{"id":4828,"date":"2026-03-12T12:55:45","date_gmt":"2026-03-12T16:55:45","guid":{"rendered":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/?p=4828"},"modified":"2026-03-12T12:55:46","modified_gmt":"2026-03-12T16:55:46","slug":"cop15-pantanal-e-ponto-de-parada-e-alimentacao-para-190-especies-de-aves-migratorias-do-continente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fundapam.com.br\/site\/sem-categoria\/cop15-pantanal-e-ponto-de-parada-e-alimentacao-para-190-especies-de-aves-migratorias-do-continente\/","title":{"rendered":"COP15: Pantanal \u00e9 ponto de parada e alimenta\u00e7\u00e3o para 190 esp\u00e9cies de aves migrat\u00f3rias do Continente"},"content":{"rendered":"\n<p>A maior \u00e1rea \u00famida cont\u00ednua do planeta e bioma com mais elevado \u00edndice de conserva\u00e7\u00e3o, o Pantanal mato-grossense \u00e9 ponto de parada para descanso e alimenta\u00e7\u00e3o de 190 esp\u00e9cies de aves migrat\u00f3rias que transitam desde o Hemisf\u00e9rio Norte (Canad\u00e1, Estados Unidos) at\u00e9 a regi\u00e3o da Patag\u00f4nia localizada no extremo-sul do Continente. Raz\u00e3o que motivou a escolha de Campo Grande para sediar a 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o sobre Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (COP15).<\/p>\n\n\n\n<p>A COP15 acontecer\u00e1 de 23 a 29 de mar\u00e7o e deve atrair entre 2 a 3 mil especialistas de uma centena de pa\u00edses a Campo Grande. A&nbsp;<em>Blue Zone<\/em>&nbsp;(Zona Azul) estar\u00e1 sediada no Expo Bosque, no Shopping Bosque dos Ip\u00eas e haver\u00e1 eventos paralelos em outros locais da cidade. A Confer\u00eancia \u00e9 organizado pela ONU e o Governo do Estado, atrav\u00e9s da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o) e outras pastas, est\u00e1 dando total apoio.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das quase duas centenas de esp\u00e9cies de aves, destaca-se no Pantanal a ocorr\u00eancia de peixes migrat\u00f3rios como o Pintado (<em>Pseudoplatystoma corruscans<\/em>) e o Dourado (<em>Salminus brasiliensis<\/em>), que realizam a Piracema, ou seja, a migra\u00e7\u00e3o sazonal para se reproduzirem. E por fim, o Pantanal \u00e9 o lar de uma das maiores popula\u00e7\u00f5es de on\u00e7a-pintada (<em>Panthera onca<\/em>) do mundo, configurando importante s\u00edtio para a prote\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>A Confer\u00eancia das Partes preocupa-se com as esp\u00e9cies migrat\u00f3rias que enfrentam alguma amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o ou que se beneficiam significativamente de acordos internacionais. Nesse sentido, debate medidas que possam proteger e favorecer a reprodu\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies, unindo esfor\u00e7os de todos os pa\u00edses por onde transitam. Da\u00ed a import\u00e2ncia de envolver o maior n\u00famero de na\u00e7\u00f5es no evento. Por enquanto s\u00e3o 133 na\u00e7\u00f5es signat\u00e1rias do Tratado de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0s Esp\u00e9cies Migrat\u00f3rias, conforme demonstrou a secret\u00e1ria de Biodiversidade do MMA (Minist\u00e9rio do Meio Ambiente), Rita Mesquita, enquanto a Conven\u00e7\u00e3o das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas tem 198 partes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rota pantaneira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.semadesc.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Pantanal-Biguas-Foto-Bruno-Rezende-01-730x480-1.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.semadesc.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Pantanal-Biguas-Foto-Bruno-Rezende-01-730x480-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-146331\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Conforme estudo dos pesquisadores Alessandro Pacheco Nunes e Walfrido Moraes Tomas, da Embrapa Pantanal, as esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas ou relacionadas a ambientes aqu\u00e1ticos representam 18% da comunidade de aves sul-mato-grossenses e est\u00e3o concentradas principalmente no bioma pantaneiro e na plan\u00edcie de inunda\u00e7\u00e3o do alto rio Paran\u00e1, na divisa com os estados de S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1. Os pesquisadores asseguram que o Pantanal abriga as maiores popula\u00e7\u00f5es de aves aqu\u00e1ticas continentais ocorrentes no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles identificam no estudo 27 esp\u00e9cies, a maioria ma\u00e7aricos (Scolopacidae), que passam por Mato Grosso do Sul durante seus deslocamentos do Hemisf\u00e9rio Norte em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Patag\u00f4nia e vice-versa. Essas aves empreendem verdadeiras jornadas migrat\u00f3rias vindos da Argentina, Chile, Uruguai e extremo sul do Brasil (Rio Grande do Sul), fazem uma parada no Pantanal que pode demorar dias ou semanas e depois prosseguem rumo ao norte do Continente Sul Americano, com destino \u00e0 Col\u00f4mbia e Venezuela.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio da Semadesc, Jaime Verruck, argumenta que a manuten\u00e7\u00e3o de habitats \u00edntegros com paisagens conectadas e ecossistemas funcionais na plan\u00edcie pantaneira \u00e9 essencial para a sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies migrat\u00f3rias. \u201cAo proteger \u00e1reas \u00famidas do Pantanal, assim como remanescentes do Cerrado e da Mata Atl\u00e2ntica presentes no territ\u00f3rio, Mato Grosso do Sul contribui diretamente para a seguran\u00e7a das rotas migrat\u00f3rias dessas aves, dos mam\u00edferos e dos peixes e outros grupos que atravessam as fronteiras em suas rotas de sobreviv\u00eancia\u201d, disse Verruck.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Legisla\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tocador de v\u00eddeo<video width=\"1920\" height=\"1080\" preload=\"metadata\" src=\"https:\/\/www.semadesc.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMAGENS-AVES-SILVESTRES-E-DRONE.mp4?_=1\"><\/video><\/p>\n\n\n\n<p>00:00<\/p>\n\n\n\n<p>00:36<\/p>\n\n\n\n<p>As pol\u00edticas estaduais fortalecem a conserva\u00e7\u00e3o em escala de paisagem, assegurando alimento, abrigo e conectividade, elementos fundamentais para ciclos migrat\u00f3rios bem-sucedidos, e refor\u00e7am o compromisso do Estado com a coopera\u00e7\u00e3o internacional e os objetivos globais de biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o Governo do Estado reconhece que a conserva\u00e7\u00e3o efetiva n\u00e3o se limita \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais, mas demanda a\u00e7\u00f5es concretas e envolve a participa\u00e7\u00e3o das pessoas que vivem nesses territ\u00f3rios. A inclus\u00e3o produtiva, a reparti\u00e7\u00e3o justa dos benef\u00edcios gerados pelos ativos ambientais e a melhoria da qualidade de vida das comunidades locais s\u00e3o pilares das pol\u00edticas p\u00fablicas estaduais, refor\u00e7ando que desenvolvimento social, prosperidade econ\u00f4mica e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade s\u00e3o processos interdependentes e complementares.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma \u00e1rea estimada em 150 mil quil\u00f4metros quadrados, a plan\u00edcie pantaneira coberta por gram\u00edneas e salpicada de salinas e landizais abriga tesouros muito ambicionados pelas esp\u00e9cies migrat\u00f3rias. Protege ecossistemas e recursos essenciais para descanso em ambiente seguro e reabastecimento no intervalo da longa jornada.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa riqueza ambiental \u00e9 protegida pela Lei do Pantanal (Lei Estadual 6160, de 18 de dezembro de 2023), que passou a considerar as salinas como \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o permanente, tanto o corpo d\u2019\u00e1gua quanto a praia circundante numa faixa de 100 metros. A vegeta\u00e7\u00e3o nativa pantaneira tamb\u00e9m est\u00e1 protegida por lei, sendo os propriet\u00e1rios rurais obrigados a manter intactos ao menos 40% dessa vegeta\u00e7\u00e3o. Nos landizais (\u00e1reas inund\u00e1veis com vegeta\u00e7\u00e3o abundante) a lei determina prote\u00e7\u00e3o total, tanto do curso d\u2019\u00e1gua quanto da \u00e1rea que o margeia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>On\u00e7a-pintada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><a href=\"https:\/\/www.semadesc.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/onca.png\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.semadesc.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/onca.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-146308\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Por fim, a Lei do Pantanal prioriza a preserva\u00e7\u00e3o de corredores ecol\u00f3gicos no bioma unindo reservas ambientais com \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o, construindo ambientes prop\u00edcios para abrigar a abundante fauna pantaneira. Entre as esp\u00e9cies favorecidas pelos corredores ecol\u00f3gicos est\u00e1 a on\u00e7a-pintada, felino de grande porte que ocorre desde a Am\u00e9rica Central at\u00e9 o sul da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>A bi\u00f3loga Bruna Oliveira, da Semadesc, explica que, embora n\u00e3o realize migra\u00e7\u00f5es sazonais longas como aves e baleias, a on\u00e7a-pintada se encaixa no perfil de esp\u00e9cie migrat\u00f3ria amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o porque muitas de suas popula\u00e7\u00f5es t\u00eam \u00e1reas de vida que atravessam fronteiras nacionais de forma regular ou previs\u00edvel e dependem da conectividade internacional de habitats para garantir o que os t\u00e9cnicos chamam de fluxo g\u00eanico da esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, a on\u00e7a-pintada est\u00e1 protegida como esp\u00e9cie migrat\u00f3ria em risco de extin\u00e7\u00e3o desde a COP14, realizada em 2024. A iniciativa refor\u00e7a a colabora\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses que se sobrep\u00f5em \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, facilitando a\u00e7\u00f5es conjuntas para sua conserva\u00e7\u00e3o, abordando amea\u00e7as cr\u00edticas como perda de habitat e conflito entre humanos e animais silvestres.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Semadesc<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior \u00e1rea \u00famida cont\u00ednua do planeta e bioma com mais elevado \u00edndice de conserva\u00e7\u00e3o, o Pantanal mato-grossense \u00e9 ponto de parada para descanso e alimenta\u00e7\u00e3o de 190 esp\u00e9cies de aves migrat\u00f3rias que transitam desde o Hemisf\u00e9rio Norte (Canad\u00e1, Estados Unidos) at\u00e9 a regi\u00e3o da Patag\u00f4nia localizada no extremo-sul do Continente. 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