fases fenol\u00f3gicas, coeficiente de cultura e profundidade do sistema radicular), os pesquisadores calculam o \u00cdndice de Satisfa\u00e7\u00e3o da Necessidade de \u00c1gua (ISNA) da planta. O ISNA \u00e9 avaliado sobretudo nas fases de germina\u00e7\u00e3o e de florescimento e enchimento de gr\u00e3os, que s\u00e3o as mais cr\u00edticas. \u201cAnalisamos essas duas fases para termos a garantia de que haver\u00e1 \u00e1gua para as plantas germinarem, e de que haver\u00e1 \u00e1gua para os gr\u00e3os encherem\u201d, explicou Macena.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessas informa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o gerados mapas e tabelas que indicam os n\u00edveis de riscos de ocorr\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos em cada dec\u00eandio (per\u00edodo de 10 dias) ao longo do ano para cada tipo de solo num dado munic\u00edpio, determinando assim a janela ideal de plantio.&nbsp;Pol\u00edtica p\u00fablica do Mapa desde 1996, o Zarc tem promovido uma economia m\u00e9dia de R$ 5,9 bilh\u00f5es anuais aos cofres p\u00fablicos, sendo de uso obrigat\u00f3rio no Programa de Subven\u00e7\u00e3o ao Pr\u00eamio do Seguro Rural (PSR); no Programa de Garantia da Atividade Agropecu\u00e1ria (Proagro); no Proagro Mais e no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf); tamb\u00e9m podendo ser utilizado pela Superintend\u00eancia de Seguros Privados (Susep).<\/p>\n\n\n\n<p>A ferramenta \u00e9 atualizada para cada cultura a cada cinco anos e recebe contribui\u00e7\u00f5es de mais de 100 pesquisadores de 32 unidades de pesquisa da Embrapa e de institui\u00e7\u00f5es parceiras. As informa\u00e7\u00f5es geradas pela pesquisa s\u00e3o validadas junto aos produtores das diferentes regi\u00f5es brasileiras e s\u00f3 ent\u00e3o encaminhadas ao Mapa, que edita as portarias que regulamentam o uso do Zarc pelas institui\u00e7\u00f5es de seguro e cr\u00e9dito agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as inova\u00e7\u00f5es adotadas nos \u00faltimos anos, Macena citou a nova metodologia para estimar a \u00e1gua dispon\u00edvel no solo em fun\u00e7\u00e3o da textura \u2013 al\u00e9m do teor de argila foram incorporados, a partir de 2023, o percentual de silte e de areia, alterando a classifica\u00e7\u00e3o dos solos de tr\u00eas (argiloso, m\u00e9dio e arenoso) para seis tipos ajustados, o que aumentou a riqueza e a precis\u00e3o dos dados.<\/p>\n\n\n\n<p>No momento, est\u00e1 em estudo o c\u00e1lculo do Zarc conforme quatro n\u00edveis de manejo determinados por uma escala de indicadores (semeadora em n\u00edvel ou em contorno; satura\u00e7\u00e3o de bases na camada de 0 a 20 cm do solo; teor de c\u00e1lcio; satura\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio; tempo sem revolvimento do solo; porcentagem de cobertura do solo com palhada antes da semeadura; e diversidade de culturas nos tr\u00eas \u00faltimos anos agr\u00edcolas). Quanto mais alto o n\u00edvel de manejo, maior ser\u00e1 a janela de plantio com menores riscos clim\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Macena acredita que essa inova\u00e7\u00e3o ser\u00e1 um indutor de tecnologias. \u201cO produtor que est\u00e1 no n\u00edvel 1 quer chegar ao n\u00edvel 4. Ele consegue melhorar o n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o fazendo plantio direto, rota\u00e7\u00e3o de culturas, corrigindo o solo, aplicando gesso agr\u00edcola e assim por diante. S\u00e3o pr\u00e1ticas que n\u00e3o s\u00f3 aumentam a produtividade como tamb\u00e9m melhoram a conserva\u00e7\u00e3o do solo e dos recursos h\u00eddricos, aumentam a infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, o aprofundamento radicular e o estoque de carbono no solo\u201d, disse, acrescentando que a ideia \u00e9 conceder maior subven\u00e7\u00e3o para quem protege o solo e os recursos h\u00eddricos e fixa carbono.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>BioAS e ILPF poder\u00e3o ser contempladas no Zarc<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m busca incorporar ao Zarc tecnologias como a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-solucoes-tecnologicas\/-\/produto-servico\/6047\/bioas--tecnologia-de-bioanalise-de-solo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bioan\u00e1lise de Solo (BioAS)<\/a>&nbsp;e a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/tema-integracao-lavoura-pecuaria-floresta-ilpf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta (ILPF)<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ada em 2020, a Bioan\u00e1lise de Solo (BioAS) agrega o componente biol\u00f3gico \u00e0s an\u00e1lises laboratoriais de solo, que at\u00e9 ent\u00e3o estavam associadas somente \u00e0 qu\u00edmica e \u00e0 granulometria do solo. \u201cA biologia do solo \u00e9 a base da sa\u00fade e da qualidade do solo, est\u00e1 associada aos componentes vivos e mais ativos, aqueles que s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0s altera\u00e7\u00f5es do manejo do solo\u201d, explicou o pesquisador F\u00e1bio Bueno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A BioAS se baseia na atividade de duas enzimas do solo (beta-glicosidase e arilsulfatase) como indicadores biol\u00f3gicos de sa\u00fade do solo. Elas apresentam maior sensibilidade para mostrar efeitos das mudan\u00e7as de manejo do solo; est\u00e3o associadas ao funcionamento do solo (ciclagem de carbono e enxofre, respectivamente); est\u00e3o correlacionadas a diversos indicadores microbianos; e mostram resultados precisos e consistentes, constituem uma metodologia de simples condu\u00e7\u00e3o, com procedimentos anal\u00edticos relativamente baratos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA atividade dessas enzimas se correlaciona muito bem com a produtividade de gr\u00e3os, que \u00e9 o aspecto econ\u00f4mico, e com a mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo, que \u00e9 o aspecto ambiental\u201d, disse o pesquisador, apontando que solos mais saud\u00e1veis apresentam menores popula\u00e7\u00f5es de fitonematoides, melhor efici\u00eancia no uso de nutrientes, melhor potencial de biorremedia\u00e7\u00e3o de pesticidas, melhor qualidade dos alimentos e maior resist\u00eancia dos cultivos frente aos estresses abi\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na BioAS, s\u00e3o feitos os mesmos procedimentos de coleta de amostras para a an\u00e1lise qu\u00edmica do solo, utilizando a camada de 0 a 10 cm de profundidade, onde se concentra a atividade biol\u00f3gica do solo e h\u00e1 maior influ\u00eancia das plantas. Os valores da atividade das duas enzimas s\u00e3o interpretados a partir de algoritmos formatados com base nos mesmos princ\u00edpios da calibra\u00e7\u00e3o de nutrientes do solo, como a correla\u00e7\u00e3o com o gradiente de rendimento de gr\u00e3os, a mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo e o teor de argila do solo. A pesquisa reuniu os atributos qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos do solo em fun\u00e7\u00f5es \u2013 ciclagem de nutrientes (enzimas), armazenamento de nutrientes (mat\u00e9ria org\u00e2nica e capacidade de troca de c\u00e1tions) e fornecimento de nutrientes (teores de nutrientes e acidez do solo) \u2013 que s\u00e3o pontuados de 0 a 1 e formam o \u00cdndice de Qualidade FertBio.<\/p>\n\n\n\n<p>No momento, a BioAS est\u00e1 calibrada para cultivos anuais no Bioma Cerrado e no Sul do Brasil. Ajustes nos algoritmos est\u00e3o sendo feitos para as culturas da cana de a\u00e7\u00facar, caf\u00e9, pastagens e eucalipto. O laudo da tecnologia funciona em sistemas de cores que indicam escores muito baixo (sistema de manejo inadequado), baixo, moderado, alto e muito alto (sistema de manejo adequado). \u201cConseguimos ver a capacidade do solo de ciclar, armazenar e suprir nutrientes. \u00c9 uma nova vis\u00e3o sobre solos, que vai al\u00e9m das informa\u00e7\u00f5es sobre falta ou excesso de nutrientes\u201d, comentou Bueno.<\/p>\n\n\n\n<p>A Embrapa estabeleceu uma rede de inova\u00e7\u00e3o, que atualmente conta com 33 laborat\u00f3rios comerciais, que foram capacitados para a realiza\u00e7\u00e3o das an\u00e1lises biol\u00f3gicas de solo utilizando os protocolos da BioAS. Dados de mais de 50 mil an\u00e1lises j\u00e1 foram enviados a uma interface web (M\u00f3dulo de Interpreta\u00e7\u00e3o da Qualidade do Solo), onde s\u00e3o analisados por algoritmos de interpreta\u00e7\u00e3o, gerando os laudos para o agricultor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA BioAS \u00e9 capaz de mostrar se o solo est\u00e1 saud\u00e1vel, adoecendo, doente ou em recupera\u00e7\u00e3o\u201d, disse o pesquisador mostrando exemplos de laudos que ilustram cada situa\u00e7\u00e3o, diretamente correlacionada ao tipo de manejo adotado. Ele tamb\u00e9m mostrou, de acordo com os laudos, que solos saud\u00e1veis ou em recupera\u00e7\u00e3o produzem mais gr\u00e3os que solos adoecendo e doentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A parceria com os laborat\u00f3rios tem possibilitado a forma\u00e7\u00e3o de um banco de dados sobre a sa\u00fade do solo no Brasil, que pode ser visualizada em mapas, por munic\u00edpio e por estado. \u201cAcreditamos que esse banco de dados, que cresce a cada dia, pode ser uma \u00f3tima ferramenta para programas que busquem melhorar a qualidade do solo em n\u00edvel municipal, estadual ou federal\u201d, apostou Bueno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele apontou que para se ter solos saud\u00e1veis \u00e9 preciso adotar pr\u00e1ticas de manejo como aumentar a diversidade de plantas, revolver o solo o m\u00ednimo poss\u00edvel, utilizar plantas vivas para cobrir o solo, formar palhada, manter animais na \u00e1rea quando poss\u00edvel e o ingresso de \u00e1rvores no sistema, que constituem uma agricultura baseada em processos e n\u00e3o apenas no uso de produtos. \u201cSa\u00fade do solo e manejo agr\u00edcola est\u00e3o intimamente relacionados. E sabemos que cultivos agr\u00edcolas em solos saud\u00e1veis t\u00eam menor risco. Com isso, estudamos a possibilidade de ingresso da BioAS no Zarc\u201d, finalizou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores Roberto Guimar\u00e3es Jr. e Rob\u00e9lio March\u00e3o abordaram os sistemas de Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria (ILP) e Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta na vitrine de ILPF da Embrapa Cerrados. Guimar\u00e3es destacou a necessidade do desenvolvimento de tecnologias que promovam o aumento da produtividade agropecu\u00e1ria com seguran\u00e7a e menor impacto ambiental poss\u00edvel, citando dados do Banco Central do Brasil sobre as principais causas de pagamento de seguro do Proagro entre 2019 e 2024: seca (62%), chuva excessiva (20%) e geadas (9%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPrecisamos desenvolver sistemas mais adaptados \u00e0s mudan\u00e7as extremas de temperatura que v\u00eam, de fato, ocorrendo. A Embrapa tem um portf\u00f3lio de tecnologias que podem atender a diferentes condi\u00e7\u00f5es de clima, de solo e de tipos de produtores\u201d, lembrou o pesquisador, explicando que a ILP e a ILPF combinam diferentes sistemas agr\u00edcolas e pecu\u00e1rios na mesma \u00e1rea e no mesmo ano agr\u00edcola. Estima-se que os diferentes sistemas de integra\u00e7\u00e3o sejam utilizados em cerca de 20 milh\u00f5es ha no Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as possibilidades de integra\u00e7\u00e3o, pode-se cultivar uma primeira safra soja no ver\u00e3o, seguida por segunda safra de milho consorciada com pasto; ap\u00f3s a colheita do milho, tem-se a pastagem estabelecida (terceira safra) e a quarta safra de animais; uma quinta safra de palhada, que pode ser usada no plantio direto da safra de ver\u00e3o subsequente; e ainda uma sexta safra de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos prestados pelas culturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Guimar\u00e3es detalhou o sistema Antecipe, que antecipa, com seguran\u00e7a, o plantio do milho safrinha nas entrelinhas da soja em 20 dias antes da colheita da oleaginosa, com o uso de uma m\u00e1quina plantadeira espec\u00edfica. Tamb\u00e9m pode ser feito, nesse sistema, a semeadura do milho junto com a pastagem antes da colheita da soja. De acordo com experimentos na Embrapa, \u00e9 poss\u00edvel obter 0,8 a 1,5 sc\/ha a mais de milho para cada dia de antecipa\u00e7\u00e3o do plantio da cultura. \u201cIsso representa seguran\u00e7a, produtividade e renda para o produtor\u201d, comentou.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador ressaltou que os sistemas integrados t\u00eam grande oportunidade de incrementar as produtividades no Brasil. \u201cHoje, podemos tranquilamente duplicar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e pecu\u00e1ria sem desmatar um hectare, apenas intensificando de forma sustent\u00e1vel as \u00e1reas, principalmente as com pastagem de baixa produtividade, que s\u00e3o um grande nicho para uso da ILP e da ILPF\u201d, comentou, apontando que a \u00e1rea estimada de pastagens de baixo vigor no Pa\u00eds \u00e9 de 36 milh\u00f5es ha; desses, 28 milh\u00f5es ha apresentam alta aptid\u00e3o para serem renovados com agricultura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Dados de pesquisa mostram aumentos de produtividade at\u00e9 10 vezes em pastos renovados ap\u00f3s a lavoura. Os custos de implanta\u00e7\u00e3o s\u00e3o amortizados pela venda dos gr\u00e3os e de silagem, sendo muito mais baixos que os de uma renova\u00e7\u00e3o convencional de pastagem. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 a necessidade de adubar a pastagem, que aproveita os fertilizantes residuais da cultura agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o do componente florestal no sistema integrado contribui para o aumento da produtividade animal devido ao conforto t\u00e9rmico promovido pela sombra das \u00e1rvores, de acordo com dados de estudo realizado com vacas zebu\u00ednas na Unidade. Os animais \u00e0 sombra n\u00e3o apenas produziram mais leite como tamb\u00e9m mais fol\u00edculos ovarianos e embri\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os benef\u00edcios para o componente agr\u00edcola, a palhada deixada pela pastagem promove aumento da ciclagem de nutrientes como nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio no solo. Al\u00e9m disso, as ra\u00edzes das gram\u00edneas forrageiras conseguem retirar, em camadas mais profundas, nutrientes que os cultivos agr\u00edcolas solteiros n\u00e3o acessariam. Esses benef\u00edcios contribuem para o uso mais eficiente dos fertilizantes.<\/p>\n\n\n\n<p>O aprofundamento das ra\u00edzes da gram\u00ednea forrageira proporciona, ainda, o aumento da infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no solo, maior fixa\u00e7\u00e3o de carbono e maior atividade microbiana em rela\u00e7\u00e3o aos sistemas com lavouras ou pastagens cont\u00ednuas, conforme resultados de experimentos \u2013 uma \u00e1rea com ILP acumulou sete vezes mais carbono em 11 anos, m\u00e9dia de cerca de 5 tCO<sub>2eq<\/sub>\/ha\/ano. \u201cPercebemos que a pecu\u00e1ria e a agricultura conduzidas dessa maneira sequestram mais carbono que emitem\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m constataram, nos sistemas integrados, a rela\u00e7\u00e3o direta entre raiz, mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo e conte\u00fado de \u00e1gua no solo. \u201cMais \u00e1gua no solo representa mais seguran\u00e7a para produzir. Temos observado em produtores que t\u00eam constantemente utilizado a palhada, sobretudo em solos mais fr\u00e1geis, que isso muitas vezes representa a lucratividade ou n\u00e3o num ano de veranicos\u201d, comentou Guimar\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma compila\u00e7\u00e3o de ciclos de cultivo observados em 16 fazendas e campos experimentais em diversos locais, tendo como \u00fanica vari\u00e1vel a presen\u00e7a da gram\u00ednea forrageira com ou sem animais, mostrou incremento de 11 sc\/ha na soja. \u201cIsso representa n\u00e3o apenas seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m produtividade, al\u00e9m de fazer com que o produtor permane\u00e7a no campo produzindo alimento de forma saud\u00e1vel\u201d, justificou o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele mostrou dados do balan\u00e7o dos gases de efeito estufa (GEE) em sistemas ILP e ILPF e pastagens na Embrapa Cerrados e em outras \u00e1reas \u2013 foram medidas, durante seis anos, as emiss\u00f5es de metano pelo gado e de \u00f3xido nitroso pelo solo a partir dos cultivos agr\u00edcolas, bem como o carbono estocado no solo e no tronco das \u00e1rvores. Em pastos de baixa produtividade o balan\u00e7o foi desfavor\u00e1vel em 910 kgCO<sub>2eq<\/sub>\/ha\/ano. A ILP anulou todas as emiss\u00f5es de metano e \u00f3xido nitroso dos componentes agr\u00edcola e pecu\u00e1rio e capturou cerca de 900 kgCO<sub>2eq<\/sub>\/ha\/ano. J\u00e1 a ILPF, gra\u00e7as ao grande poder de sequestro de carbono pelas \u00e1rvores de eucalipto, obteve balan\u00e7o favor\u00e1vel de 22 tCO<sub>2e<\/sub>q\/ha\/ano, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel produzir com menor impacto ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesses resultados, a pesquisa tem buscado a certifica\u00e7\u00e3o de produtos agr\u00edcolas e pecu\u00e1rios produzidos em sistemas de baixo impacto ambiental, desenvolvendo, em parceria com o setor privado, selos como Soja Baixo Carbono, Soja Carbono Neutro e Carne Carbono Neutro. \u201cSe forem adotadas todas essas boas pr\u00e1ticas, hoje a agricultura e a pecu\u00e1ria s\u00e3o solu\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, declarou Guimar\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Modelos de cons\u00f3rcios de plantas&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Na Fazenda Entre Rios, cerca de 40 participantes do congresso da Alasa conheceram modelos de cons\u00f3rcios de diferentes culturas com vegeta\u00e7\u00e3o nativa em \u00c1reas de Reserva Legal (ARL) e de Prote\u00e7\u00e3o Permanente (APP) que incrementam os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos que protegem a agricultura, como polinizadores e a conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e de solo. Apresentado pelo pesquisador Felipe Ribeiro e por Jos\u00e9 Brilhante Neto, um dos propriet\u00e1rios da fazenda, o trabalho \u00e9 resultado de 12 anos de projetos voltados \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa e ao uso sustent\u00e1vel de propriedades rurais por meio de sistemas integrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ribeiro apontou a preocupa\u00e7\u00e3o com a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas agropecu\u00e1rias que v\u00e3o ajudar a dar mais sustentabilidade para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e, assim diminuir, o pre\u00e7o do seguro rural. \u201cUm cons\u00f3rcio de plantas oferece maior seguran\u00e7a para que o produtor consiga fazer mais de uma safra dentro do mesmo ano e tenha mais retorno econ\u00f4mico durante esse ano. Assim, qualquer problema que ele possa ter com a cultura que ele esteja plantando vai ser minimizado de uma certa maneira\u201d, comentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe Spaniol,&nbsp;coordenador de Intelig\u00eancia Comercial e Defesa de Interesses, da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA),&nbsp;ressaltou que a pesquisa e a ci\u00eancia s\u00e3o a base da revolu\u00e7\u00e3o da agricultura e da pecu\u00e1ria do Brasil, que leva em conta o meio ambiente, o aumento da renda e a melhoria da vida da popula\u00e7\u00e3o que vive no campo. \u201cEm eventos assim, em que conseguimos trazer um p\u00fablico internacional para conhecer, na pr\u00e1tica, a realidade da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria brasileira, levamos informa\u00e7\u00f5es sobre o que o Pa\u00eds vem fazendo de bom. Isso vai nos colocar num patamar de reconhecimento das boas pr\u00e1ticas e nos posicionar\u00e1 como solucionadores dos grandes problemas globais\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Jaine Cubas, assessora t\u00e9cnica na coordena\u00e7\u00e3o de Sustentabilidade da CNA, lembrou o papel da pesquisa cient\u00edfica para o estabelecimento e a compreens\u00e3o de metodologias adequadas para apoiar os produtores rurais na recupera\u00e7\u00e3o produtiva de passivos ambientais e de \u00e1reas de Reserva Legal (ARL) ou de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APP) que sofreram algum tipo de supress\u00e3o vegetal, utilizando esp\u00e9cies de plantas com valor agregado que contribuam para a conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e tragam retorno econ\u00f4mico. \u201cModelos como o apresentado aqui trazem uma seguran\u00e7a para o produtor. \u00c9 um modelo que foi pensado para trazer oportunidades para o produtor na hora de recuperar as \u00e1reas degradadas. Conseguimos aliar a produ\u00e7\u00e3o com a preserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais\u201d, disse, lembrando que o pr\u00f3prio C\u00f3digo Florestal brasileiro preconiza o equil\u00edbrio entre produzir e conservar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jos\u00e9 Brilhante Neto, a visita foi uma importante oportunidade para mostrar a resili\u00eancia dos sistemas que integram lavoura, pecu\u00e1ria e floresta a um p\u00fablico internacional voltado \u00e0 seguridade rural. \u201cVemos que esses sistemas que j\u00e1 implantamos numa parte da fazenda s\u00e3o mais resilientes. S\u00e3o sistemas que o produtor pode adotar e auferir renda em diversas categorias; no nosso caso, gr\u00e3os, pecu\u00e1ria com a ra\u00e7a Guzer\u00e1\u00a0e ainda temos o aporte da \u00e1rvore em si. Quando voc\u00ea tem um sistema mais resiliente, os riscos na sua produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o menores, isso diminui problemas. Ent\u00e3o, vejo uma grande vantagem\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Embrapa Cerrados <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Balizador do seguro rural no Brasil, o Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico (Zarc) foi apresentado pelo pesquisador Fernando Macena O&nbsp;XVIII Congresso Internacional da Associa\u00e7\u00e3o Latino-Americana para o Desenvolvimento do Seguro Agropecu\u00e1rio (Alasa), realizado em parceria com o Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa) de 7 a 10 de abril em Bras\u00edlia, foi finalizado com a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4315,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[20,19],"tags":[],"class_list":["post-4314","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-embrapa","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4314"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4316,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4314\/revisions\/4316"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}