Sensores, processamento de imagens e IA são debatidos em painel sobre melhoramento vegetal

Satélites, drones, informação temporal e IA trazendo mais precisão e personalização de dados.

A sinergia tecnológica entre os recursos de inteligência artificial (IA), sensores e processamento de imagens voltados à fenotipagem de plantas estará no centro da discussão entre pesquisadores no próximo dia 3, a partir das 19 horas, no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS). O debate, que tem a participação de Lúcio Jorge (Embrapa), David Mojaravscki (Syngenta Seeds) e Edson Takashi (UFMS), é o painel de abertura da 5a edição do Workshop de Melhoramento Vegetal, realizado pela Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas.

Pesquisador da Embrapa (São Carlos-SP) em inteligência computacional, Lúcio Jorge, começa ressaltando que a área de fenotipagem de plantas tem muito a ganhar com o uso dessas tecnologias computacionais, como os sensores. Além do espectro visível, que já agrega, atualmente segundo ele, há o uso de IA para aferir características não visíveis a olho nu. “Com a miniaturização dos sensores e a redução do custo, podemos embarcá-los em drones ou em robôs terrestres, por exemplo, e extrair informações detalhadas”, complementa. 

No caso de plantas forrageiras, foco do debate, os sensores são utilizados para testes de germinação em sementes, dando um salto na fenotipagem. Entretanto, há limitações técnicas que Lúcio levará para o painel, como modelar as medidas dentro de diferentes períodos, como datas e regiões. Obstáculos que a pesquisa está em busca de soluções, principalmente, “neste momento da virada, como assim enxergamos, com acesso e financiamento a essas tecnologias”. 

Além dos sensores, o uso da inteligência artificial, que tem se expandido rapidamente em diversos setores, e chegou ao melhoramento de plantas. Para o pesquisador Edson Takashi da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), “a partir da combinação da IA com o sensoriamento remoto é possível se utilizar drones, imagens de satélites para fazer essa coleta e estimar parâmetros, o que potencializa e acelera o processo”. 

Takashi explica que uma etapa importante na fenotipagem é a coleta de parâmetros e caracteres das plantas, e isso normalmente é feito a campo, uma atividade custosa e demorada, com a adoção de IA se facilita o método, além de acelerá-lo levando em conta o aumento dos experimentos de fenotipagem.

“A IA permite a automação do processo de fenotipagem, sendo possível fazê-lo em escala e com redução de erros. O outro ponto é conectar com outras fontes de dados, como informações genéticas e ambientes, proporcionando uma amplitude da interação planta-ambiente”, ratifica David Mojaravscki, pesquisador em IA da Syngenta Seeds. Essa possibilidade de atuar em grandes escalas impacta não somente na velocidade dos estudos, como também nas oportunidades de novos insights, afirmam Mojaravscki e Takashi. 

Para o futuro, os três cientistas, Jorge, Takashi e Mojaravscki, destacam os modelos multimodais – satélite, drones, informação temporal, IA – trazendo mais precisão aos dados e personalização das condições. Com desafios agrícolas tão complexos e multidisciplinares, os sensores atuam como os inputs, e o processamento e a modelagem identificam, quantificam e contabilizam os padrões, em diversas fontes de dados, o que traz valor e enriquece o melhoramento genético.

Lúcio André de Castro Jorge, pesquisador em automação e inteligência artificial da Embrapa Instrumentação (São Carlos-SP); David Mojaravscki, líder de Inteligência Artificial da Syngenta Seeds, e Edson Takashi Matsubara, professor em inteligência artificial da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, estão no painel “Sinergia Tecnológica na Fenotipagem de Plantas: Unindo Sensores, Processamento de Imagens e Inteligência Artificial”  do Workshop de Melhoramento Vegetal.

Com realização da Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas (SBMP), o evento é organizado pela Embrapa e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MS), da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), do Sindicato Rural de Campo Grande e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS).  

Histórico
O 1º Workshop foi realizado pela UFGD (Dourados-MS) em 2014, com tema “Contribuições, avanços e perspectivas para o Cerrado Brasileiro”. O segundo evento aconteceu em Campo Grande, em 2016, sob responsabilidade da Embrapa Gado de Corte abordando a “Biotecnologia aplicada ao desenvolvimento de cultivares para o Cerrado Brasileiro”. 

Em 2019, o workshop volta para a UFGD em um “Encontro de Profissionais do Melhoramento Vegetal do Estado de Mato Grosso do Sul”. A 4ª edição, em 2021, trouxe as habilidades profissionais que o melhorista de plantas precisa desenvolver. 

Este ano, o comitê organizador é formado por Mateus dos Santos (Embrapa), Lívia Maria Chamma Davide (UFGD), Liliam Silvia Cândido (UFGD) e Sanzio Carvalho Lima Barrios (Embrapa).

Informações no link.

Fonte: Embrapa Gado de Corte

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